Capítulo 6

AUTORA'S POV

Eliza saiu do carro e caminhou até o imenso prédio à sua frente.

Paredes de mármore branco com acabamentos pretos e enormes colunas a encaravam, destacando o poder e a opulência contidos naquele único edifício.

Sua importância e presença eram ao mesmo tempo empoderadoras e perturbadoras.

Aquele era o castelo do Rei Lycan—o centro de poder do Reino Lycan.

Ela respirou fundo e se acalmou.

Mesmo que quisesse entrar com tudo por causa da decisão que o rei tomou sobre Derek e Maya, precisava se controlar.

Afinal, ele era seu rei, e ela não queria morrer por causa de um erro imprudente.

Com uma postura calma, Eliza subiu as escadas, com a intenção de solicitar uma audiência com o rei. Mas assim que chegou às portas, foi parada pelos dois guardas de plantão.

"Qual é o seu propósito aqui?" um dos guardas perguntou, estreitando os olhos para Eliza.

"Eu sou a Luna da Alcateia da Lua Prateada, e solicito uma audiência com o Rei Lycan. É de extrema importância que eu o veja imediatamente," ela respondeu, sabendo muito bem que ninguém, nem mesmo um Alfa, poderia ver o rei sem marcar um horário previamente.

Ainda assim, ela veio por impulso e tentou usar seu status um tanto ambíguo para ganhar entrada.

Eliza observou os homens, esperando que eles cedessem ao seu pedido e a deixassem entrar no castelo, mas eles apenas a olharam com desconfiança, com as bocas firmemente fechadas.

"Foi marcado um horário de audiência?" o outro questionou.

"Não foi. Como eu disse, o que tenho a dizer ao Rei Lycan é importante," ela argumentou, com os ombros tensos. Ela precisava que isso funcionasse.

Os guardas trocaram um olhar antes que um deles falasse novamente.

"Muito bem. Você deverá esperar aqui enquanto eu informo o rei sobre sua chegada."

Com isso, o homem que acabara de falar virou-se e entrou pelos portões, deixando Eliza e o outro guarda em um silêncio desconfortável.

O guarda entrou no castelo, passando por várias camadas de segurança antes de parar diante de duas enormes portas de carvalho gravadas com ouro verdadeiro.

Ele fez um aceno para seus colegas que estavam de guarda do lado de fora das portas.

Seu intercâmbio silencioso comunicou exatamente o que precisava ser feito.

Afinal, os guardas externos só entravam quando alguém solicitava uma audiência com o rei.

Os guardas abriram as portas, permitindo que o guarda principal entrasse.

Ele entrou, com os olhos fixos no chão, pois aqueles sem alta patente não podiam olhar nos olhos do rei sem permissão.

"Glória ao Rei Lycan," o guarda saudou.

"O que você tem a me dizer?" o Rei Kyle, o Rei Lycan, falou, sua voz retumbando na sala enquanto ele estudava o arquivo em suas mãos.

"Uma Luna está aqui para vê-lo. Ela é da Alcateia da Lua Prateada."

O rei pausou sua leitura e olhou para cima, imediatamente sabendo quem estava esperando em seus portões.

Eliza.

Havia apenas uma razão para ela estar ali—sua recente anulação do casamento dela com o Alfa Derek.

Em sua opinião, ela tinha vindo para implorar para que sua decisão fosse revertida—um resultado que ele não tinha intenção de conceder.

"Ela pode esperar do lado de fora até que eu termine aqui. Não quero ser perturbado," disse o Rei Kyle com um suspiro, voltando ao seu trabalho.

"Claro, Vossa Majestade," o guarda respondeu com uma reverência antes de sair e retornar ao seu posto.

Em cerca de vinte minutos, o guarda voltou ao portão da frente, com uma expressão estoica no rosto.

"Você deve esperar aqui até ser chamada," ele anunciou, fazendo Eliza franzir a testa. Ela não tinha muito tempo.

"Você disse a ele quem eu sou?" ela perguntou, ansiosa para entrar o mais rápido possível.

O guarda lhe deu um breve olhar antes de se virar para a frente, escolhendo ignorá-la pelo restante do tempo.

"Com licença," Eliza disse novamente, suas narinas inflando, mas vendo que o homem não diria mais nada, ela bufou e se acomodou, decidindo esperar.

Afinal, quanto tempo poderia levar para que ela fosse chamada?

