Capítulo 4 Capítulo 4

Taylor

O ar fresco da manhã bateu no meu rosto enquanto eu atravessava o campus em direção ao The Roasted Bean, minha mochila pendurada em um ombro enquanto eu enfiava as mãos geladas para dentro das mangas do moletom.

O campus já estava vivo.

Os estudantes se apressavam pelas calçadas carregando cafés e laptops; alguns pareciam acordados demais para esse horário. Outros pareciam não dormir havia três dias.

Sinceramente?

Eu me identificava mais com o segundo grupo.

A placa enorme do The Roasted Bean surgiu à vista, e o cheiro de café que escapava pelas portas abertas quase me fez acelerar o passo.

Quase.

“Taylor!”

Virei ao ouvir meu nome e vi Jenna correndo na minha direção, o rabo de cavalo loiro balançando atrás dela enquanto ela apertava a bolsa contra o peito, toda dramática.

No instante em que me alcançou, ela gemeu.

“Tá cedo demais pra funcionar como um ser humano”, reclamou. “Eu preciso de cafeína antes que eu morra.”

Uma risadinha escapou de mim.

“Tenho quase certeza de que isso não é medicamente preciso.”

Jenna apontou para mim com seriedade. “Você é da pré-med. Não destrua meus sonhos.”

Balancei a cabeça, sorrindo apesar de mim mesma, enquanto caminhávamos juntas até a cafeteria.

“Você tá estranhamente tensa”, Jenna disse depois de um segundo, estreitando os olhos para mim. “Por que você tá se remexendo?”

Eu parei na hora de mexer na manga do moletom.

“Eu não tô me remexendo.”

“Tá sim.”

Soltei um suspiro baixo.

“É idiota.”

“Isso geralmente quer dizer que é interessante.”

Hesitei por um segundo antes de finalmente dizer: “Eu tirei A na prova de filosofia.”

Jenna parou de andar.

“Taylor!”, ela quase gritou. “Isso é incrível—”

“Mas—”

Ela gemeu na mesma hora. “Sempre tem um ‘mas’ com você.”

Fiz uma careta. “Quando a aula acabou, minha prova caiu no chão.”

“E?”

“E…” Eu me encolhi um pouco. “Digamos que o corpo discente basicamente pisoteou ela até a morte.”

Jenna piscou uma vez.

“Tá… e daí?”

Dessa vez, suspirei de forma dramática.

“O professor provavelmente vai achar que eu só joguei fora ou sei lá. E tecnicamente eu joguei lixo no chão.”

Por dois segundos inteiros, Jenna me encarou.

Aí ela caiu na risada.

Rindo de verdade, com vontade.

“Taylor”, ela disse, ofegante, “você se preocupa demais.”

“Eu não me preocupo.”

“Se preocupa sim”, ela retrucou. “O professor não vai notar uma folha aleatória no chão. E mesmo que note, eu prometo que ele não vai abrir uma investigação no campus por causa de lixo.”

Baixei o olhar para a calçada.

“Eu sei”, admiti baixinho. “Eu só… não consigo evitar.”

A expressão de Jenna suavizou na hora.

“Eu sei que não.”

Esse era o lance da Jenna. Ela vivia me zoando, mas nunca de um jeito maldoso. Ela só… me entendia.

Mesmo quando eu sabia que estava sendo irracional.

Entramos no The Roasted Bean, e o calor nos envolveu imediatamente, junto com o cheiro intenso de espresso e de doces.

Jenna soltou um suspiro aliviado. “Ah, graças a Deus.”

Ela foi depressa até o balcão de retirada, enquanto eu fiquei mais de lado, olhando ao redor para as mesas lotadas.

Estudantes ocupavam quase todos os cantos da cafeteria; metade digitava furiosamente nos laptops, enquanto a outra metade parecia que a cafeína era a única coisa mantendo todo mundo vivo.

Jenna finalmente pegou o café e deu um gole dramático na hora.

Ela fechou os olhos.

“A vida voltou a valer a pena.”

Revirei os olhos.

Então Jenna congelou no meio do gole.

“Ah, não.”

“O quê?”

Ela inclinou o copo na direção da entrada. “Os Deuses do Hóquei decidiram que também precisam de café, pelo visto.”

Eu franzi um pouco a testa antes de me virar para a porta.

E vi eles na hora.

Marco Jennings entrou com outros dois jogadores de hóquei ao lado dele.

Mesmo do outro lado da cafeteria, eles chamavam atenção imediatamente.

As garotas levantaram os olhos dos celulares. As conversas diminuíram um pouco. Uma menina perto da janela chegou a arrumar o cabelo.

Jenna gemeu de novo, baixinho.

“Claro que eles vêm pra cá.”

Eu desviei o olhar rápido.

Rápido demais.

O que, infelizmente, fez Jenna perceber.

“Meu Deus”, ela sussurrou alto. “Fecha a boca antes de começar a babar.”

“Eu não tava babando”, eu sibilei.

“Uhum.”

Ela se inclinou para mais perto.

“Tá, escuta. O Zane é lindo, o Parker é espetacular e o Marco é simplesmente um colírio pros olhos.”

Eu odiava o fato de ela não estar errada.

“E eles sabem disso”, ela continuou. “Então não dá mais um motivo pra eles se exibirem mais do que já se exibem, garota.”

Apesar de mim mesma, eu soltei um riso pelo nariz.

Mas antes que eu pudesse responder—

Eu olhei para cima de novo.

E percebi que Marco já estava olhando diretamente para mim.

Meu estômago despencou na mesma hora.

Porque não tinha como alguém como Marco Jennings já ter olhado pra mim antes.

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