Capítulo 2: O que ela era agora
Sete anos depois…
“E você acha que está escapulindo pra onde?” A voz de Selene arranhou o quarto, indesejada como sempre. “O quê, vai de novo suspirar por aquele apodrecido favorito?”
Vanya nem se deu ao trabalho de virar, as mãos ainda mexendo nos cadarços das botas. “Preciso te lembrar que o Killian era um problema seu pra resolver? Só que ele era esperto demais, escorregadio demais — palavras suas, não minhas. Aí o pai jogou ele pra cima de mim. Que sorte, né?”
“Ah, uau, agora tá de intimidade com o apodrecido, chamando pelo primeiro nome? Que fofura”, Selene cantarolou, encostada no batente da porta com um sorrisinho que implorava pra levar um tapa.
Vanya revirou os olhos. “Não tenho tempo pras suas besteiras, Selene. Surpreendente, eu sei — tenho trabalho de verdade pra fazer.”
“A comitiva do Lorde Alaric chega daqui a três dias. Você acha que vai conseguir tirar esse fedor de apodrecido de você até lá, querida irmã adotiva?”
Aí estava — adotiva. A palavra acertou como farpa embaixo da unha. Vanya odiava aquilo, odiava como Selene pendurava o passado dela na frente, como provocação.
Ela se endireitou, encontrando o olhar presunçoso de Selene no espelho. “Eu tenho um nome, Selene. Vanya. Um que seu pai — nosso pai — escolheu.”
A família de verdade dela tinha sumido fazia anos. Vanya gostava de fingir que tinha esquecido o passado, mas ele ainda assombrava os sonhos dela. O que mais surpreendia Vanya era o quanto ela tinha conseguido se manter firme. Se não fosse a cicatriz no antebraço, talvez ela se convencesse de que perdê-los não tinha passado de um pesadelo cruel.
O sorrisinho de Selene não cedeu. “Ops, minha língua escapou de novo. Foi mal, Vanya.”
Oito anos depois, e Vanya ainda se sentia como um casaco passado adiante — pinicando, duro, nunca totalmente dela. Mas ela não podia se culpar por isso. Por dezesseis anos, ela tinha sido Jenny. Jenny Duff. Mas depois daquela noite — a tempestade, o rio, os caçadores arrastando ela, meio morta, pra fora dos Hollows — ela tinha sido refeita. Renascida como Vanya Reed, filha adotiva de Randall e Celeste, uma caçadora rebelde.
“Vanya, você tá aí?” A voz de Ares cortou o devaneio dela.
“Ela tá bem aqui”, Selene trinou, se intrometendo. Desde que Vanya se entendia por gente, a meia-irmã babava pelo zeta da alcateia como um cachorrinho apaixonado.
“Aí está você”, Ares disse, parando na porta. Os olhos dele se prenderam nos de Vanya, avaliando-a rápido. “Preciso falar com você.”
“Que foi?” ela perguntou, mantendo o tom neutro.
“No meu escritório.”
“Eu já estava saindo. O Lachlan e os outros já estão—”
Ele a interrompeu com a mão erguida, palma aberta como uma placa de pare. “Meu escritório. Agora.” E se virou, saindo a passos duros, sem deixar espaço pra discussão.
Selene se voltou pra ela, aquele sorrisinho convencido colado no rosto. “Não se preocupa, irmã. Quando o Ares for o Alfa e eu for a Luna dele — se Deus quiser — eu vou garantir que você fique bem. Sabe, te mando pra algum lugar tranquilo, deixo você se aposentar mais cedo. Sem par, sem confusão, só paz e sossego.”
Vanya respondeu, impassível: “Ah, Selene, o que foi que eu fiz pra merecer uma alma tão generosa e tão atenciosa quanto você?”
O sorriso de Selene se abriu ainda mais, os olhos castanhos brilhando quando prenderam nos olhos verdes de Vanya. “Nasceu com sorte, eu acho. Vai lá agora — não vai querer deixar o Ares esperando.” Ela saiu desfilando, os saltos batendo na madeira como se fosse dona do lugar.
Por um instante, Vanya ficou ali, encarando o próprio reflexo no espelho. Camisa preta e calça de couro justa, cabelo preso, cicatrizes aparecendo. Sacudindo os fantasmas do passado, ela pegou as duas pistolas — Ebony e Ivory, feitas sob medida e mais legais do que ela jamais admitiria — em cima da mesa e disparou para fora do quarto, na direção do escritório de Ares.
Ares estava largado na cadeira quando ela entrou, curvado sobre uma planta aberta em cima da mesa. Ele ergueu o olhar, e os olhos dele se grudaram nela — predatórios, afiados, um tipo de olhar que parecia capaz de arrancar tinta de parede.
