Capítulo 4 Reencontro
Elisa Vitorino
Eu havia tirado uma foto do anel que ele deixou comigo e lhe mandei, mas ele nunca respondeu.
Fui burra pra caralho, mas o que eu não sabia era que o pior ainda estava por vir.
Eu estava sozinha no pequeno apartamento que dividia com uma amiga que também estava no Rio de Janeiro para estudar, e sentia muita cólica no pé da barriga.
Achei que aquilo estivesse acontecendo por causa do atraso menstrual que tive no mês anterior, mas a dor estava além do que eu podia suportar.
Por isso, peguei meu celular e liguei imediatamente para Beatriz, mas o telefone chamava e ninguém atendia.
A campainha do apartamento tocou e, por ter subido direto, imaginei que fosse alguém conhecido.
Ao olhar pelo olho mágico, vi Samuel parado do outro lado da porta.
Não pensei duas vezes. Ao abrir a porta, ele me olhou sorrindo, mas se assustou ao perceber como eu estava.
- Estou com muita dor... - murmurei segurando o pé da barriga.
Fiquei apavorada ao perceber um líquido quente escorrendo entre minhas pernas.
Samuel, mesmo tão novo e assustado, me carregou nos braços e correu comigo para o hospital.
Naquela noite descobri que tinha engravidado, mas era uma gravidez anembrionária, onde não houve desenvolvimento do embrião.
E quando achei que a partida de Gabriel não poderia doer mais, descobri mais aquela perda.
Samuel foi meu melhor amigo naquela época e esperou até que eu estivesse pronta para ter uma nova relação.
E mesmo sem amá-lo, eu o escolhi.
Escolhi Samuel por tudo o que ele representou naquele período tão difícil da minha vida e por tudo o que representa hoje.
Ele é meu amigo, meu companheiro e o homem certo para minha vida.
Como dizem: existe o homem da sua vida e o homem para sua vida.
E Samuel é o homem para minha vida.
Dias atuais...
- Vamos brindar novamente à mulher da minha vida - Samuel murmura levantando a taça feliz.
Ele me puxa para seus braços e me beija de forma apaixonada.
Sorrio para ele, mas meu sorriso congela em meu rosto sem acreditar no que meus olhos estão vendo.
- Gabriel... - Beatriz murmura tão surpresa quanto eu.
Todos olham para o homem alto, vestido todo de preto, com o cabelo alinhado e penteado para trás.
É impossível não notar como ele está mais forte, e seus olhos brilham intensamente quando olham em minha direção.
Meu corpo inteiro fica trêmulo sob seu olhar e, puta que pariu, ele ainda tem a coragem de sorrir de forma irônica ao me fitar.
- Meu filho! - Vera corre em direção ao filho e o abraça emocionada.
Sento no sofá, mal conseguindo manter minhas pernas firmes.
- Está tudo bem, filha? - minha mãe pergunta ao notar meu estado.
Ela segura minha mão e percebe como estou gelada.
Vejo quando o pai de Gabriel vai até ele e o abraça, mas Gabriel não corresponde.
Sei que ele ainda guarda muita mágoa por todo o comportamento que o pai teve com a mãe.
Tento tranquilizar minha mãe e dizer que estou bem, mas me afasto até o banheiro mais próximo com as pernas tremendo.
Entro no banheiro e mal consigo respirar direito, com todos os meus sentimentos expostos nos olhos, e me recrimino pela reação do meu corpo.
Olho para minhas mãos e percebo que estou tremendo.
Eu sabia que ele voltaria em algum momento, mas se passaram cinco anos... não imaginava que me sentiria assim.
Coloco a mão no peito, sentindo meu coração, e massageio o local como se isso pudesse aliviar o aperto que sinto.
- Calma, Elisa... se controle... nada precisa mudar... - repito mil vezes até me sentir mais calma.
E quando penso que estou no controle, saio do banheiro e, para meu temor, esbarro em Gabriel.
Ele segura minha cintura para evitar que eu caia.
Seus olhos encontram os meus e sinto como se não conseguisse respirar ao vê-lo tão perto.
Uma mistura de emoções me golpeia e, antes que eu pudesse evitar ou me controlar, acerto seu rosto com um tapa.
Ele coloca a mão no rosto, como se não pudesse acreditar, e me olha furioso.
Seu olhar só não é mais furioso que o meu...
- Pelo visto, a minha volta mexeu com os nervos de todos - ele fala de forma cínica, e isso me deixa ainda mais irritada.
- Tudo bem por aqui? - Samuel fala se aproximando, e tento relaxar para que ele não perceba a tensão em meu corpo.
- Sim, só estava dando as boas-vindas ao seu irmão - falo.
- Sua noiva é muito receptiva, maninho - Gabriel fala, sorrindo de forma irônica.
- Ela é mesmo - Samuel fala sorrindo e me beija, sem notar a tensão entre o irmão e eu. Eu abraço Samuel e nos afastamos, mas, mesmo caminhando para longe de Gabriel, sinto seus olhos em minhas costas...
