Capítulo 4 🍷4🍷
POV Corinne Lansky
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— É claro que ela disse... Muito obrigada. Devolvo assim que terminar de ler.
— Não precisa. É um presente meu para você.
— Eu não aceito presente de homens — informou Lanietta, fazendo-me relembrar de todos os presentes de admiradores secretos que ela ganhava na escola e os rejeitava — Diga um preço, que eu vou comprá-lo de você então.
Andreas sorriu. Um sorriso tão charmoso que senti inveja da minha irmã pela primeira vez na vida, pois eu queria muito ser o alvo daquele sorriso encantador dele.
— Leve-o e depois a gente acerta um preço, combinado?
Lanietta hesitou um pouco, avaliando-o por alguns segundos antes de concordar e estender o braço para que ambos oficializassem o tal acordo deles com um aperto firme de mãos. Minha irmã então se virou para sair dali, mas Andreas segurou na mão dela novamente, fazendo com que Lanietta se virasse e o encarasse de novo.
— Sinto muito por meu pai ter feito aquele circo todo durante o jantar. Eu percebi que você ficou meio tensa em ser o centro das atenções.
— Incomodada seria uma palavra mais apropriada — retrucou Lanietta, desfazendo o contato de suas mãos, abraçando os livros e a bolsa de mão à frente de seu corpo.
— Sei que isso nos pegou de surpresa, mas meio que já era de se esperar, não é mesmo? Já que nossos pais são amigos e sócios.
— É, talvez.
Ele então ergueu o braço, tocando gentilmente em um dos ombros da minha irmã.
— Mesmo que nosso casamento esteja sendo por conveniência, se você me der o seu coração, eu prometo diante de Deus que cuidarei muito bem dele e de você também.
— Não faça tais promessas que não poderá cumprir, Andreas. Ao contrário da minha irmã que é ingênua e uma romântica incurável, eu sei muito bem como funcionam os bastidores de um casamento em nosso meio, então suas belas palavras e promessas são vazias para mim.
— Você não me conhece, Lanietta.
— Verdade. Eu não te conheço. Assim como você também não me conhece. Muito menos temos sentimentos um pelo outro.
— Mas, isso é só uma questão de tempo...
— Tempo esse que eu não quero desperdiçar com um casamento de aparência, principalmente com alguém que tem uma reputação tão... promíscua quanto a sua.
Ele sorriu de modo cínico, eu diria.
— O que dizem sobre mim são apenas boatos.
— Todo boato tem um fundo de verdade, Andreas — ela rosnou começando a ficar irritada.
Decidi então interromper a conversa deles batendo de leve na porta, chamando por minha irmã à medida que eu adentrava a biblioteca. Ele se afastou de Lanietta, que rapidamente o agradeceu pelo livro que tinham negociado e se encaminhou para perto de mim.
Andreas sustentava aquele sorriso encantador de antes enquanto seu olhar penetrante se encontrava fixo ao meu. Por um momento, senti como se estivesse nua ali a sua frente, o que me fez corar, meio envergonhada.
Desviei o olhar quando minha irmã pegou em meu braço, pedindo para irmos logo embora dali. Por alguma razão que só o meu corpo conhecia, eu olhei para trás, cravando meus olhos em Andreas por uma última vez, antes de sair daquele cômodo sendo praticamente arrastada por Lanietta.
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DOIS MESES DEPOIS
— Quero saber mais sobre você — ouvi Andreas comentar enquanto estávamos saboreando um delicioso gelato na Gelateria Al Cassaro, sentados de frente a uma grande parede de vidro, apenas observando os seguranças do meu pai que nos esperavam do outro lado da rua, junto ao carro.
Quando voltamos da festa, naquele dia mesmo, minha irmã tentou argumentar com nosso pai sobre não querer se casar com o filho mais velho de seu amigo e sócio, porém ele se manteve firme e ainda informou de que a partir daquele dia, Andreas iria visitá-la uma vez por semana, para cortejá-la.
Isso significava que ele traria presentes para Lanietta, além dos dois terem permissão para poderem sair juntos e dar passeios pela cidade, porém monitorados fortemente pelos nossos seguranças. Além disso, ela deveria permanecer pura até o dia de seu casamento, que aconteceria daqui a um ano, quando a gente completasse 18 anos.
Minha irmã claramente ficou furiosa com aquilo, porém não poderia fazer nada a respeito. No entanto, eu acabei dando uma alternativa para aquela situação toda, sugerindo a ela que trocássemos de lugar quando Andreas viesse cortejá-la, com a desculpa de que assim eu pudesse avaliá-lo, se ele seria um bom marido ou não e Lanietta concordou.
Já estávamos em nosso décimo encontro e tudo indicava que o plano seguia sem que ninguém percebesse nossa troca, pois conhecíamos uma à outra o bastante para nós nos imitarmos perfeitamente.
— Eu já disse tudo sobre mim — retruquei dando mais uma colherada em meu gelato de pistache.
— Não. Você disse tudo sobre sua irmã Lanietta. Quero saber sobre você, Corinne.
Ergui o olhar, virando um pouco o rosto e o encarando, já vendo Andreas me observando com um sorriso divertido nos lábios, o que me fez ficar sem reação naquele momento.
— Porque me chamou de Corinne? Eu sou a Lanietta — falei tentando convencê-lo de alguma forma.
— Se você está dizendo... Mas, acho que eu nunca saí com a minha noiva de verdade. Sempre foi você. Vocês duas podem ter o mesmo rosto, estrutura corporal e até a mesma tonalidade escura de cabelo, mas suas personalidades são diferentes, quase que em polos opostos de um mesmo globo — ele comentou, pegando-me de surpresa ao erguer sua mão e tocar no canto da minha boca, limpando o que poderia ser o resto do meu gelato, eu diria.
Seu gesto e toque, como sempre, causou uma reação instantânea em meu corpo. Minhas bochechas se ruborizaram imediatamente e eu senti meu ventre ferver, ansiando por algo que nunca havia sentido antes.
— Aqui está a prova de que você não é quem diz ser. Sempre que te toco, você fica envergonhada, o que eu particularmente acho bem bonitinho.
— O-Obrigada — gaguejei.
— Confia em mim?
Concordei cegamente então o vi se levantar da cadeira e se dirigir até o caixa da gelateria. Andreas trocou algumas palavras com o dono do lugar, sempre observando o movimento dos seguranças do outro lado da rua.
E enquanto ele dava algumas notas de dinheiro para o homem, um pequeno caminhão parou em frente a parede de vidro, obstruindo nossa visão dos seguranças. Rapidamente, Andreas me chamou e eu me levantei, pegando minha bolsa de mão, aproximando-me dele a passos rápidos.
Senti o aperto firme de sua mão contra a minha antes do senhor erguer uma pequena bancada lateral para passarmos, dando-nos acesso a parte dos fundos da loja. Me vi sendo puxada por entre a cozinha do lugar, com os funcionários nos olhando de modo curioso, até chegarmos em uma porta que dava para outra rua.