“Isso é sobre o quê?” Ela bancou a calma, ignorando o peso daquilo.
Ele não respondeu de imediato. Em vez disso, se ergueu da cadeira e fechou a distância entre os dois, os olhos azuis presos nela como se Vanya fosse a única coisa no cômodo. Ela abriu a boca pra repetir a pergunta, mas, antes que as palavras saíssem, ele já estava em cima dela — fazendo-a recuar até a coluna dela bater na estante com um baque surdo. Ele a encurralou, as mãos apoiadas de cada lado.
“O que é isso agora?”, ele repetiu, soltando uma risada baixa, incrédula. “Chuta, Vanya. O que você acha que tá passando pela minha cabeça neste exato momento?”
A cabeça dele tombou no ombro dela, os lábios perto demais do pescoço. Ela já conhecia esse roteiro.
“Deixa eu ver”, ela disse. “Me pegar e me socar contra essa estante, provavelmente?”
Ares deu um meio sorriso e segurou a cintura dela. “Você me conhece bem demais. Quase fico lisonjeado.” A boca dele caiu sobre a dela, e as mãos ásperas deslizaram para baixo até apertarem a bunda dela. O instinto falou mais alto — ela entreabriu os lábios, deixando a língua dele se enroscar na dela, sem hesitar.
Lachlan e os caçadores iam ficar pelo menos uns trinta minutos ali, sem nada pra fazer.
Os olhos dela se fecharam quando o beijo ficou mais intenso. Ares tinha esse jeito de fazê-la se sentir toda boba, toda quente por dentro, como uma adolescente apaixonada. Tinha sido ele quem tinha tirado a “inocência” dela alguns anos antes, e ela aprendeu rápido que aquilo não tinha abalado ela na época — e com certeza não abalava agora.
Ares era um homem entre garotos antes mesmo de fazer dezoito anos, o tipo de líder por quem mulheres babavam e homens invejavam. Nascido para lutar, nascido para comandar. Herói da matilha.
“Você não faz ideia de como essa roupa sua me deixa maluco”, ele murmurou contra os lábios dela, a voz áspera e baixa. As mãos dele seguiram a linha dos ombros dela, descendo até a curvatura da lombar, puxando-a firme contra ele. Ela conseguia sentir — duro e insistente — pressionando entre as coxas dela. Não tinha como confundir o que ele queria.
“Ares, os caçadores estão esperando”, Vanya murmurou, abrindo os olhos com esforço. “E você não tem aquela reunião com o seu pai?”
Mas Ares não cedeu. Em vez disso, as mãos dele acharam o zíper da blusa dela e desceram num puxão único e suave pelas costas, antes de puxarem a calça dela para baixo, passando pelos quadris. “Eles que esperem”, ele disse, enfiando dois dedos na boca.
“Ares.” Ela mordeu o lábio, já se preparando. Ela sabia exatamente aonde aquilo ia dar.
“O que é isso, hein?” A mão dele deslizou entre as coxas dela, afastando a calcinha sem a menor cerimônia. Ela arfou — seco, involuntário — quando os dedos úmidos dele roçaram nela, provocando o centro pulsante.
Era plena luz do dia, e lá estava ela, soltando um gemido baixo e carente, como uma idiota apaixonada.
“Merda”, ela sibilou, a cabeça tombando para trás enquanto ele continuava esfregando, e então enfiou os dedos nela. Os quadris dela deram um tranco forte contra a mão dele. “Eu tenho que — ah — ir — ah — agora.”
“Relaxa. A gente faz rapidinho”, Ares disse, com aquele sorriso de canto como se estivesse se alimentando de cada contorção e de cada protesto — principalmente quando ela começou a se molhar ainda mais nos dedos dele.
“Trinta minutos não é rapidinho, seu imbecil”, ela retrucou, mas as mãos dela já estavam agarrando a jaqueta dele, puxando-o mais perto. “Eu tenho que ir.” A respiração dela falhou, virando arfadas curtas. Eles já tinham dançado essa dança umas cem vezes — ela sabia que “rápido” não fazia parte do vocabulário dele.
Ele soltou uma risada baixa, presunçosa, tirou a jaqueta e deixou cair no chão. “Dessa vez vai ser.” Antes que ela pudesse discutir, ele a ergueu e a colocou com força em cima de uma mesa ao lado de onde estavam, os papéis amassando sob o peso dela. Ela soltou uma risadinha meio animada, meio irritada, quando ele empurrou a blusa dela para cima, os lábios encontrando a pele clara que aparecia por cima do sutiã preto sem enfeite. Ele beijou ali, faminto e sem culpa.
