Capítulo 4

POV do Caspar:

O toque estridente do meu telefone cortou o silêncio da manhã.

Abri os olhos grogue, uma dor aguda atravessando minhas têmporas.

Tateando a mesa de cabeceira, peguei o telefone e vi "Dorothy" piscando na tela.

Droga. Franzi a testa, o desconforto da noite anterior ainda persistia.

Respirei fundo e atendi.

"Querido, finalmente atendeu." A voz da vovó Dorothy era calorosa, mas firme. "Queria perguntar quando você terá tempo para encontrar a Sra. Bailey?"

"Qual Sra. Bailey?" Pisquei confuso, meu cérebro ainda estava uma bagunça.

Um suspiro exasperado veio pela linha. "Sua esposa, Caspar. Meu Deus, como você pode esquecer de novo?"

Esposa? A palavra me despertou, limpando instantaneamente a névoa mental.

Meus pensamentos involuntariamente voltaram quatro anos atrás, àquela tarde sombria na nossa propriedade em Long Island.

O avô estava deitado na cama do hospital, magro e frágil, mas seus olhos ainda brilhavam com esperança.

"Caspar, meu maior arrependimento é não vê-lo casado e estabelecido..." O avô disse com grande dificuldade, cada palavra parecia drenar o pouco de força que lhe restava.

Eu sou firmemente contra o casamento, e meu avô sempre desaprovou essa postura.

Para cumprir seu último desejo, eu concordei a contragosto.

A vovó Dorothy, entre a cruz e a espada, finalmente encontrou uma solução engenhosa.

Para proteger minha identidade, ela usou meu pouco conhecido sobrenome materno 'Samuel West' para arranjar uma aliança matrimonial com a família Bailey, que estava passando por uma crise financeira na época.

Segundo Dorothy, ela fez sua pesquisa—os Baileys tinham apenas uma filha biológica que era virtuosa e bonita. Ela me deixou uma margem para arrependimento, embora eu não achasse necessário.

Assim, a família Bailey não saberia minha identidade.

Eu não seria perturbado, e a família Bailey também receberia financiamento e recursos adequados. Foi uma troca justa.

Passei tranquilamente vários anos assim, mas recentemente a vovó começou a me pressionar para encontrar essa esposa que eu nunca tinha visto.

Eu sabia que era por causa da presença de Noah na minha vida agora, e ele precisava de uma mãe.

"Vou fazer os arranjos, Vovó." Respondi secamente, esperando acabar com essa conversa desagradável.

"Não demore mais, Caspar. O período do contrato está quase acabando—você deveria pelo menos conhecê-la uma vez." O tom de Dorothy não admitia discussão.

"Vou cuidar disso."

Terminei a ligação, esfregando as têmporas enquanto me lembrava da situação no hotel na noite anterior.

Os efeitos colaterais do meu envenenamento anterior tinham surgido de repente, me forçando a mudar para uma suíte tranquila para descansar.

Depois de tomar minha medicação especializada, minha consciência ficou turva, me deixando num estado de meio acordado, meio sonhando.

Fechei os olhos, relembrando mais uma vez aquela noite louca de cinco anos atrás, aquela garota cujo rosto eu nunca consegui ver direito, mas que enlouquecia meu corpo.

Curiosamente, o sonho da noite passada parecia mais real do que qualquer outro, como se ela estivesse bem ali ao meu lado, ao alcance das mãos.

Eu quase podia sentir os dedos dela traçando caminhos pela minha pele, o sussurro da respiração dela contra meu pescoço.

Imagens invadiram minha mente sem permissão—membros entrelaçados, respirações compartilhadas e a sensação inebriante de dois corpos se movendo como um só.

Balancei a cabeça bruscamente, tentando afastar as memórias vívidas.

Talvez eu estivesse há muito tempo sem liberar a tensão física, e minha mente estivesse pregando peças em mim.

Mas no momento seguinte, quando minha visão periférica captou o que estava na mesinha de cabeceira, eu congelei.

O bilhete. O dinheiro. Tenho certeza de que não havia nada disso na noite passada.

Agora eu estava completamente acordado, pegando o bilhete que dizia "Aqui está sua gorjeta. Desculpe, só tenho isso comigo" em uma caligrafia elegante e carregada de sarcasmo.

Ao lado, estava uma nota de cem dólares, novinha.

Isso não era um sonho. A realização me atingiu como um trem de carga—alguém realmente entrou no meu quarto na noite passada.

Minha expressão escureceu instantaneamente, um brilho frio passou pelos meus olhos.

Peguei meu telefone e liguei para meu assistente pessoal, James, então ordenei friamente.

"Investigue a mulher que entrou no meu quarto na noite passada. Quero respostas, agora."

Menos de cinco minutos depois, James ligou de volta para me informar que o sistema de vigilância do hotel estava em manutenção nos últimos dias, e a equipe do hotel não podia fornecer nenhuma informação útil.

Olhei para o bilhete e o dinheiro na mesinha de cabeceira, um sorriso frio se formando nos meus lábios.

Isso era conveniente demais para ser coincidência.

Uma humilhação tão deliberada não ficaria sem resposta—eu encontraria essa mulher e garantiria que ela pagasse caro pela brincadeira.

"Senhor, o senhor ainda vai à reunião da tarde?" James perguntou cautelosamente.

"Continue conforme o planejado," respondi friamente. "Esteja lá embaixo para me buscar em dez minutos."

Sentado no sedã de luxo a caminho da minha reunião de negócios, processei calmamente os e-mails, tentando afastar as imagens da noite passada da minha mente.

De repente, meu telefone tocou—o nome do meu mordomo Edward apareceu na tela.

"Sr. Thornton," a voz de Edward soou, tensa e ofegante. "Noah está desaparecido. Não conseguimos encontrá-lo em lugar nenhum."

Meu sangue gelou. "Desaparecido? Desde quando?"

"Ele foi à aula regular na galeria esta manhã, senhor," Edward explicou, a voz apertada de preocupação.

"Durante o intervalo, a equipe notou que ele não estava lá. Eles procuraram em todo o prédio. Ele simplesmente... desapareceu durante o intervalo de quinze minutos."

Enquanto Edward explicava a situação, minha compostura se desfez. Virei-me imediatamente para James.

"Cancele tudo. Reserve o próximo voo para Nova York. Agora."

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