Capítulo 5 Capítulo 5 - O Toque da Lua

Uma semana depois do anúncio, o dia do acasalamento chegou.

A propriedade da Coração Lunar estava cheia desde cedo. Guerreiros, Betas, ômegas, famílias antigas e representantes de alcateias aliadas ocupavam o grande espaço diante do altar.

Atrás dele, as bandeiras da Coração Lunar e da Lua de Prata estavam lado a lado, balançando com o vento leve da manhã.

Serena observava tudo da entrada. Para ela, aquilo precisava ser tratado como política. Nada além disso. Mason se aproximou e ajeitou uma pequena mecha dos cabelos brancos da filha.

— Está linda.

Serena soltou o ar devagar.

— Isso muda alguma coisa, mãe?

Mason sorriu de leve.

— Não.

— Então podemos pular essa parte.

Derek, que estava ao lado, soltou uma risada.

— Continua irritada.

Serena olhou para ele.

— Eu vou me acasalar com um homem que vocês escolheram sem me perguntar. O que esperavam? Que eu estivesse cantando?

Derek perdeu parte do sorriso.

— Esperava que pelo menos estivesse respirando.

— Estou tentando.

Safira permanecia inquieta dentro dela. Muito inquieta. Serena sentia a loba andando de um lado para o outro em sua mente, como se alguma coisa estivesse prestes a acontecer.

— O que foi? — Safira não respondeu. — Não começa de novo.

A loba finalmente falou:

— "Só continue andando."

Serena franziu a testa.

— Isso não ajudou em nada.

A música começou. As conversas diminuíram. Serena olhou para frente. E viu Eron. Ele estava diante do altar.

Vestia roupas formais da Coração Lunar, em tons escuros com detalhes prateados. Os cabelos brancos estavam penteados para trás, mas algumas mechas insistiam em cair perto da testa.

E os olhos azul-gelo estavam nela. Serena sentiu o estômago apertar. Safira falou imediatamente:

— "Bonito."

— Agora não.

— "Muito bonito."

— Safira.

— "Estou apenas observando."

Serena começou a caminhar. A cada passo, centenas de olhos acompanhavam. Ela ergueu o queixo. Não daria a ninguém o prazer de vê-la nervosa.

Quando chegou ao altar, Eron estendeu a mão. Era parte do ritual. Serena olhou para ela. E percebeu algo estranho. Nunca havia tocado nele. Nem uma vez. Tinham conversado. Discutido. Ficado próximos. Mas nunca se tocaram.

Safira se levantou dentro dela.

— "Serena."

Ela respirou fundo.

— Agora não.

— "Toque nele."

Serena quase revirou os olhos.

— Eu sei como funciona o ritual.

— "Toque."

Havia algo diferente na voz da loba. Serena ficou séria. Então colocou a mão na de Eron. No mesmo instante, uma força atravessou seu corpo. Serena puxou o ar.

O calor começou na palma da mão. Subiu pelo braço. Atingiu o peito. E então explodiu. Dois fios apareceram.

Um dourado.

Um prateado.

Serena arregalou os olhos. Os fios se enrolaram primeiro nas mãos dos dois. Depois começaram a subir pelos pulsos. Braços. Como se estivessem vivos.

As alcateias ficaram em silêncio. Serena mal percebeu. Só conseguia olhar para aquilo. Eron não parecia assustado. Nem surpreso. Ele sorriu.

Aquele maldito sorriso de lado.

Serena ergueu os olhos devagar.

— Você sabia.

Eron apertou delicadamente a mão dela.

— Sabia.

O coração de Serena bateu mais forte.

— Desde quando?

Eron sustentou o olhar.

— Desde que eu tinha dez anos.

Serena ficou imóvel.

— Dez?

— Sim.

— Você está dizendo que sabia disso desde criança?

— Estou.

Safira explodiu dentro da mente dela.

— "COMPANHEIRO!"

Serena fechou os olhos por um segundo.

— Nem começa.

— "É ELE!"

— Safira.

— "NOSSO COMPANHEIRO!"

Serena respirou fundo.

— Cala esse focinho.

A loba começou a rir. Serena abriu os olhos. Eron estava observando sua expressão.

— Sua loba acabou de descobrir?

Ela fechou a cara.

— Não é da sua conta.

Eron quase riu. Dentro da mente dele, Enok falou:

— "Ela gostou de nós."

Eron respondeu mentalmente:

— Não parece.

— "A loba gostou."

Eron olhou para Serena.

— Já é um começo.

Ela estreitou os olhos.

— O que foi?

— Nada.

— Você está com essa cara.

— Que cara?

— A mesma cara irritante de sempre.

Eron sorriu.

— Então estou normal.

O responsável pela cerimônia pigarreou discretamente. Os dois perceberam que todos ainda estavam esperando. Serena ficou séria novamente.

O ritual continuou. As palavras formais foram pronunciadas. Promessas de proteção entre as duas alcateias. Respeito. Lealdade. Força.

Serena repetiu tudo. Mas sua cabeça estava em outro lugar.

Companheiro.