“Eu tô pensando em te comer desde cedo”, ele murmurou, a voz áspera de desejo. “Minha língua tá coçando pra isso desde que eu abri os olhos.”
“Ah, não — não fala essas coisas quando a gente tá preso num rapidinho”, ela gemeu, já derretendo inteira. Ares falando sacanagem era a kriptonita dela — transformava o cérebro dela em mingau toda vez. Ele riu, sexy e irritante, mordiscando a clavícula dela antes de encostar um sorriso no pescoço dela.
“Sua língua pode se divertir mais tarde, hoje à noite”, Vanya rebateu, mesmo enquanto os dedos dela atrapalhados mexiam na fivela do cinto dele, abrindo com um estalo. Ela puxou a calça e a boxer dele de uma vez, deixando as duas deslizarem e ficarem amontoadas na altura da bunda dele.
“Pode apostar”, Ares gemeu, o som vibrando no peito dele no instante em que as mãos dela se fecharam ao redor dele. Ele bateu uma mão na mesa para se equilibrar, e com a outra afastou a calcinha dela como se não fosse nada. “Eu vou te fazer gozar tantas vezes que você vai perder a conta.” E então ele entrou nela, forte e de repente.
“Ah!” O suspiro de Vanya escapou, afiado e cru.
“Você não faz ideia do quanto eu gosto disso”, ele rosnou, com os olhos escuros e selvagens. “Você arqueando as costas, as pernas me prendendo, essas malditas botas de combate cravando na minha pele — quente pra caralho.”
“Ah, é?” ela arfou, mal conseguindo acompanhar.
“Pra caralho.” Ele já estava perdendo o controle. Uma rapidinha antes de ela sair correndo sempre acendia ele como fósforo em capim seco. O problema era que o escritório dele ficava a poucos passos da sala de reunião — berrar a plenos pulmões não era uma opção, por mais que os dois quisessem.
Ele apoiou as duas mãos na mesa, usando o peso do corpo pra se impulsionar e entrar nela mais fundo, mais forte. Ela gemeu o nome dele — não alto o bastante pra entregar os dois, mas o suficiente pra fazer os olhos dele brilharem com aquele prazer presunçoso de que ele vivia. Os dedos dela se enroscaram no cabelo castanho-escuro dele, puxando a boca dele pra dela num beijo bagunçado, desesperado. Então a mão dele deslizou entre os dois, tocando nela do jeito certo enquanto ele a penetrava sem parar, implacável. Ele queria fazê-la gozar rápido — e estava funcionando. Ela gemeu de novo, e ele mordeu o lábio inferior dela, afiado e provocador.
O orgasmo de Vanya atingiu ela como um trem — ela estremeceu, apertando em volta dele com um gemido rouco, engasgado. Ares não ficou muito atrás, se desfazendo num “Porra!” entre os dentes. Aí ele saiu, uma mão se masturbando enquanto a outra enfiava dois dedos nela, indo e vindo, até que, por fim, os dois chegaram ao clímax. Quando a ponta dele roçou o centro dela, ainda pulsando, ela deu um solavanco, tremendo com os espasmos.
“Para”, Vanya conseguiu dizer, a voz trêmula enquanto o calor passava. “Eu preciso mesmo ir, ou vão começar a desconfiar.”
Ares ainda não tinha encontrado a companheira dele — nenhuma surpresa. Ela nem tinha certeza se ele fazia questão de procurar. O que eles tinham era o segredinho deles, um acordo que tinham feito e mantido escondido. Por ter sido humana originalmente, Moira, a suposta conselheira espiritual do Alfa Callum, tinha dito a ela e a todo mundo envolvido que ela não podia ter um par, que só metamorfos nascidos assim recebiam da deusa da lua o dom de uma companhia pra vida toda.
Que se dane a Moira e a besteira da deusa da lua, Vanya tinha pensado na época. Ela não precisava de nenhuma casamenteira cósmica pra arrumar um cara — ela sempre se virou muito bem sozinha.
Ela disparou do escritório de Ares no segundo em que puxou a calça de volta, ainda fechando o zíper enquanto andava. Ares tentou convencer ela a ficar, deixar o Lachlan e os caçadores cuidarem dos Hollows sem ela. Mas ela tinha ralado pra caramba pra virar uma caçadora boa pra porra, e ninguém — nem ele — ia tirar ela do rumo agora.
“Mais tarde”, ela jogou por cima do ombro com um sorriso rápido, malandro, e sumiu.
