Capítulo 5
POV DE ALEXANDER
Eu bati o pé direito contra o chão da tenda, o ritmo agudo e agressivo, ecoando a pressão que subia no meu peito. As vozes ao meu redor eram abafadas, como o zumbido monótono de insetos que eu não conseguia afastar. Outro relatório de estratégia. Outra lista de números, posições e táticas que eu já tinha memorizado antes do amanhecer.
Meu olhar vagou além deles, além das paredes de lona e da luz da lanterna, desejando estar em qualquer outro lugar. O silêncio teria sido melhor. Uma espada na minha mão. Um combate de treino. Qualquer coisa, menos esse desfile interminável de informações. Mas isso tinha que ser feito. Sempre o dever em primeiro lugar.
Este acampamento, esta guerra, há muito tempo se tornaram mais do que uma obrigação—era uma prisão esculpida pelo legado.
Meu pai, o Rei Kyle, nunca teve a intenção de criar um filho. Ele pretendia forjar uma arma. E conseguiu. Ele me despojou do título, me jogou neste lamaçal encharcado de sangue com nada além de um pseudônimo e uma ordem: sobreviva e se eleve.
E eu consegui. Através de hematomas e surras. Através da humilhação. Eu conquistei o direito de estar aqui—não pelo meu direito de nascimento, mas por ossos quebrados e cálculo frio.
"Comandante," Bolton disse, sua voz cortando meus pensamentos. "A fronteira está quase completamente sob nosso controle. Empurramos as forças deles para trás e recuperamos o terreno que perdemos. Tudo o que resta é avançar e tomar o deles."
Eu levantei o olhar lentamente, meu olhar duro. Algo estava errado. O ambiente exalava isso.
"Então, por que não fizemos isso?"
Bolton estremeceu, olhando para Cole.
Foi Cole quem falou a seguir, sua voz áspera com o peso das más notícias.
"Perdemos a passagem sul," disse ele. "Uma emboscada nos atingiu durante a noite. Sem reforços. Não conseguimos manter a linha."
Silêncio.
Então, meu punho bateu na mesa com força suficiente para fazer tudo nela tremer.
A tenda caiu em um silêncio atordoado.
Eu me levantei parcialmente do meu assento, o rosnado mal contido. Meu lobo surgiu, garras logo abaixo da pele, mandíbulas expostas.
"Vocês perderam a passagem sul?" eu rosnei, minha voz baixa e afiada como uma lâmina. "Aquela passagem era essencial para toda a nossa estratégia. Como puderam perder algo tão vital?"
Minha voz ecoou pela lona, reverberando como trovão. Eu podia sentir o ar mudar, crepitando com minha fúria.
Bolton pigarreou, tentando se recompor. "Estamos mobilizando uma força para recuperá-la—"
Eu levantei a mão, silenciando-o.
Então meu telefone vibrou.
Uma vibração curta.
Eu o alcancei, meus olhos se estreitando quando o nome apareceu na tela.
Beta Aaron.
Desbloqueei, preparado para outra atualização logística—mas, em vez disso, li:
'Bom dia, Comandante Alexander. Luna Eliza da Alcateia da Lua Prateada está se divorciando do Alpha Derek.'
Eu me imobilizei.
As palavras se gravaram no meu cérebro como fogo.
Eliza.
Meu coração vacilou, depois acelerou.
A tenda desapareceu. A mesa. Os soldados. Tudo sumiu sob o peso do nome dela.
Eliza.
"Comandante?" alguém arriscou.
Eu não olhei para cima.
"Corrija seu erro," eu disse secamente. "E saia."
Eles obedeceram sem questionar. A aba da tenda balançou enquanto eles saíam. Eu permaneci imóvel.
Minha mente já estava em outro lugar.
De volta no tempo.
De volta à época em que eu não era nada além de um adolescente desajeitado, jogado no caos deste acampamento de guerra. Um garoto acostumado com veludo luxuoso e banquetes reais, de repente esperado para lutar, suar, sangrar. Os outros riram de mim. Zombaram de mim. Previram minha morte antes do fim da semana.
"Ele é muito mole."
"Ele vai chorar na primeira vez que vir sangue."
"Ele nem consegue levantar sua própria espada."
Mas então—ela.
Eliza.
Apenas quatorze anos, e ela se erguia mais alta que qualquer soldado. Não em altura, mas em presença. Ela era fogo envolto em pele. Lâminas em sua voz. E quando zombaram de mim uma vez a mais, ela interveio.
"Ele está aprendendo," ela estalou para eles, seu tom não admitindo discussão. "Pelo menos ele está disposto a isso. Ao contrário de vocês, preguiçosos."
Ela se colocou entre mim e os outros como um escudo. Parecia frágil, talvez. Mas ninguém ousava desafiá-la.
Eles a ouviam.
Ela não era apenas a filha do comandante. Ela nasceu para liderar. Criada na batalha. Endurecida por ela.
E eu estava maravilhado.
Então veio a luta de treinamento. Aquela em que eu pensei que poderia impressioná-la.
Ela me desmantelou. Rápida. Precisa. Eu não a toquei uma vez sequer.
Eu estava deitado no chão, olhando para sua silhueta emoldurada pelo sol nascente—e eu soube.
Ela era a escolhida.
A Deusa da Lua tinha que tê-la feito para mim.
Mas o destino tinha outros planos.
Sua mãe a tirou do acampamento logo depois. Algo sobre preservar o futuro de sua linhagem. Eliza desapareceu, e a guerra me devorou por completo.
Anos se passaram.
Quando finalmente ressurgi... ela já estava acasalada. Já estava marcada. Já estava com Derek.
Derek.
O nome sozinho fazia meu lobo rosnar.
Ele chegou como reforço, cheio de arrogância e crueldade. Ele era habilidoso, sim, mas usava essa habilidade como um porrete—atacando qualquer um que desafiasse seu ego.
Eu o observei de perto. Eu queria ver o que Eliza via nele. Mas quanto mais eu observava, mais bile subia na minha garganta.
Ele não era digno.
E quando soube que ele a traiu—quando os sussurros chegaram a mim sobre outra mulher, outra cama—eu vi vermelho.
Eu quase o matei.
A única coisa que me impediu foi o peso do comando.
Mas eu não esqueci. Nunca esqueceria.
E agora...
Agora ela estava livre.
Minha mandíbula se contraiu. Meu pulso rugia.
Isso não era apenas notícia. Isso era o destino corrigindo seu erro.
Uma segunda chance.
Eu não a desperdiçaria.
Desta vez, eu não hesitaria. Não ficaria sentado enquanto outro tomava sua mão. Não seria o protetor silencioso escondido atrás do dever.
Eu a protegeria.
Lutaria por ela.
A reivindicaria.
Meu lobo rosnou em aprovação, caminhando sob minha pele.
Eliza nunca mais sofreria.
Não enquanto eu respirasse.
Não enquanto eu vivesse.
Ela seria protegida.
Ela seria venerada.
Ela seria minha.
