Capítulo 6
"Uhhh, o que é um boquete?" Angela perguntou, suas sobrancelhas franzidas em confusão enquanto olhava para Leo, que estava com um sorriso malicioso. No momento em que aquelas palavras saíram da boca dela, o sorriso dele desapareceu e seu rosto se contorceu em choque, diversão e confusão, mas, acima de tudo, ele estava chocado.
"Espera um pouco... Você não sabe o que é um boquete?" Ele perguntou com uma sobrancelha levantada.
"Bem, é um trabalho, eu acho," ela disse, sem entender, suas sobrancelhas arqueadas em confusão.
"Você só pode estar brincando, você tem 17 anos e não sabe o que é um boquete!" Ele exclamou, levantando a mão no ar.
"É um grande problema não saber?" Ela perguntou, levantando-se.
"Claro que é," Leo disse, fazendo uma cara de 'você está falando sério?'
"Oh, então o que é?" Angela perguntou, olhando diretamente nos olhos dele.
"Bem, o que você não sabe não te machuca, coelhinha," ele disse, voltando para o carro.
"Ei, Leo!" Ela chamou, andando rápido para alcançá-lo. Leo não parou e continuou se movendo em direção ao carro.
"Ei," Angela disse, puxando-o pelo antebraço.
"Você não respondeu minha pergunta," ela disse com um olhar frio.
"Eu não respondo a ninguém, coelhinha," ele disse, dando um tapinha na cabeça dela.
"Pare com isso," Angela murmurou entre dentes, com uma expressão de desgosto.
"O que você disse, cachorrinha?" Leo perguntou, colocando as mãos nos bolsos.
"Nada," Angela respondeu rispidamente.
"É melhor ser nada, ou então..." Leo disse, lambendo o lábio inferior de forma lasciva.
'Nem pense nisso,' Angela disse para si mesma, com um olhar frio no rosto.
"Posso ir agora?" Angela disse entre dentes.
"Eu não respondo a ninguém, e achei que já tinha te dito isso antes," Leo sorriu.
"Desculpa," Angela disse, inclinando a cabeça levemente em uma falsa reverência.
"Isso é bom," Leo deu um tapinha na cabeça dela e entrou no carro.
"Ufa," Angela suspirou, limpando a testa com o dorso da mão.
"Isso foi por pouco," ela disse para si mesma.
A jornada para casa foi cheia de pensamentos. Ela se perguntava por que Leo tinha pedido um boquete, algo que ela ainda não sabia o significado. O desgraçado a arrastou para fora da escola até uma floresta só para deixá-la lá e ir embora, literalmente. Ela estava tão irritada e perdida em seus pensamentos que, sem querer, esbarrou em sua amiga, Debbie.
"Uau! Angela, um centavo pelos seus pensamentos," Debbie disse com um sorriso suave.
"Debbie?" Angela perguntou surpresa, não esperava vê-la por ali.
"Então, você não me notou chegando. Achei que fosse uma das suas pegadinhas," ela disse com as sobrancelhas levantadas.
"Não, eu estava distraída," Angela disse, olhando para suas mãos.
"O que você está pensando?" Debbie perguntou.
"Nada," Angela disse, forçando um sorriso. Ela se perguntava se poderia perguntar a Debbie sobre o que Leo tinha pedido para ela fazer. Ela estava realmente curiosa e se sentia estranha por não saber o que era um boquete.
"Mas, posso te fazer uma pergunta?" Ela disse com um sorriso tenso no rosto.
"Pode falar." Debbie disse, caminhando ao lado de Angela enquanto iam para casa.
"O que é um... um... um... bo... bo... boquete?" Angela disse gaguejando.
"Boquete?" Debbie perguntou para confirmar o que tinha ouvido.
"Sim." Angela confirmou timidamente.
'Será que eu disse algo errado?' ela se perguntou internamente. Debbie explodiu em uma gargalhada, segurando a barriga, lágrimas escorrendo dos olhos de tanto rir.
"O quê?" Angela perguntou, corada.
"É por isso que eu disse... (risos) que você deveria ouvir minhas dicas de sexo." Debbie disse entre risos.
