Capítulo 5 Controlador
Elisa Vitorino
Nós nos sentamos em volta da mesa para comer um bolo que foi feito por minha sogra, e meu corpo inteiro fica tenso quando Gabriel se senta ao meu lado. Eu podia jurar que ele parece estar se divertindo ao sentir meu desconforto.
Como ele ousa, depois de tudo que me fez!
Todos estão conversando entusiasmados por causa do noivado e da volta de Gabriel, mas percebo como o Sr. Alencar olha para ele. Como se estivesse surpreso pela forma como o filho está bem, pois Gabriel contou que é um grande fotógrafo nos EUA.
Eu comia a torta dos deuses de morango, mas, na verdade, não via a hora de essa noite terminar para ir embora com Samuel. Como se lesse meus pensamentos, ele sussurra em meu ouvido que não vê a hora de irmos embora, e meu corpo relaxa quando ele me beija.
- Quando é sua viagem para os Estados Unidos? - ouço o pai dele perguntar a Samuel, e me surpreendo quando Samuel diz que é na próxima segunda. Ele não me falou que iria viajar. Eu deixo meu guardanapo cair por descuido e, quando me abaixo para pegá-lo, Gabriel se abaixa no mesmo momento que eu, e nossos rostos ficam muito próximos um do outro... mais um pouco e estaríamos nos beijando.
Eu levanto a cabeça de vez, assustada e com o coração batendo muito forte. Olho em volta para ver se alguém notou, mas todos estão muito entretidos e não percebem o meu desconforto. Eu pego a minha bebida, mas minha mão treme e acabo deixando a bebida derramar sobre a mesa.
- Está tudo bem, Elisa? - ouço Gabriel chamar o meu nome pela primeira vez na vida, e sinto vontade de chorar, como se tudo que tenho guardado dentro do meu peito quisesse explodir.
- Não, na verdade estou muito cansada e gostaria de ir para casa - falo com Samuel, que prontamente se despede de todos, e seguimos para o apartamento dele.
Quando chegamos, eu o beijo e me entrego a Samuel como uma súplica silenciosa, implorando ao meu corpo que esqueça de uma vez por todas o toque de Gabriel, mas, quando Samuel me chupa da forma que eu mais detesto, sinto vontade de chorar.
A minha deusa interior está aos prantos!
Nesses dois anos que estamos juntos, eu tentei ensinar Samuel como se chupa uma mulher. Ele fala que é algo que gosta de fazer, mas, durante todo esse tempo, nunca fez direito. Não chupa com vontade, mas com pequenos toques, como se tivesse medo de sentir de verdade o gosto inesquecível de uma mulher, e, mesmo que eu não queira admitir, isso é algo que me faz falta.
Isso é muito frustrante, e tenho sido tão paciente nesses dois anos que estamos juntos!
Quando ele sobe e começa a chupar meus seios, eu coloco minhas mãos sobre sua cabeça e faço com que ele volte para o meio das minhas pernas, mantendo sua cabeça lá. Após se esforçar mais um pouco, eu puxo meu noivo para cima e abro minhas pernas, ansiosa para que ele me preencha e assim me faça esquecer aqueles olhos que voltaram para me perturbar, mas é em vão, pois, a cada arremetida de Samuel, eu lembrava de Gabriel, e me odiei mais do que tudo naquela noite...
Na manhã seguinte, Samuel fala que vamos para a casa de praia da família e que sua mãe quer passar um tempo com toda a família por causa da volta de Gabriel, pois não sabe até quando ele pretende ficar. Eu peço silenciosamente que não seja por muito tempo.
- Por qual motivo ele voltou? - eu sondo Samuel.
- Ele não gosta de falar sobre o assunto, mas Gabriel passou por situações muito complicadas enquanto esteve longe. Nosso pai precisou viajar por um período para ajudá-lo e intervir com advogados em algumas situações, mas eu não sei os detalhes, meu pai nunca me contou - Samuel falou, e fiquei um pouco pensativa, pois realmente ele ficou muito tempo longe. Em alguns momentos, eu até pensei que tivesse acontecido algo grave com ele, mas nunca tive coragem nem interesse de perguntar.
Eu me sentia usada e ferida.
Agora ele voltou para me assombrar! - pensei, suspirando e fechando um pouco os olhos diante da janela do carro.
- Querida, chegamos - Samuel murmura, me acordando. Eu sorrio com a forma carinhosa que ele me olha e percebo como sou sortuda. Samuel não é perfeito, assim como eu não sou, mas ele é tão bom e tão carinhoso comigo que me sinto muito sortuda por tê-lo ao meu lado, e não quero, de jeito nenhum, estragar as coisas entre a gente.
Entramos na casa de praia e, assim que passamos pelo longo portão, avistamos Gabriel usando apenas uma sunga. O abdômen completamente definido e a visão do seu corpo com tão pouca roupa me deixaram excitada.
Foi mais forte do que eu poderia controlar!
- O tempo passou, mas você continua o mesmo - Samuel fala, elogiando o irmão, que sorri animado e se anima ainda mais quando uma bela loira aparece com duas bebidas em mãos e entrega uma para ele.
- Algumas coisas nunca mudam - ele fala sorrindo e levanta a bebida em minha direção.
Ridículo!!!
Eu me afasto com Samuel e coloco as minhas coisas no nosso quarto. Depois disso, me troco, colocando um biquíni vermelho minúsculo, mas Samuel me olha de cara feia.
- Eu vou colocar um short por cima, não se preocupe - murmuro sorrindo, e ele relaxa um pouco.
- Vamos, Lis - Beatriz fala, me arrastando para fora do quarto. Samuel não teve tempo de falar nada.
Nós colocamos música, preparamos nossos drinks de morango e vamos para a piscina aproveitar um pouco o lindo dia que está fazendo no Rio de Janeiro. Eu decido ignorar por completo a presença de Gabriel e da loira turbinada, curto a música, meu drink e o sol.
Beatriz e eu estávamos no nosso terceiro drink e, com a bebida, eu me soltava completamente. Por isso, quando ela me chamou para entrarmos na piscina, eu olhei na direção de Gabriel, me certificando de que ele estava me olhando, e tirei o meu short, revelando o meu biquíni vermelho minúsculo...
Sim, eu estava completamente errada, mas bêbada o suficiente para não me importar. Perceber como seus olhos ficaram escuros me deixou satisfeita e, quando Samuel apareceu na minha frente com a cara amarrada, eu não aguentei e acabei dando risada.
Joguei água nele para tentar amenizar o clima, e ele me beijou de forma possessiva. Eu adorei a sua reação, por isso retribuí o beijo e dei um gritinho quando ele me carregou e me arrastou para o quarto. Eu dava risada e me divertia, mas me decepcionei quando ele me jogou na cama e falou irritado:
- Você quer me fazer de palhaço? Eu o olhei confusa e levantei para beijá-lo, mas ele se afastou.
- Pare de se comportar como uma idiota e vá tomar um banho e colocar uma roupa decente no lugar desse pedaço de pano - falou, bufando, e saiu batendo a porta com força.
Eu odiava quando ele reagia assim, de forma controladora. Revirei os olhos, me jogando na cama.
