Capítulo 1 A última noite

Elisa Vitorino

Quando Gabriel se ajoelhou próximo à cama e afastou meus joelhos para que minhas pernas se abrissem, eu permiti. Não tive forças para mandá-lo embora, muito menos para fechar as pernas... Era como se meu corpo deixasse de me pertencer e passasse a ser dominado por ele.

A pressão que eu sentia só aumentava, e tudo o que eu mais queria era ser dele. Levantei um pouco a cabeça, sem acreditar no fascínio com que Gabriel me fitava.

Seus olhos brilhavam com desejo e luxúria.

Ele abaixou minha minúscula calcinha preta, expondo minha intimidade, já úmida. Levou o tecido ao rosto, o cheirou e o guardou no bolso. Quando se aproximou e cheirou minha pele com verdadeira adoração, senti vontade de chorar.

Minha deusa interior puxava os cabelos, correndo de um lado para o outro em completo desespero, implorando para que ele me devorasse com a boca. Olhei em seus olhos, e o fascínio que vi ali parecia irreal... Tudo o que estávamos fazendo parecia irreal.

- Lis, está pronta, amor? - ouvi a voz de Samuel ao longe. Foi como se um enorme balde de água gelada tivesse sido jogado sobre mim.

Gabriel não se moveu, como se a voz do irmão não tivesse abalado em nada seu desejo.

- O que você está fazendo? - perguntei, levantando-me assustada, enquanto ele permanecia ajoelhado. Segurei-o pelo braço, implorando que se levantasse e se escondesse atrás da porta. Mas o olhar dele demonstrava total indiferença, e um sorriso cínico desabrochou em seus lábios.

Eu o olhava, desesperada, demonstrando meu medo. Mas Gabriel não se moveu - e eu fiquei apavorada.

Capítulo 01

Elisa Vitorino

Estávamos na festa da colação de grau do ensino médio! Todos estavam com aquela sensação de euforia pela conclusão e, como jovens adultos, estávamos realmente em êxtase.

- Você vai vestida assim? - Beatriz me questionou ao ver minha roupa. Eu estava vestida com minha calça preta e blusa branca habitual.

- Isso é uma festa, Lis, não está indo para aula de português - Beatriz fala e gargalha alto.

- Você sempre critica minhas roupas - Falo desanimada.

- Desse jeito você vai entrar na faculdade virgem - Beatriz fala, e eu reviro os olhos.

- Estão prontas? - escutamos a voz de Samuel.

- Claro que não, só sairemos do quarto depois que a Lis tirar essa roupa de virgem que está usando - fala, e eu dou um tapa em seu braço.

- Ela já é linda naturalmente, não precisa de tanta maquiagem como você - Samuel diz, implicando com a irmã.

Eu mudo de roupa enquanto Beatriz e Samuel implicam um com o outro e decido colocar um vestido vermelho tubinho e salto alto preto.

Não é que eu não goste de me arrumar, mas, na maioria das vezes, sou prática. Durante todo o caminho para a festa, os dois ficaram implicando um com o outro, e, enquanto isso, entrei na rede social de Gabriel.

Na família dos Alencar, Gabriel é como se fosse o filho rebelde. Não concluiu nenhuma das faculdades que iniciou e, aos vinte e sete anos, nunca teve uma namorada, mas todo final de semana uma mulher diferente sai da casa dele. Ao menos é isso que Beatriz diz, e sempre perturba o irmão quando ele vem para o Rio de Janeiro.

Tenho sentimentos por Gabriel desde a primeira vez que vi sua foto na casa de Beatriz, e guardo esse sentimento a sete chaves, pois sei que ele nunca me veria como mulher.

Eu sei que não faço o tipo dele!

- Chegamos - Samuel fala, abrindo a porta para que possamos sair do carro. Quando estou indo para a mansão de Érica, nossa amiga anfitriã da festa, Samuel me segura pelo braço.

- Se cuide, Lis - ele diz, fitando meus olhos. Em seguida, olha para minha boca e, antes que eu me afaste, segura minha cabeça e me beija.

- Não consegui me segurar ao te ver assim tão linda - ele diz, alisando minha bochecha.

- Vamos, Lis! - Beatriz grita, e eu ando em sua direção.

- Finalmente ele teve coragem de se declarar - ela fala, revirando os olhos.

- O quê? - murmuro, ainda atordoada.

- Samuel é apaixonado por você - diz ao entrarmos na mansão, mas não tive tempo de responder, pois Érica nos agarrou animada e trouxe bebidas para nós.

Não pensei em mais nada, pois estava decidida a aproveitar a noite com meus amigos e depois falaria com Samuel.

O som estava extremamente alto, e eu estava me sentindo muito quente por causa do álcool, apesar de não ter bebido tanto quanto minhas amigas.

Afastei-me e caminhei até um chalé próximo à piscina, onde me sentei, retirando os sapatos.

Fiquei ali, aproveitando o ar fresco e o silêncio que o ambiente proporcionava. Eu poderia dormir aqui, pensei, ao observar o pequeno chalé.

Assustei-me ao ver alguém entrar fumando.

Reconheci Gabriel, mesmo com a pouca luz que iluminava o ambiente, e mal conseguia respirar... Essa era a primeira vez que ficávamos a sós em um espaço tão pequeno, e também a primeira vez que ele realmente me olhava - e eu percebia seus olhos passeando pelo meu corpo.

Sei que ele já me viu na casa de Beatriz, mas poucas vezes, e mal me olhava direito. Ele estava sempre brigando com o pai e preferia aparecer quando ele não estava.

- O que essa garota de vermelho está fazendo aqui sozinha? - sussurrou, com a voz grossa, e meu corpo inteiro reagiu... como se ele estivesse falando diretamente no meu ouvido.

- Está muito quente lá dentro... - falo, e ele caminha lentamente em minha direção.

- É mesmo? - ele diz, com ironia no olhar e na voz.

- Quer dizer... está muito cheio de gente e... - falo apressadamente.

- Vermelho é a minha cor favorita - ele diz, colocando o dedo em meu ombro e alisando minha pele, como se analisasse cada parte do meu corpo.

Minha respiração acelera. Ele fita meus olhos, minha boca... e me beija. O beijo é de tirar o fôlego, e nem o gosto forte de maconha me afasta.

Eu sonhei tanto com esse momento que mal posso acreditar que está acontecendo. Ele coloca a mão em meu pescoço, e minha respiração se intensifica.

- Você não tem medo do que eu poderia fazer com você? - pergunta, com um olhar que parece sofrido. Só então percebo que sua mão está suja de sangue.

- Gabriel, você está machucado! - falo, angustiada, ao ver o ferimento já seco.

- Vamos lavar isso - digo, pegando sua mão. Ele ri.

Um riso leve, como nunca vi antes.

- Você está em um lugar escuro, praticamente sem ninguém, com um homem de mãos sujas de sangue, e sua preocupação é cuidar de mim? - ele diz, sorrindo cada vez mais.

- Sei que você não me machucaria - respondo, olhando para ele.

- Você está sendo minha luz em meio a essa escuridão - ele diz, antes de me beijar novamente.

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