Capítulo 5 Capítulo 5
Marco
No segundo em que entramos no The Roasted Bean, o cheiro de café me acertou com força suficiente para quase melhorar meu humor.
Quase.
— Cara — Parker gemeu ao meu lado, esfregando a barriga de um jeito dramático. — Eu preciso de uma bear claw imediatamente.
Zane bufou.
— Por quê?
Parker pareceu ofendido com a pergunta.
— Porque eu queimei calorias demais hoje de manhã.
Zane arqueou uma sobrancelha.
— No treino?
Um sorriso lento se espalhou pelo rosto do Parker.
— Com uma puck bunny.
Revirei os olhos enquanto Zane soltava uma risada alta.
— Quando é que você não tá queimando calorias com puck bunnies? — Zane perguntou. — Sério, eu tô começando a achar que esse é o seu programa oficial de treinamento.
Parker apontou, todo orgulhoso.
— Exatamente. Dedicação atlética.
Os dois riram feito idiotas enquanto a gente avançava mais para dentro da cafeteria lotada.
Normalmente eu teria entrado na brincadeira.
Mas minha cabeça ainda estava presa lá na aula de filosofia.
O que era irritante pra caralho.
— Cara — Zane disse depois de um instante, olhando pra mim. — O que deu em você?
— Hm?
— Você tá quieto — Parker acrescentou. — Isso é estranho.
— Eu tô bem.
Zane me lançou um olhar.
— Essa resposta significa que você definitivamente não tá bem.
Soltei o ar devagar.
— Só tô com muita coisa na cabeça.
Antes que qualquer um deles pudesse insistir, Parker de repente me cutucou com o cotovelo no braço.
— Acho que tem uma garota te encarando.
Zane abriu um sorriso de canto na hora.
— Quando é que garotas não ficam encarando a gente?
Ele abriu um pouco os braços enquanto a gente andava.
— Alô? Jogadores da primeira linha do hóquei. A gente é basicamente lenda nesse campus.
— Lendas vivas — Parker corrigiu.
Balancei a cabeça e olhei na direção para onde Parker estava olhando.
Uma garota parada perto da lateral da cafeteria desviou o olhar quase instantaneamente no segundo em que nossos olhos quase se encontraram.
Mal registrei qualquer coisa além disso.
— Não — murmurei, desdenhoso. — Não faz meu tipo.
Parker olhou de novo.
— É — ele disse, casual. — Ela tem aquela vibe desleixada, tipo “não ligo pra mim mesma porque sou bonita por dentro”.
Zane riu por entre os dentes.
Eu não disse nada quando chegamos ao balcão.
Parker pediu imediatamente doces suficientes para alimentar um time inteiro de hóquei, enquanto Zane começou a flertar com a barista como se fosse a coisa mais natural do mundo.
Eu desliguei dos dois.
Em vez disso, tirei de novo da mochila a prova de filosofia dobrada e olhei para o nome escrito no topo.
Taylor Wilson.
Um A.
Ainda era insano pra mim.
— Como diabos alguém tira nota máxima nessa matéria? — resmunguei mais pra mim mesmo.
— O quê? — Zane perguntou.
Ergui o olhar.
— Algum de vocês sabe quem é Taylor Wilson?
Parker ficou interessado na hora.
— É um cara ou uma garota?
— Tô supondo que é garota — respondi. — Por que um cara se chamaria Taylor Wilson?
Parker deu de ombros.
— Justo.
Zane cruzou os braços.
— Por que você tá perguntando?
Hesitei por um segundo.
O que fez os dois abrirem um sorriso de babacas imediatamente.
— Ah, isso vai ser bom — Parker disse.
— Não vai — resmunguei.
— Então explica essa prova misteriosa de garota na sua mão.
Suspirei.
— Eu reprovei na prova de filosofia.
Parker caiu na risada na hora.
— Eu tô falando sério.
— Isso de algum jeito deixa mais engraçado — Zane admitiu.
Ignorei os dois.
— O professor me puxou de lado depois da aula — continuei. — Basicamente disse que não tá nem aí se eu sou o jogador estrela. Falou que não vai me dar tratamento especial.
— Ai — Parker fez uma careta dramática.
— E aí depois da aula eu achei essa prova no chão. — Levantei um pouco o papel. — Taylor Wilson. Ela tirou um A e aparentemente deixou pra trás.
Zane pegou a folha da minha mão e deu uma olhada.
— Caralho — ele murmurou. — Ela detonou essa prova.
Parker se inclinou por cima do ombro dele.
— Pera… ela tirou um A nessa matéria?
— Exatamente.
Os dois trocaram um olhar.
Então Zane abriu um sorriso devagar.
— E agora você quer que a Taylor Wilson te dê aulas particulares.
Soltei uma risada de desprezo imediatamente.
— Não.
— Você tá literalmente carregando a prova dela por aí.
— Porque eu peguei do chão.
— Uhum.
Parker apontou pra mim, como quem já sabia.
— Você tá considerando.
— Eu não tô considerando nada.
Zane abriu um sorriso ainda maior.
— Sinceramente? Não é uma ideia ruim.
Eu ri uma vez.
— É, porque essa conversa ia dar super certo.
“Oi, garota aleatória gênio, me ensina filosofia porque aparentemente meu cérebro só funciona com patins no gelo.”
Parker quase engasgou de tanto rir.
Balancei a cabeça, pegando meu café quando a barista chamou meu nome.
Mesmo assim…
Meus olhos desceram por um instante de volta para o papel amassado na minha mão.
Taylor Wilson.
Franzi levemente a testa.
Quem deixa um A pra trás?