A palavra não parava de voltar. Aquilo mudava tudo. Se Eron fosse apenas parte de um acordo político, Serena sabia exatamente o que fazer. Cumpriria seu papel. Governaria ao lado dele. Dormiria em outro quarto. Manteria distância.

Mas um companheiro era diferente. Muito diferente. Safira não parava de sentir Enok. Serena também sentia alguma coisa. Uma presença. Um puxão.

Como se, pela primeira vez, o corpo dela reconhecesse algo que a mente ainda não aceitava.

— "Ele é nosso."

Serena respondeu mentalmente:

— Não.

— "É."

— Ele é meu marido político.

Safira riu.

— "Pode continuar mentindo."

Serena apertou os dentes.

— Você passou dias escondendo isso de mim. — A loba ficou calada. — Então você sabia.

— "Eu sentia alguma coisa."

— E não me contou.

— "Você não acreditaria."

Serena quase perdeu a concentração. Eron percebeu.

— Está tudo bem?

Ela olhou para ele.

— Perfeitamente.

— Isso parece mentira.

— Sua regra começou cedo demais.

O canto da boca de Eron subiu.

— Eu avisei.

A cerimônia continuou. Quando chegou a parte em que os dois precisavam ficar frente a frente, Serena sentiu os fios brilharem novamente.

Agora estavam enrolados nos dois. Dourado e prateado. Misturados. Fortes. Eron olhou para eles. Depois para Serena. Ela aproximou o rosto apenas o suficiente para que somente ele escutasse.

— Isso não muda nada.

Eron ergueu uma sobrancelha.

— Não?

— Não. — Serena manteve o queixo erguido. — Continuo querendo quartos separados.

— Certo.

— Continuo não querendo filhos.

— Eu lembro.

— E isso não significa que vou me apaixonar por você.

Eron ficou olhando por alguns segundos. Serena esperava que ele discutisse. Provocasse. Talvez dissesse que a Deusa já tinha decidido. Mas ele apenas sorriu.

— Tudo bem.

Serena ficou imediatamente desconfiada.

— Por que está sorrindo?

— Porque você acabou de me dar três desafios.

Ela franziu a testa.

— Não são desafios.

— Para mim são.

— Eron.

— Serena.

— Eu estou falando sério.

— Eu também.

Ela apertou os olhos.

— Você é insuportável.

— Ainda nem comecei.

Eron aproximou o rosto um pouco. Não o suficiente para tocar. Apenas o bastante para que ninguém além dela escutasse.

— E eu sou um homem muito paciente, minha Luna.

Serena sentiu a irritação subir imediatamente.

— Eu não sou sua Luna.

Os fios dourado e prateado brilharam de repente. Mais forte. A luz envolveu as mãos dos dois e subiu novamente pelos braços. Alguns convidados começaram a sussurrar. Eron olhou para os fios. Depois voltou para Serena.

— Parece que a Lua discorda de você.

Ela fechou a expressão.

— Não me provoque.

— Não estou provocando.

— Está sorrindo.

— É difícil não sorrir.

Serena aproximou o rosto.

— Eu não vou mudar de ideia só porque apareceram algumas luzes.

Eron sustentou o olhar.

— Eu não espero que mude hoje.

— Nem amanhã.

— Tudo bem.

— Nem daqui a um ano.

Ele sorriu ainda mais.

— Eu disse que sou paciente.

Serena soltou o ar pelo nariz. Safira estava praticamente se divertindo.

— "Eu gosto dele."

— Você já deixou isso claro.

— "Enok também gosta de mim."

Serena ficou surpresa.

— Como você sabe?

A loba ficou satisfeita.

— "Eu sinto."

Serena engoliu em seco. Aquilo era novo. Muito novo. Ela olhou para Eron. Talvez ele também sentisse Enok. Talvez soubesse muito mais sobre aquele vínculo do que ela.

A cerimônia chegou ao fim. Os aplausos começaram. Centenas de lobos comemoraram. Serena ouviu seu nome junto ao de Eron.

Duas alcateias.

Dois líderes.

Uma união.

Mas agora ela sabia que não era apenas isso. A Deusa da Lua tinha colocado alguma coisa entre eles muito antes do contrato. Muito antes daquela cerimônia.

Talvez antes mesmo que Serena pudesse entender o próprio nome. Eron ofereceu o braço para que descessem juntos do altar.

Serena olhou.

— Isso também faz parte do ritual?

— Não.

— Então por quê?

— Educação.

Ela quase recusou. Quase. Mas colocou a mão em seu braço. O vínculo reagiu com um pequeno calor. Serena fechou os olhos por um instante. Safira riu.

— "Vai ser divertido."

Serena respondeu:

— Para vlocê.

A loba parecia satisfeita.

— "Para nós."

Serena abriu os olhos. Eron estava olhando para ela novamente. Aquele sorriso de lado apareceu.

E foi ali, diante das duas alcateias e com a Deusa da Lua praticamente rindo da sua teimosia, que Serena entendeu o tamanho do problema em que tinha acabado de entrar.

Eron Niversoon não era apenas o homem escolhido por suas famílias.

Era seu companheiro.

E aquilo seria muito mais difícil de ignorar.

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