Angela se sentiu envergonhada, desejando nunca ter perguntado sobre isso. Seu rosto se contorceu de raiva enquanto ela se afastava, andando mais rápido com as mãos fechadas em punhos.
"Espera." Debbie chamou. "Espera por mim, desculpa por rir de você." Debbie disse e puxou o braço dela.
Angela se virou, irritada.
"Eu te perguntei algo, e ao invés de responder, você riu de mim."
"Desculpa, mas é meio engraçado." Debbie disse, apertando o rosto. Ela estava tentando segurar o riso, mas acabou explodindo em gargalhadas novamente.
Angela olhou para ela, confusa. Ela também começou a rir, porque o jeito de Debbie rir era engraçado.
Depois de três minutos de risadas incontroláveis, as duas amigas finalmente pararam e continuaram o caminho.
"Eu realmente não sei por que me juntei a você," Angela resmungou com um olhar irritado.
"Bem, minha risada é bem contagiante," Debbie disse, mexendo as sobrancelhas.
"Eu fiz uma pergunta," Angela lembrou.
"Você não precisa saber. Você ainda é jovem," Debbie disse, bagunçando o cabelo dela.
"Pare com isso," Angela franziu a testa.
"Ok, avelã."
"Então, por que você está aqui?" Angela perguntou.
"Depois de levar o Gene ao hospital, voltei para a escola, mas me disseram que você tinha ido para casa."
"Ah," Angela disse com um sorriso tenso.
Depois de sete minutos caminhando, as duas garotas chegaram em casa e foram direto para o quarto.
"Então, por que você perguntou o significado de boquete?" Debbie perguntou, pulando na cama.
"Nada," Angela respondeu.
"Você sabe que eu não aceito 'NÃO' como resposta."
"Ok," Angela disse.
"Por que essa cara triste?"
"Debbie, devo te contar a verdade?" Angela disse, chorando baixinho. "O Leo está tornando minha vida difícil, ele está me intimidando. Eu o odeio."
"Pare de chorar, querida," Debbie disse, enxugando suas lágrimas.
"Hoje, ele literalmente me sequestrou e pediu um boquete."
"O quê!" Os olhos de Debbie quase saltaram das órbitas.
"Sim, eu juro que foi isso que aconteceu comigo."
"Desculpa, eu não sabia que isso estava acontecendo com você," Debbie disse com um olhar de desculpas.
"Obrigada," Angela disse.
POV de Angela
Eu contei a ela tudo o que Leo tem feito comigo e ela ficou com pena.
Ela me aconselhou sobre o que fazer. Decidi erguer os ombros e ignorar o Leo amanhã.
"O que vamos comer, sua alteza?" Debbie perguntou, fazendo uma reverência de brincadeira.
"Macarrão com almôndegas seria bom, senhora."
"Ok, macarrão com almôndegas vindo já." Debbie disse e correu para a cozinha para preparar o jantar.
Sentei-me à mesa de jantar pensando no que Debbie disse.
"Não deixe ele te intimidar," ela tinha dito. "Se ele continuar assim e você não conseguir pará-lo, ele pode acabar te estuprando."
Fiquei apavorada com suas palavras. Me senti machucada, solitária, ansiosa, eu não era mais eu mesma. A entrada de Leo na minha vida foi cheia de problemas. Não tive outra escolha a não ser seguir o conselho de Debbie, então decidi fazer isso.
Angela entrou na escola parecendo um rato de rua; ela não dormiu nada e passou o dia todo preguiçosa. Seu cabelo estava preso em um coque bagunçado, ela estava vestida com uma saia de tênis e um moletom, sem maquiagem e suas sardas à mostra. Sua mochila pendia frouxamente nas costas enquanto ela caminhava pelo corredor da escola. Ela gemeu levemente ao caminhar até seu armário, batendo a cabeça nele e fechando os olhos por um momento para tentar descansar, mas foi interrompida por um tapa em sua bunda que ecoou pelos corredores.
Leo agarrou a cintura de Angela, virando-a rudemente. Ele colocou as mãos ao lado dela, prendendo-a enquanto olhava em seus olhos.
"Le... Leo, o que você está fazendo?" ela gaguejou, olhando para todos os lugares, menos para ele.
"Olhe para mim, Angela," Leo disse, colocando as mechas de cabelo que estavam no rosto dela atrás da orelha. Angela não olhou para ele, em vez disso, olhou para trás dele.
