Capítulo 5 🍷5🍷

POV Corinne Lansky

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Com a adrenalina crescendo gradativamente em nossos corpos, nós nos lançamos por entre os transeuntes, correndo muito, nos fazendo se afastar o máximo que podíamos da gelateria. E por um momento, eu agradeci mentalmente por minha irmã gostar muito de usar tênis e calça.

Tempo depois, quando paramos de correr, bastante ofegantes, Andreas observou um casal de turistas estacionar uma scooter próxima dali e adentrar em um restaurante do outro lado da rua. Ele nos fez caminhar normalmente pela calçada, passando pelas 4 motos ali estacionadas entre os carros.

Em um ato que me deixou perplexa, quando estávamos na esquina, Andreas me pediu para esperá-lo ali e se afastou. Poucos minutos depois, ele parou a minha frente usando capacete e pilotando a tal scooter dos turistas.

— Coloque isto e suba — ordenou a mim, que permanecia em choque por ver que Andreas tinha roubado aquela moto do pobre casal.

Quando ele insistiu para que eu subisse logo, antes de sermos pegos, o obedeci, colocando o outro capacete e o abraçando firme pela cintura à medida que sentia novamente aquela adrenalina de antes envolver meu corpo por estar fazendo algo perigoso e ilegal.

Andreas dirigiu até Sferracavallo, um bairro mais costeiro e afastado do centro de Palermo. Ali tivemos uma tarde incrível e muito romântica, com direito a passeio à praia e uma leve trilha que nos levou a uma outra praia mais afastada e menos turística, onde nos sentamos nas pedras quando o tempo foi esfriando.

Ali, à medida que o sol ia se escondendo no mar, nos presenteando com um lindo pôr do sol, Andreas chamou-me pelo meu nome verdadeiro, tocando gentilmente em meu queixo, antes de se inclinar e selar sua boca na minha, em um beijo apaixonado e intenso, pelo menos para mim.

— Confesso que estou feliz por ser você aqui e não a sua irmã — ele sussurrou entre nossos lábios então me afastei um pouco, o encarando meio preocupada.

— Mas ninguém pode saber que trocamos de lugar.

Passando seu polegar de modo provocante em meus lábios, ele me fez prometer de que eu é que continuaria a me encontrar com ele e que diria o “Sim” no altar, perante a todos dali há alguns meses.

— E-Então você me quer como sua esposa?

— Estou seduzido pela sua beleza, não só a exterior, mas também a de seu interior... Então sim, minha principessa (princesa), eu gostaria de ter você ao meu lado como minha esposa... para sempre.

“Ele me deseja” pensei quase desmaiando de felicidade, sentindo meu coração palpitar de emoção ao ouvir aquela declaração de Andreas.

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PALERMO, SICÍLIA, 2005 – UM ANO DEPOIS

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POV Andreas Massino

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— Você já pensou em como as coisas poderiam ter sido diferentes para nós dois, amor? — escutei Clarice perguntar contra meu peito nu à medida que eu fazia carinho em suas costas suadas enquanto o cheiro de sexo ainda impregnava naquele singelo quarto de hotel.

— O que quer dizer com isso, minha querida?

Ela então ergueu o rosto, repousando seu queixo no meu tórax, encarando-me.

— E se Tony não existisse? E se você fosse filho único? Será que poderíamos ter acabado juntos? Assim não precisaríamos ter que ficar escondendo o nosso amor como fazemos.

Seus olhos ficaram meio marejados enquanto um sorriso triste se tornava presente em seus lábios.

— É, talvez — murmurei, tocando-lhe gentilmente a bochecha, colocando em seguida uma mecha de seu cabelo atrás de sua orelha.

— Eu agora seria sua esposa e não do seu irmão, que nem se importa comigo, apenas com os negócios da máfia — Clarice desabafou, suspirando à medida que voltava repousar sua cabeça em meu peito, abraçando-me mais forte.

Eu a havia conhecido quando fui obrigado a treinar em Nápoles, a fim de poder me tornar o Consigliere e braço direito do meu irmão mais novo, que aos olhos do meu pai, era mais preparado para assumir o posto de Capo da L’Occhio do que eu, seu primogênito e herdeiro por direito.

Nosso amor foi à primeira vista, e foi por ela que eu não abandonei o curso extremamente exaustivo na academia e fugi para bem longe da minha família. Nossos encontros sempre me davam um respiro em meio a intensa pressão que era imposta a mim por meu pai, mesmo de longe.

Além de ter se tornado o amor da minha vida, Clarice também era uma grande amiga, ouvindo sempre meus desabafos e me consolando todas às vezes, dando-me a força necessária para me manter firme.

Quando terminei o curso, minha intenção era pedir a mão dela em casamento, pois como os pais de Clarice eram importantes banqueiros em Nápoles, eu sabia que meu pai iria gostar muito de uma aliança como aquela com os Provenzano. Todavia, descobrimos que nossos pais já se conheciam e tinham feito uma aliança que envolvia casar Clarice com Tony.

Como sempre, meu irmão mais novo iria me tirar mais uma coisa nessa vida.

Foi doloroso ver a mulher que eu amava se casar com outro homem, ali na minha frente, sem eu poder fazer nada. Principalmente, porque eles iriam morar sob o mesmo teto que eu, por conta da tradição onde a esposa vai morar na casa dos sogros com o marido.

Mas, nosso amor persistiu e sempre que havia uma oportunidade, Clarice e eu dávamos um jeito de nos encontrarmos ali, naquele discreto hotel em Terrasini, a apenas 40 minutos de Palermo, onde passávamos horas juntos como um casal, vivendo o amor que nos tinha sido roubado a expressar abertamente.

Então houve o anúncio do meu casamento arranjado com uma das filhas de Tomazzo Lansky. Combinamos de que iríamos seguir com nosso caso, colocando o nosso amor acima de qualquer negócio matrimonial lucrativo e cruel imposto a nós.

Entretanto, quando comecei a sair com a gêmea errada do acordo, pouco a pouco meu coração começou a se dividir. Ao contrário do meu irmão, que sempre roubava as coisas de mim e era o preferido de todos ao nosso redor, Corinne era uma menina gentil e altruísta demais para eu ter que partir seu coração daquele jeito.

Por muitas vezes, eu confesso, que tentei me convencer de que não estava me apaixonando por ela, que seguiria com meu caso com Clarice após o meu casamento, mas Corinne tinha conseguido entrar de um jeito tão arrebatador e intenso em meu coração e se instalado ali, que eu não conseguia mais negar.

Agora meu amor se encontrava dividido entre 2 mulheres, mas eu só poderia escolher uma delas e, mesmo que essa escolha me machucasse também, eu escolheria a Corinne.

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