Capítulo 3 Lembranças
Gabriel Alencar
Estou dirigindo sem rumo quando Erica, uma das amigas gostosas da minha irmã, me manda mensagem falando da festa que está acontecendo em sua casa.
Vou sem pensar duas vezes.
Preciso foder até tirar toda essa merda da minha cabeça.
Ao chegar à casa de Erica, vou para o chalé ficar um pouco sozinho e limpar o sangue das minhas mãos, mas sou pego de surpresa ao ver uma nova "presa" sozinha ali dentro.
Ela estava lindíssima em um vestido vermelho e, por uma fração de segundos, tive a sensação de que já a conhecia, mas logo descartei essa ideia, pois, se eu a conhecesse, com toda certeza ela já teria ido para minha cama.
Percebo que ela é jovem e vejo como fica constrangida ao falar que está quente lá dentro... Meu pau endurece e vibra com seu rubor e timidez. Percebo que ela mal nota o que está falando.
Jovem inocente.
Mesmo nessa noite tão sombria, ela consegue me fazer rir com sua preocupação, mas o que mais me toca é o seu cuidado e entrega ao fazer amor comigo.
Naquela noite, pela primeira vez, eu fiz amor.
Algo que nunca havia feito com mulher nenhuma, pois com nenhuma tive a conexão que tive com ela.
Incrível como algo assim aconteceu em poucos minutos... eu não estava esperando por isso.
Eu a penetrava, mantinha meus olhos abertos e bebia de seus gemidos. Ela me fitava, e seus olhos ardiam de tanta entrega e paixão.
Eu até poderia estar sendo um filho da puta por estar transando com essa mulher que com toda certeza ainda é virgem e que nem sequer sei o nome, mas a forma como ela me toca e me beija parece que ela me conhece mais do que eu mesmo.
Por uma fração de segundos, penso se estou sonhando ou divagando por causa da droga, mas, seja como for, o êxtase que estou sentindo com essa mulher eu nunca senti na vida.
Aproveito cada gota de prazer que meu corpo sente e a penetro várias e várias vezes... ela me arranha e geme...
Foi a primeira vez dela, mas também foi a minha primeira vez fazendo amor... tanto que, momentos mais tarde, achei que pudesse estar sonhando.
Não poderia ser real tanta entrega e amor que essa menina me deu em poucas horas.
Pego meu anel preto, que tem um G escrito na parte de dentro, e coloco no dedo polegar dela.
Beijo seu rosto e me recordo dela falando que me amava. Tento lembrar se nos conhecíamos antes, pois não consigo me recordar dela.
Me afasto para procurar um banheiro e dou de cara com Erica.
Ela se joga em meus braços e tenta me beijar a todo custo.
- Estava esperando por você, Gabriel - fala manhosa, e eu tento despistá-la.
Fico boa parte da noite tentando me afastar de Erica e, quando finalmente consigo voltar ao chalé, vejo que o lugar está vazio.
Fico confuso e procuro por qualquer sinal da menina que esteve comigo, mas não a vejo.
Ouço Erica reclamar que terá que abaixar a música por causa da vizinhança.
Ela se agarra em meus braços e me beija, falando palavras baixas e me chamando para foder e fumar... combinação perfeita.
Mas meu corpo quer manter vivas as lembranças da mulher de vermelho que enfeitiçou meu coração, mesmo sem me dizer seu nome.
A única certeza que tenho de que foi real é a falta do anel em meu dedo.
Porém, assim que o dia amanhece, pego o primeiro voo para longe do Rio de Janeiro e, durante a viagem, meus pensamentos se voltam para a mulher de vermelho que impregnou meu corpo, mente e coração.
Elisa Vitorino
Cinco anos depois...
Quando os aplausos da plateia estouraram após as cortinas se fecharem, eu não conseguia acreditar que a minha primeira apresentação solo de dança havia sido um sucesso. O Teatro Municipal do Rio de Janeiro estava lotado para a apresentação da companhia de ballet da qual faço parte.
Todos comemoravam, pulavam e se abraçavam contentes com o sucesso do nosso trabalho.
- Sua apresentação foi perfeita, Lis - Tom, o nosso coreógrafo e professor, falou me abraçando feliz.
Na dança eu encontrei a felicidade que precisava depois de viver um ano de muito sofrimento.
Quando deixei o curso de Direito e iniciei o curso de dança na faculdade do Rio de Janeiro, foi como se eu me encontrasse e finalmente voltasse a ter brilho nos olhos.
A dança me salvou após ter meu coração destruído por ele... por Gabriel.
- Meu amor! - Samuel me abraçou e me carregou em seus braços.
Eu o beijei feliz por ele ter vindo assistir à minha apresentação.
- Não perderia por nada, meu amor - fala carinhoso.
- Amiga, foi tão lindo! - Beatriz fala e me abraça também.
- Tenho uma surpresa para você - Samuel diz se afastando e, quando retorna, vejo ele trazendo meus pais.
Corro e abraço minha mãe e meu pai.
- Como? - pergunto em choque.
Olho para Samuel emocionada, e ele me diz que mandou José, um dos seus empregados, buscar meus pais no interior da Bahia.
- Muito obrigada - falo emocionada com seu gesto.
Eu queria muito que meus pais viessem à minha apresentação, mas eles nunca andaram de avião e, desde que vim morar no Rio de Janeiro para estudar em uma boa escola e me preparar para entrar em uma universidade, eu os visitava todo ano.
Nunca tive a possibilidade de trazê-los para cá, pois faz pouco tempo que me formei e essa foi a minha primeira apresentação. Ou seja, apesar de hoje morar sozinha em um pequeno apartamento no centro, ainda não tenho tantas condições financeiras.
Horas mais tarde, estávamos na sala de estar brindando ao meu noivado com Samuel, e eu olhava para o homem incrível que ele se tornou, agradecendo silenciosamente por ele ter me amado quando eu mais precisei.
Ele nunca me perguntou nada sobre uma das piores noites da minha vida e, desde aquele dia, me protegeu como nunca achei que um homem pudesse proteger alguém.
E uma parte minha lamenta tanto por não ter tido a minha primeira vez com ele.
Tento afastar as lembranças de tanto tempo atrás, mas é mais forte do que eu...
Cinco anos antes...
Semanas haviam se passado desde a partida de Gabriel e eu me culpava tanto por ter sido ingênua.
Fui absurdamente inocente ao pensar que ficaríamos juntos só por termos ido para a cama, mas eu fui apenas mais uma entre tantas que ele já teve.
Foi uma ilusão que infelizmente criei sozinha.
Eu escutava algumas amigas falarem sobre caras cretinos que transavam e sumiam, mas nunca pensei que isso aconteceria comigo.
Lembro que ainda fui capaz de lhe mandar uma mensagem, mas ela nunca teve resposta.
Quem nunca fez papel de boba que atire a primeira pedra.
