Capítulo 6
Alexa estava atordoada, sem entender como Mercedes conseguia interceptar a magia dela. Afinal, ela era só uma humana, então como estava fazendo aquilo? Felix, Jake e Crystal estavam confusos, esperando que Alexa lhes contasse o que tinha acontecido. Mercedes estava tão confusa quanto o resto; apenas encarava Alexa de um jeito estranho.
— O que foi, Alexa? O que aconteceu? — perguntou Felix, aproximando-se dela.
Alexa balançou a cabeça e pousou os dedos em Mercedes de novo. Dessa vez, usou o máximo de poder para ver se ela também conseguiria bloquear. Mercedes arfou e começou a se contorcer, o corpo se erguendo. Os olhos ficaram arregalados e a boca entreaberta enquanto a magia de Alexa vasculhava sua mente. Mais uma vez, Alexa não conseguiu penetrar o suficiente para apagar as memórias dela.
Ela recolheu o poder, e Mercedes foi se acalmando aos poucos até cair no chão. Crystal entrou em pânico, correu até ela e se ajoelhou à sua frente. Com cuidado, colocou a cabeça de Mercedes no próprio colo e acariciou seus cabelos e seu rosto.
— Mercedes, acorda! — exclamou, dando tapinhas leves no rosto dela.
Continuou fazendo isso e chamando seu nome, mas nada adiantava.
— Jake! Me ajuda a levantar ela!
Ele atendeu e a carregou até o sofá. Alexa ficou em choque. Ainda não conseguia aceitar o fato de uma humana conseguir interceptar a magia dela. Aquilo nunca tinha acontecido antes, e não eram muitas as espécies capazes disso — a não ser que houvesse algo especial nelas. Talvez o poder dela estivesse falhando, e o problema não fosse Mercedes.
Felix agarrou o braço de Alexa com força e a virou para encará-lo.
— Que porra foi aquela, Alexa? Eu mandei você apagar algumas memórias dela, não fritar o cérebro da garota! — rosnou.
Alexa puxou o braço, afastando-se de Felix com uma expressão igualmente irritada.
— Eu não fritei o cérebro dela. Ela é que resistiu aos meus poderes! Eu não consegui apagar as memórias dela, tá bom? Eu não consegui! Ela está bem e não aconteceu nada com ela, mas a minha magia está falhando! — gritou, frustrada.
— Como assim você não conseguiu? Do que você está falando?
— Do que eu acabei de dizer. Eu não consegui apagar a memória dela!
Alexa puxou uma cadeira e se jogou nela.
Crystal sentou-se no sofá, preocupada com Mercedes. Ficou aliviada por Alexa não ter conseguido apagar as memórias dela. Isso significava que a amizade entre as duas ainda tinha uma chance. Ela sabia, com toda certeza, que se Alexa não conseguisse fazê-la esquecer tudo sobre eles, então Felix não a deixaria ir embora.
Parecia egoísmo, mas mais cedo, naquele mesmo dia, Crystal tivera a sensação de que Mercedes sentia o mesmo. Ela também não queria ir embora, e talvez por isso tivesse lutado contra a compulsão de Alexa.
— Então e agora, Alfa? A Alexa não pode fazer nada, então o que vai ser da garota? — Jake fez a pergunta de um milhão de dólares.
Felix não sabia o que fazer, mas era óbvio que não podia arriscar a alcateia deixando-a ir. Agora, ela teria de ficar até que conseguissem descobrir alguma coisa.
"Ela vai ficar na casa da alcateia. Peça para Rosita ajudá-la a se instalar em um dos quartos desocupados. Mas vou deixar você encarregada de vigiá-la de perto e garantir que ela não faça nenhuma estupidez. Estou lhe dando essa responsabilidade, Crystal. Se ela fizer alguma besteira, eu a tranco nas masmorras pelo resto da vida."
"Sim, Alfa. Obrigada por deixá-la ficar. E eu vou cuidar dela." Ela fez um gesto para Jake ajudá-la mais uma vez a carregar Mercedes. Eles foram até o quarto de hóspedes e a deitaram na cama. Rosita, a ajudante da alcateia, entrou com o suco de limão que o Alfa tinha pedido para Mercedes. Crystal pegou o copo e ajudou Mercedes a beber, e, nesse processo, ela recobrou a consciência. Entrou em pânico, mas Crystal a segurou, e ela acabou se acalmando.
"Shhh, estou bem aqui." Mercedes se acalmou ao ver Crystal ao seu lado. Sua cabeça doía, e ela gemeu de dor, levando as mãos à cabeça. "Dói!" gritou, sofrendo. Sentia como se a cabeça fosse explodir a qualquer momento. Ela começou a se debater, e Crystal saiu do caminho para não se machucar por engano. Crystal estava perplexa com o estado dela. Não entendia o que havia de errado.
"Jake! Vá buscar Alexa!" Ele não precisou ouvir duas vezes. Correu de volta para o escritório. "Alexa! Ela acordou e está sentindo uma dor terrível na cabeça. Venha agora." Alexa pulou da cadeira, e Felix veio logo atrás. Quando chegaram, viram Mercedes em péssimo estado e suando.
"Ajude-a, Alexa! Ela está queimando em febre. Desse jeito, ela vai morrer!" Crystal gritou, aflita. Alexa foi até a cabeceira da cama de Mercedes e pôs a palma da mão na testa dela. Percebeu que parte do seu poder ainda permanecia na cabeça de Mercedes, e ela ainda estava tentando resistir a ele. Alexa fechou os olhos e o puxou para fora até que Mercedes ficasse livre daquilo de novo. Ela continuava a surpreendê-la. Era forte o bastante para lutar contra o poder dela e sobreviver ao ataque da energia que restara dentro de sua cabeça.
Ela deveria ter morrido em segundos, mas ainda estava viva. Não havia explicação para o que ela poderia ser além de humana, porque Alexa não conseguia sentir mais nada nela. Crystal soltou um suspiro de alívio. Tinha ficado apavorada com a possibilidade de algo acontecer com Mercedes.
Felix estava numa situação complicada, mas parecia não ter outra escolha senão permitir que uma humana ficasse em sua alcateia. Não gostava nem um pouco disso, mas o risco de ela ir embora levando consigo o que sabia era alto demais. Enquanto ela estivesse ali, ele poderia vigiá-la e garantir que não fizesse nenhuma estupidez. Sua maior preocupação, porém, eram os membros da alcateia. Alguns deles ficavam irritadiços só de ver humanos. Se Mercedes fizesse algo errado, eles a despedaçariam sem pensar duas vezes. Isso significava que ele teria de falar com todos, para que não se exaltassem por causa da presença dela. E, assim que descobrissem o que estava acontecendo, dariam um jeito de se livrar dela. Ele esperava que fosse mais cedo do que tarde.
