Capítulo 1 🍷1🍷
MIAMI, FLÓRIDA, 2016
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POV Jenny/Corinne Lansky Massino
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Com os olhos fixos no teto da suíte, me encontrava deitada naquela enorme cama, imersa em pensamentos sobre meu passado nebuloso quando de repente senti Alejandro se movimentar ao meu lado, despertando. Ele havia sido o traficante para o qual fui vendida quando coloquei os pés ali em Miami, após ter sido traficada da Itália.
No início, não sabia quem eu era e de onde tinha vindo, apenas que me chamavam de Jenny desde o hospital ao qual fui atendida depois de me ferir em um acidente de carro, perdendo minha memória no processo. Além de que eu sabia falar italiano perfeitamente e entendia algumas palavras em inglês também.
Todavia, com o passar de um ano, em meio ao sofrimento de ser um simples produto sexual que dava lucro para Alejandro e sua organização criminosa, e ao trauma de ter um bebê recém-nascido tirado dos meus braços para ser vendido no mercado negro das adoções ilegais, minhas memórias foram voltando aos poucos.
Acabei descobrindo que meu nome era Corinne Lansky Massino e não Jenny, como eu acreditava, porém como já estava acostumada com ele, preferi continuar usando-o e escondendo meu verdadeiro nome enquanto minhas memórias eram apenas borrões em uma densa névoa mental.
Com os fragmentos que ia possuindo gradativamente, fui criando uma personalidade que achava ser a que eu tinha no passado. Uma mulher italiana forte e determinada. Talvez, um pouco afrontosa e que não abaixava a cabeça para ninguém, porém inteligente o bastante para ser contida quando era conveniente para minha própria integridade física.
Devido a isso, comecei a ganhar espaço e, principalmente, o papel de liderança entre as meninas traficadas residentes comigo no cativeiro, tornando-me assim a mediadora entre elas e os capangas de Alejandro que ficavam nos vigiando 24 horas por dia.
Não demorou muito para que ele soubesse sobre mim e minhas façanhas no cativeiro, como quebrar a mão de um dos capangas dele que estava querendo abusar de uma das meninas. E durante uma reunião solicitada pelo próprio, eu consegui seduzi-lo, já que Alejandro havia me relatado que vinha tendo um certo fascínio ao ouvir sobre meu jeito dominante de ser.
Após essa nossa reunião, acabei me tornando a puta exclusiva do poderoso chefão do submundo de Miami e não fiquei mais no cativeiro com as demais traficadas. Cativeiro esse ao qual fora trocado, em poucas semanas, por uma casa grande com ótimas condições de moradia e de higiene para as meninas.
Tudo graças a minha manipulação em cima de Alejandro.
Dizer que ele perdia mais dinheiro com as garotas estando naquelas condições miseráveis do que as tratando minimamente bem, colocando meu ponto de vista sob sua ótica, fez Alejandro repensar seu modo de gerenciar aquele setor do tráfico humano que, segundo ele, era tão lucrativo quanto o das drogas e dos jogos de azar.
Em poucos meses, depois de treinos de etiqueta, idas ao médico e banhos de loja, as meninas que antes eram forçadas a se prostituírem na rua com qualquer um que pagasse o mínimo, agora haviam se transformado em belas acompanhantes de luxo, restritas a uma seleta clientela.
Elas possuíam até permissão para ficar com as generosas gorjetas que os novos clientes ricos lhes davam às vezes, ao qual a maioria mandava para suas famílias pobres juntamente com notícias, mesmo que falsas ou incompletas, que antes elas eram impedidas ou ameaçadas de não fazerem.
Com essa nova visão do mercado sexual, Alejandro triplicou sua receita e eu ganhei um novo status como a Rainha do crime de Miami, sendo uma espécie de braço direito dele, o ajudando a gerenciar o submundo.
