Capítulo 3 Capítulo 3
Marco
Mal consegui dar dois passos para fora da minha carteira quando ouvi.
— Sr. Jennings.
Parei.
Claro.
Devagar, virei de volta, já sabendo exatamente aonde aquilo ia dar. A sala já tinha esvaziado quase toda, mas algumas pessoas ainda estavam ali — guardando as coisas mais devagar, fingindo que não estavam ouvindo.
Caminhei de volta pelo corredor entre as fileiras, as mãos enfiadas nos bolsos, completamente despreocupado por fora.
Por dentro?
Puto pra caralho.
O professor estava perto da frente, braços cruzados, com aquela mesma expressão de decepção gravada no rosto.
— Existe algum motivo para você achar que esta matéria não se aplica a você? — ele perguntou.
Dei de ombros, de leve.
— Eu apareço, não apareço?
Algumas risadinhas baixas vieram de algum lugar atrás de mim.
O professor não sorriu.
— Não — ele disse, seco. — Você existe nesta sala. Isso não é a mesma coisa que participar.
Inclinei um pouco a cabeça, o maxilar travando.
— Olha, eu tenho muita coisa acontecendo—
— E mesmo assim — ele me cortou, dando um passo mais perto — você parece ter tempo de sobra para bocejar alto durante a aula e tratar esta disciplina como uma piada.
Dessa vez, o silêncio caiu mais pesado.
Ele abaixou a voz, mas de algum jeito isso piorou.
— Eu sei muito bem quem você é, Sr. Jennings. Astro do hóquei. Queridinho do campus.
Houve uma pausa.
— E eu também sei muito bem que a maioria dos seus professores deixa isso servir de desculpa para um comportamento como esse.
Minha expressão endureceu um pouco.
Lá vamos nós.
— Mas eu não sou a maioria dos professores — ele continuou. — E não vou deixar você passar impune só porque você traz atenção — e financiamento — para esta universidade.
Aquilo pegou.
Algumas pessoas com certeza ouviram.
Meu maxilar se contraiu.
— Eu passo nas matérias.
— Por pouco — ele respondeu, sem hesitar. — E não por esforço.
Por um segundo, considerei retrucar. Dizer alguma gracinha. Encerrar aquilo do jeito que eu sempre fazia — com um dar de ombros e indo embora.
Mas tinha alguma coisa no jeito como ele estava me olhando…
Como se não estivesse impressionado.
Como se não estivesse intimidado.
Aquilo bateu diferente.
— Você escreveu “fale comigo” na minha prova — eu disse, em vez disso, tirando o papel amassado da mão e erguendo-o um pouco. — Então… o quê, você quer uma reunião ou algo assim?
— Eu quero esforço — ele disse, simples. — Mas sim, você vai se reunir comigo. Depois da aula. Amanhã.
Soltei um ar devagar pelo nariz.
— Entendi.
O olhar dele ficou em mim por mais um segundo antes de ele apontar com a cabeça para a porta.
— Está dispensado.
Finalmente.
Virei e saí sem dizer mais nada, pegando minha mochila do chão no caminho.
O corredor do lado de fora já estava enchendo, o barulho ecoando pelas paredes. Eu fui no fluxo, já puxando o celular — até que algo chamou minha atenção bem na entrada.
Uma folha de papel.
Amassada. Suja. Meio dobrada sobre si mesma, como se tivesse passado por uma guerra.
Eu quase continuei andando.
Quase.
Mas tinha alguma coisa nela que me fez parar.
Com uma expiração baixa, me abaixei e peguei o papel, limpando um pouco da sujeira com o polegar.
Era uma prova.
Tinta vermelha estava levemente borrada no topo — mas a nota ainda estava bem clara.
Um A.
Pisquei uma vez.
Hã.
Meus olhos desceram até o nome escrito no alto.
Taylor Wilson.
Franzi a testa de leve, virando o papel um pouco.
— Quem diabos é Taylor Wilson? — murmurei.
Eu não reconhecia o nome.
O que era estranho, porque eu conhecia — ou pelo menos reconhecia — a maioria das pessoas que valiam a pena notar no campus.
Mas isso?
Nada.
Olhei de volta para dentro da sala por um segundo, mas ela já estava quase vazia.
Estranho.
Alguém tira um A naquela matéria… e simplesmente deixa a prova para trás?
Olhei de novo para o papel, meu polegar passando pelas palavras ótimo trabalho escritas abaixo da nota.
Um sorriso lento puxou o canto da minha boca.
— Bom… acho que vou descobrir.
E, com isso, dobrei o papel uma vez e enfiei na mochila.