Eliza gemeu pela milionésima vez naquele dia, o calor a desgastando.

Ela esperara por horas, sua paciência testada pelo atraso deliberado.

Os guardas do palácio estavam como estátuas, suas expressões inalteradas, claramente seguindo ordens para fazê-la esperar.

Eliza sabia exatamente o porquê.

O Rei Kyle assumia que ela tinha vindo para implorar, para pedir misericórdia, para reverter o casamento iminente de Derek e Maya.

Mal sabia ele que ela estava ali por algo muito mais calculado—algo que ela queria ainda mais do que estar amarrada ao seu marido traidor.

As horas passaram. O sol deslizava pelo céu, projetando longas sombras nos terrenos ornamentados do palácio.

Finalmente, um guarda se aproximou.

"O Rei Lycan vai recebê-la agora," ele anunciou, sua voz desprovida de emoção.

Com uma expressão séria, Eliza caminhou com ele pelos portões enquanto era conduzida ao salão do trono.

A sala era imensa, com tetos altos e paredes adornadas com tapeçarias históricas que retratavam antigos governantes Lycan.

O Rei Kyle estava sentado em um trono elaborado, sua presença imponente e intimidante.

"Eliza," ele disse, sua voz profunda e medida, "entendo que você veio por causa do casamento iminente do seu marido."

Ela encontrou seu olhar firmemente, sua voz calma.

"Rei Kyle," ela reconheceu com uma reverência, "vim solicitar sua intervenção oficial no meu processo de divórcio. Não para impedi-lo, mas para auxiliar na dissolução."

Um leve erguer de sobrancelhas foi a única indicação de sua surpresa. Isso não era o que ele esperava.

"Continue," ele incentivou.

"Peço que você pessoalmente supervisione a cerimônia de dissolução do vínculo," Eliza declarou claramente. "E peço que envie representantes oficiais para adjudicar a divisão justa dos meus bens."

A sala ficou em silêncio.

O Rei Kyle a estudou por um longo momento, então um lampejo de reconhecimento passou por seu rosto. "Em circunstâncias normais, eu teria rido do seu pedido, mas por causa do serviço do seu pai e do seu irmão ao Reino Lycan, vou considerar," ele disse finalmente. "As contribuições deles foram significativas e o preço que pagaram foi mais do que suficiente para qualquer homem."

Ele fez uma pausa, e Eliza prendeu a respiração.

"À luz disso, seus pedidos estão concedidos," ele declarou, um pequeno sorriso tocando seu rosto robusto.

O alívio tomou conta de Eliza, embora ela mantivesse a compostura. Ela pensara que isso seria uma batalha, mas foi mais fácil do que qualquer coisa.

Foi uma vitória pessoal e um movimento estratégico para se garantir e irritar seu marido.

Com um sorriso de canto de boca e uma última reverência, o rei a dispensou e Eliza se retirou.

Após sair do palácio, Eliza sentiu uma sensação de libertação que não experimentava havia meses. O peso do seu casamento fracassado parecia se levantar a cada passo.

Por um capricho, decidiu visitar o shopping, um empreendimento no qual ela tinha investido pessoalmente e frequentemente supervisionava.

Assim que entrou, o gerente do shopping se aproximou nervosamente.

"Luna Eliza, que prazer inesperado," ele murmurou sob a respiração.

"Ande comigo," Eliza ordenou, seu olhar afiado já detectando vários problemas na loja.

Ela apontou os problemas, instando o gerente a anotá-los e consertar tudo antes do final do dia.

O gerente ouviu atentamente, acenando com a cabeça enquanto anotava tudo.

"Vamos resolver isso imediatamente, Luna. Obrigado por nos trazer à atenção."

Com os assuntos de negócios resolvidos, Eliza começou a passear pelas lojas. Já que estava lá, decidiu que poderia fazer algumas compras.

Ela estava examinando uma vitrine de bolsas de grife quando uma voz familiar fez seu sangue gelar.

"Bem, bem. Veja quem está aqui," a voz irritante chamou, puxando a atenção de Eliza das bolsas.

Derek estava a poucos metros de distância, com uma sorridente Maya agarrada ao seu braço.

Eliza lambeu os lábios, apertando a bolsa que segurava.

De todas as pessoas que poderia encontrar hoje, tinha que ser eles.

Ainda assim, ela estava de bom humor após sua conversa com o rei.

Esse dia estava prestes a ficar muito mais interessante.

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