Capítulo 4 Ensine-lhe as regras

Michael Johnson foi direto até Eleanor, o rosto cheio de gratidão.

— Srta. Mitchell, ainda bem que a senhora estava aqui. Vim o mais rápido que pude quando recebi a notícia, mas mesmo assim não cheguei a tempo. Sinto muito por isso.

Eleanor fez um gesto, dispensando o assunto.

— Não foi nada. Ela é minha avó. Claro que eu ia ajudá-la.

Linda se intrometeu depressa.

— Diretor! O senhor não sabe a história toda. Essa garota passou de todos os limites! Ela operou uma paciente sem permissão! Isso é um total desrespeito à vida humana! Nós temos que...

Antes que ela terminasse, Michael lançou a ela um olhar gélido.

— Quem está desrespeitando a vida humana? Você ao menos sabe quem é a Srta. Mitchell?

Linda franziu a testa.

— Ela é só da família da paciente, não é?

Michael soltou uma risada curta, carregada de raiva.

— Você é mesmo uma idiota! A Srta. Mitchell já salvou pacientes à beira da morte mais vezes do que eu consigo contar. A habilidade dela está muito acima de qualquer pessoa nesta sala. E você... você ficou responsável por essa paciente por três meses e nem sabia que ela era alérgica a furosemida? Me diga: quem é que está desrespeitando a vida humana?

— Eu...

A expressão de Linda se retesou.

Ela quis se explicar, mas Michael não lhe deu a chance.

— Estou anunciando isso agora: você está suspensa, com efeito imediato!

A mente de Linda ficou completamente em branco.

Michael se virou para o assistente.

— Está parado aí por quê? Tirem ela daqui!

Linda foi arrastada para fora na mesma hora.

Então Michael voltou a se dirigir a Eleanor, sorrindo.

— Srta. Mitchell, aquela pericardiocentese que a senhora realizou foi absolutamente impecável! Eu sempre quis perguntar... quem a ensinou? A senhora se importaria de me dizer o nome do seu professor?

Ele já tinha feito essa pergunta muitas vezes.

Eleanor o recusara todas as vezes, mas ele nunca desistia.

Leo se animou em silêncio, ouvindo atentamente.

Eleanor balançou a cabeça de novo.

— Sinto muito. Meu professor me disse expressamente para não revelar o nome dele. Mas as habilidades dele são realmente de nível mundial — o senhor não precisa duvidar disso.

Vendo que Eleanor não cederia, Michael não insistiu.

— Claro, claro. Srta. Mitchell, a paciente já não corre perigo, então não vou tomar mais do seu tempo. Por favor, entre em contato comigo imediatamente se surgir qualquer coisa.

— Obrigada.

Depois que Michael saiu, Eleanor se sentou ao lado da cama e segurou a mão frágil de Nova. Não conseguiu impedir que os olhos se enchessem de lágrimas.

Para a família Brown, deixar Nova em um asilo já era o suficiente para considerar que tinham cumprido o dever.

O que eles não entendiam era que pacientes que sofreram um AVC precisam de cuidados cuidadosos e atentos — e de alguém ao lado.

Era por isso que Eleanor vinha todo mês.

Depois de um tempo, Nova abriu os olhos devagar. No instante em que viu Eleanor, um sorriso se espalhou pelo rosto.

— Eleanor, você está aqui.

Eleanor perguntou baixinho:

— Vovó, como a senhora está se sentindo? Está incomodada com alguma coisa?

Nova balançou a cabeça com suavidade.

— Estou bem. Só fico triste de você ter que vir até aqui todo mês por minha causa.

— Vovó, por favor, não diga isso. A senhora me criou. Agora é a minha vez de cuidar da senhora.

Os olhos de Nova se desviaram para Leo.

Um lampejo de cautela atravessou seu rosto.

— E este é...?

Eleanor ia explicar quando Leo deu um passo à frente.

— Olá. Eu sou Leo, tio da Eleanor. Vim levá-la para casa hoje.

— Casa? Que casa?

Eleanor contou tudo a ela — como tinha sido expulsa da família Brown.

Nova ficou furiosa. Bateu com a mão na cama.

— Isso é um absurdo! Com sangue ou sem sangue, você é da família! Espere só — eu mesma vou voltar lá e exigir uma explicação por você!

Ela tentou sair da cama, mas o corpo não obedeceu.

Eleanor a impediu depressa.

— Vovó, todos esses anos, a senhora foi o único calor que eu senti na família Brown. A senhora é minha família de verdade. Mesmo que eu não esteja mais com eles, eu vou continuar vindo visitá-la o tempo todo!

A voz dela era firme.

Leo ficou por perto, pensando por um momento, e então olhou para Nova.

— Se a senhora não se importar, por que não vem com a gente? Nós temos uma ala de cuidados em casa, e é muito melhor do que este lugar. E, ficando mais perto, seria bem mais fácil para a Eleanor cuidar da senhora.

