Capítulo 2 Maldita Família.

Elisa Vitorino

Ele me pega em seus braços, e eu permito... deixo que me leve, sem me importar se alguém pode nos ver.

- Eu amo você, Gabriel - falo, emocionada.

- Você já fez amor antes? - ele pergunta, acariciando meu rosto. Balanço a cabeça, negando, com medo de que ele desista, mas ele apenas sorri e me beija.

- Fico feliz por ser o seu primeiro - murmura, olhando-me com seus olhos escuros e brilhantes.

Eu me entrego sem medo, sem reservas... Não sei se é ilusão ou sonho, mas sinto tanto amor em cada toque de Gabriel.

Ele é extremamente cuidadoso e amoroso, muito diferente do que eu imaginava. Beija meus ombros, descendo lentamente pelo meu corpo, entre meus seios...

Eu arfo e abro as pernas, molhada e ansiando por tudo que ele pode me dar. Gabriel brinca com a língua na minha púbis, e eu fico cada vez mais molhada e passo a mão por seus cabelos.

Ele me olha e vejo sua boca toda molhada e o olhar escuro cheio de luxúria. Gemo de ansiedade.

- Aproveite esse momento que é seu - ele sussurra e me chupa novamente. Gabriel é implacável com sua língua e me faz gozar chamando o seu nome.

Eu me sinto tão, mas tão pronta para ser dele.

Eu me abro completamente e ele se coloca entre minhas pernas. Ele me beija e sinto o gosto almiscarado da minha buceta; isso me deixa mais excitada.

- Olhe para mim - ele fala e eu o olho.

Ele coloca o pau na minha entrada e me rasga aos poucos... Eu fecho os olhos e ele para de se mover.

- Abra os olhos - fala com a voz pesada.

Eu abro e fico em êxtase com a luxúria que vejo em seus olhos. Ele prende a minha bunda na cama com uma das mãos e se move novamente quando abro os olhos.

- Ah... me sinto tão preenchida - sussurro e coloco minhas mãos nas suas costas.

Ele geme e termina de me preencher por completo. Vai e vem... sem parar... gemidos... ofegamos... molhados e suados.

Ele geme e fala frases desconexas: Minha Elisa... sempre minha... Eu acaricio seu rosto másculo e queria eternizar esse momento.

Meu corpo inteiro treme e sinto tanto prazer que sinto o gozo saindo entre minhas pernas... Como estou muito molhada, sei que devo ter sangrado um pouco também... Gabriel ofega, gemendo e gozando.

Ele beija a minha testa e me puxa para os seus braços... Eu não podia acreditar que fui dele... Me tornei mulher em seus braços, nos braços do meu Gabriel.

Elisa Vitorino

- Elisa, Elisa... - escuto a voz de Beatriz me chamando. Abro os olhos e percebo que estou seminua, e os olhos de Beatriz brilham de felicidade.

- Quero o nome dele agora! - ela fala praticamente gritando.

Eu me visto rapidamente e fico um pouco envergonhada, pois não posso falar que tive a minha primeira vez com Gabriel.

O irmão mais velho da minha melhor amiga.

Mas também sei que Beatriz não vai sossegar enquanto não descobrir.

Voltamos para a festa e percebemos que o som foi interrompido. Descobrimos que os vizinhos fizeram denúncias por causa do volume alto.

Por isso, Beatriz e eu decidimos sair da festa à francesa, antes que a polícia chegasse e quisesse levar vários jovens bêbados presos.

Olho ao redor à procura de Gabriel, mas não o vejo em lugar nenhum. Por sorte, Beatriz me chama para dormir na casa dela e, com toda certeza, eu veria Gabriel pela manhã.

Ao tomar banho na casa da minha amiga, sinto um pouco de dor na vagina e não sei explicar o motivo, mas me dá vontade de chorar.

Noto o anel que ele colocou no meu dedo e vejo que há um G gravado. Isso me emociona. Provavelmente estou assim por causa da tensão pré-menstrual.

Eu sempre quis que ele fosse o meu primeiro, mas me culpo um pouco por ter cedido tão fácil e, principalmente, por não vê-lo depois. Não era exatamente assim que imaginava a nossa primeira vez.

Na verdade, eu apenas sonhava com esse momento, mas não acreditava que ele se tornaria real algum dia. Por isso, não perdi a oportunidade quando apareceu... queria ser dele, e apenas isso importava naquele momento.

Termino o banho e afundo na cama do quarto de hóspedes, dormindo em um sono profundo e torcendo para esbarrar com Gabriel pela casa e, quem sabe, me tornar sua namorada e futura mulher...

Ao menos, naquela noite, esse foi o desejo de Elisa, jovem e apaixonada demais para enxergar a realidade diante dos próprios olhos.

Gabriel Alencar

Eu estava de partida após aquela maldita noite em que, mais uma vez, discuti com meu pai. Ele jamais admitiria, mas prefere Samuel para assumir a empresa de investimentos.

E como o testamento do meu avô diz que quem deve assumir é o filho primogênito, exceto se ele não quiser ou for comprovada alguma incapacidade...

Mesmo que eu não quisesse, jamais deixaria Samuel assumir a empresa, pois isso significaria fazer a vontade do meu pai, e isso está fora de cogitação.

Meu pai, de forma amargurada, já murmurou várias vezes que Samuel será um homem de sucesso, coisa que eu jamais serei, segundo ele.

Eu apenas rio ironicamente.

Meu pai é o típico homem de "família": machista e narcisista. Quer manter as aparências de bom pai e boa família, mas a verdade é que crescemos em um ambiente onde ele maltratava a minha mãe e mantinha várias amantes fora de casa.

Mas hoje foi a gota d'água.

Eu não moro com meus pais desde os vinte anos, quando me mudei para São Paulo após mais uma das discussões com meu pai. Eventualmente venho ao Rio de Janeiro e, por causa da minha mãe, acabo ficando na casa deles, mas evito meu pai como o diabo foge da cruz.

Quando cheguei em casa, pensei que não havia ninguém, mas ao escutar gemidos abafados vindos da cozinha, vi meu pai e a governanta - que trabalha conosco há anos - transando no balcão.

- Filho da puta! - falo irritado, e meus olhos se enchem de lágrimas de raiva.

Isso me faz lembrar do maldito passado, quando descobrimos que minha mãe estava doente e o miserável do meu pai a estava traindo com a secretária.

Um dos momentos mais difíceis da vida dela.

Ele se afasta da governanta, assustado, e vejo como fica perplexo ao me ver. É como se tudo acontecesse muito rápido.

Ele avança para cima de mim e ouço taças e garrafas de vinho caindo no chão.

Eu soco o rosto dele e o sangue jorra de seu nariz.

- Eu odeio você! - urro de raiva, e se Samuel não chegasse para me tirar de cima do nosso pai, eu o mataria.

Saio de casa completamente transtornado.

Dirijo freneticamente pelas ruas do Rio de Janeiro, fumo maconha e me drogo o máximo que posso, querendo esquecer o verme nojento que é meu pai.

Querendo esquecer essa maldita família.

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