"Por que você não olha para mim, coelhinha?" Ele perguntou com uma voz suave, olhando para ela.
"Porque eu não quero olhar para esses olhos nojentos seus," ela disse, dobrando e desdobrando as mãos.
"Eu sou tão ruim assim que você não consegue nem me olhar?" Ele perguntou com uma voz amarga.
"Claro que é. Você bateu na Gene só porque ela me defendeu, você me torturou a vida toda, me intimidou, me fez sentir como um lixo, você assombrou minha infância, Leo, e agora está me perguntando se você é tão ruim assim," Angela desabafou, soltando um riso irônico na última frase.
"Você é inacreditável, provavelmente não, você não é só ruim, você é o pior de todos!" Ela exclamou, olhando para ele com um olhar gelado.
"Mas eu sinto muito por tudo," ele disse, pegando as mãos dela.
"Hã? Você está arrependido?" Angela disse com os olhos arregalados.
"Sim, coelhinha, eu realmente sinto muito por tudo que te causei, todas as dores. Quero corrigir todos os meus erros," ele disse com um sorriso doce.
Angela rapidamente afastou a mão dele com um olhar frio.
"Compensar pelos seus erros? O que isso vai fazer? Mudar minhas memórias horríveis da infância? Hein? Você é tão nojento," Angela cuspiu.
Leo sorriu amplamente, abandonando seu ato de remorso. Ele queria ver se ela ainda se lembrava de tudo o que ele fez com ela, e ela ainda se lembrava.
"Vejo que você está mais esperta do que antes. Da última vez, você caiu na minha, mas desta vez parece que ficou mais sábia."
"Você achou que eu realmente viria me desculpar com você? Eu nunca faria isso. Fico feliz que você tenha evoluído e usado seu cérebro pela primeira vez," Leo disse, dando um tapa na cabeça dela.
"É melhor você se preparar para a aula, coelhinha. O sinal vai tocar em breve," ele disse, saindo.
O som estridente do sinal da escola ecoou pelas paredes, indicando o fim das aulas. Todos arrumaram suas mochilas e saíram da sala, indo para seus diversos destinos. Angela arrumou suas coisas e se preparou para sair. Ela pendurou a mochila frouxamente em um ombro enquanto saía pelas portas da escola. Ela não estava indo para casa; ao virar uma esquina, indo mais fundo na floresta, ela buscava paz e tranquilidade, e que outro lugar melhor para encontrar isso senão na própria natureza?
Já era pôr do sol quando ela caminhava mais fundo na floresta, procurando seu lugar favorito. O sol lançava raios de laranja e rosa no céu, que se refletiam na terra. O pôr do sol chegava às terras altas como poesia divina, tons de chama a urze contados em versos suaves. Ele florescia nas nuvens como o doce trevo selvagem. O sol poente chegava ao horizonte como um coração tranquilo, como se o próprio céu pudesse falar de amor. Com um floreio de mão romântica, o pôr do sol florescia em vermelho e dourado.
O laranja dourado se estendia longe e amplamente, a cor de lareiras e tangerinas. Era apenas o reflexo do amanhecer, a promessa do sol nascente que vem depois que a noite aveludada teve sua vez e a terra descansou mais uma vez. O sol se punha no céu como cores frescas pinceladas na tela de um artista, como se aqueles raios estivessem destinados a criar uma grande obra de arte - uma dada àqueles abertos a capturar momentos simples na alma.
Angela olhou para o céu com um sorriso suave no rosto, seu coração se sentia em paz enquanto seus músculos se esticavam. A natureza sempre foi sua fonte de calma, ela amava tudo sobre ela: o jeito que as árvores se submetiam à força do vento, fazendo sons doces e melodiosos com seu farfalhar, os sons que o vento fazia quando ganhava velocidade, o cheiro doce e fresco da terra sempre que estava prestes a chover, a sensação de se molhar pela natureza, as cores bonitas das flores. Ela estava apaixonada pela natureza e sabia disso.
Ela respirou fundo, tomando um fôlego calmo, fechou os olhos pronta para bloquear tudo, mas seus planos foram interrompidos por um farfalhar nos arbustos.