Eleanor se virou para encarar Leo, os olhos brilhando.

— Tio Leo, você tem certeza? Isso é mesmo permitido?

Leo estufou o peito.

— Claro que é. Não é nada demais!

Nova ia protestar, mas Leo não lhe deu chance. Foi direto para a porta para resolver a papelada.

— Volto em três minutos!

Eleanor a tranquilizou com carinho. — Vovó, vem com a gente. O tio Leo é um homem bom. Ele não vai nos causar problema nenhum.

Nesse instante, a porta foi empurrada e se abriu.

Um homem alto entrou, empurrando uma cadeira de rodas.

O nome dele era Ethan Martinez.

Ele e Eleanor tinham crescido juntos e já tinham sido noivos.

Mas agora ele estava prestes a ficar noivo de Sophia.

Sophia estava sentada, fraca, na cadeira de rodas, com cara de que podia desmaiar a qualquer momento.

Ela tinha acabado de tomar uma injeção de anti-histamínico e seus sintomas mal tinham estabilizado. Quando soube que Eleanor também estava no asilo, implorou para Ethan levá-la até lá.

Quanto ao falso boletim de ocorrência — Jack tinha pago uma quantia alta para chegar ao chefe de polícia, que prometeu que o caso seria arquivado ainda naquela noite.

Sophia agora era a herdeira da família Brown. Um caso pequeno daqueles não significava nada para ela.

Ela não tinha com o que se preocupar.

Mas não tinha a menor intenção de deixar Eleanor escapar impune.

Quando Eleanor viu os dois entrarem, sua expressão ficou gelada. — O que vocês dois estão fazendo aqui? Saiam.

Sophia esboçou um sorriso fraco, a voz debilitada. — Eleanor, você veio ver a vovó? Que atenciosa.

— Mas você não faz mais parte da família Brown. Você realmente não deveria continuar vindo aqui. As pessoas podem achar que você está usando a vovó para se manter ligada à família.

Antes que Eleanor respondesse, a raiva de Nova explodiu.

— O que você quer dizer com isso? Eleanor é minha neta. Isso não é da sua conta!

Sophia se encolheu contra Ethan, fazendo uma expressão magoada. — Vovó, eu só estava tentando lembrar a Eleanor. Por que a senhora está sendo tão dura comigo...

O coração de Ethan apertou por ela. Ele se colocou imediatamente na frente de Sophia e lançou a Eleanor um olhar frio. — Sophia acabou de sair do pronto-socorro. Ela veio aqui por bondade para ver a Nova. Não seja tão ingrata.

Eleanor soltou uma risada gélida. — Bondade? Ela se drogou e depois fez um boletim de ocorrência falso contra mim. Você chama isso de bondade? Ela não passa de uma idiota cruel.

Sophia tremeu de leve, os olhos ficando vermelhos. — Eleanor, como você não conseguiu me machucar, agora está inventando coisas...

Antes que terminasse, foi tomada por uma crise de tosse violenta.

Ethan deu tapinhas nas costas dela e voltou um olhar cortante para Eleanor. — Ela está nesse estado e você ainda fica atacando? Eleanor, quando foi que você ficou tão cruel?

Nova bateu na cama, furiosa. — Saiam daqui, os dois!

— Vovó, por favor, não fique nervosa. Mamãe e papai gastaram tanto dinheiro para colocar a senhora aqui. Se a senhora ficar doente por causa desse estresse, eles vão ter que gastar ainda mais...

A voz de Sophia era fraca, mas cada palavra era uma alfinetada — afiada e feia.

Eleanor já tinha ouvido o bastante.

Pá!

Ela deu um passo à frente e estapeou Sophia com força no rosto.

O estalo seco da bofetada ecoou pelo quarto.

Sophia já estava fraca. O golpe quase a derrubou no chão.

Ela levou a mão à bochecha, lágrimas escorrendo, encarando Eleanor sem acreditar.

— Eleanor, você... você me bateu? Eu vim ver a vovó e você me bateu? Por quê?

Ethan puxou Sophia imediatamente para trás dele, o rosto sombrio de fúria. — Eleanor! Peça desculpas à Sophia agora mesmo!

A voz de Eleanor estava gelada. — Pedir desculpas? Ela não merece.

Sophia se enterrou no peito de Ethan, soluçando. — Ethan, eu só vim ver a vovó... Por que a Eleanor me odeia tanto? O que foi que eu fiz de errado?

O choro dela o dilacerou. Os olhos dele ficaram frios, e ele ergueu a mão.

De repente, Nova se forçou a se sentar na cama.

Ela apontou para Ethan e Sophia, tossindo com força.

— Enquanto eu ainda estiver respirando... ninguém vai encostar um dedo na Eleanor!

No instante seguinte, seu rosto mudou.

Um bocado de sangue jorrou de sua boca.

— Vovó!

Capítulo Anterior
Próximo Capítulo