A pior parte daquele caso escondido era ter que esfregar o cheiro dele da pele como se fosse cena de crime. Não dava pra arriscar a matilha sentindo ele nela — fofoca se espalhava mais rápido que pulga no bando. Então ela correu pro quarto, entrou no chuveiro e lavou ele embora em tempo recorde.
Quando se encontrou com o grupo, ela estava limpinha, pronta pra ação.
“Você pega o leste, Vanya”, Lachlan mandou quando chegaram à entrada da Floresta dos Hollows. “Você e Rowan.”
“Eu dou conta sozinha”, ela disse, já se afastando antes que ele pudesse discutir. Lachlan era firme — ela respeitava ele como kappa deles —, mas ela preferia comer terra a fazer dupla. Ainda mais com Rowan. O cara não calava a boca nem se a vida dele dependesse disso, e metade do tempo era falando da Selene. Que poupem ela dessa tortura.
No meio da tarde, ela já tinha passado do trecho que Lachlan tinha designado, as botas esmagando o mato baixo. Continuou seguindo em frente, ouvidos atentos a qualquer sinal de problema — farfalhos, estalos, qualquer coisa fora do lugar.
Quando se aproximou da borda da floresta, o ar ficou estranho, pesado, carregado daquela sensação sinistra que fazia os pelos da nuca dela arrepiarem. Não era pra ser nada demais — ela era caçadora, e uma das boas, treinada pelo próprio Lachlan. Mesmo assim, alguma coisa parecia… errada.
Ela fechou os olhos, se concentrando, deixando os sentidos se esticarem. Então — um som. Passos, suaves demais, furtivos demais pra qualquer humano desajeitado conseguir. Ela virou a cabeça num golpe, e ele estava lá — bem atrás dela…
“Killian”, ela murmurou, o nome escapando como uma praga. Havia três meses que ela perseguia aquele desgraçado escorregadio e, toda vez, ele dançava um passo fora do alcance.
Não hoje, pensou Vanya, prendendo o olhar no dele — azul-aço e perigoso. Grande erro. Aqueles olhos fisgaram ela como peixe no anzol, puxando-a pra baixo antes que ela conseguisse piscar. Ela ainda não conseguia acreditar que ele era capaz disso. Vampiros tinham essa sorte: olhos que hipnotizavam qualquer um. Não que eles realmente precisassem, porque ela ainda não tinha encontrado nenhum vampiro feioso pra cacete — nem mesmo os renegados ou os apodrecidos, como eles chamavam, com um certo carinho.
— Olá de novo, Ruiva. — A voz dele saiu baixa, um rosnado que desceu pela espinha dela e fez a pele arrepiar.
Ele se aproximou, e ela travou, plantada no lugar. Uma parte dela — algum canto idiota e imprudente — quase queria que ele se transformasse e a despedaçasse, acabasse com esse maldito jogo de uma vez. Mas não; como em todas as outras vezes, ele parou antes, perto o bastante pra respirar o cheiro dela, como se ela fosse um vinho raro que ele não resistia em apreciar.
Merda. Ela foi recuando, devagar e com cuidado, até a coluna bater num tronco. Encurralada. De novo.
— Parece que agora somos só nós dois — murmurou Killian, fechando a distância com aquele olhar firme, sem piscar, os lábios entreabertos só o suficiente pra mostrar uma pontinha de dentes. Ele apoiou as mãos de cada lado do rosto dela, aprisionando-a contra a casca da árvore. — Pronta pra continuar de onde a gente parou, Ruiva?
— Killian. — O cheiro dele atingiu ela — amadeirado, selvagem, perto demais — e os lábios dele roçaram perto dos dela, a um sopro de distância. Os olhos de Vanya se fecharam, e uma onda bagunçada de alguma coisa — medo, vontade, fúria — subiu, ameaçando afogá-la.
Ela agarrou o foco, o controle.
— Eu te perguntei antes e vou perguntar de novo — ele sussurrou rouco, com a voz carregada e provocadora, enquanto a boca dele agora roçava o pescoço dela. — Você me deixa te provar se eu deixar você colocar aquelas algemas em mim, Ruiva? — A zombaria pingava dele como mel.
— Só por cima do meu cadáver — ela rosnou, enfim juntando coragem suficiente pra empurrar. Vanya girou pra se soltar — e, de repente, ele não estava mais ali, arrancado à força.
— Ares — ela arfou, piscando com força quando a realidade despencou de volta.
Ares não perdeu tempo com conversa. Num movimento só, ele sacou uma faca e avançou, mirando direto no peito de Killian. Killian, porém, era liso demais — fingiu um golpe, atraindo Ares pra uma posição defensiva. Então, rápido como um piscar de olhos, ele agarrou Vanya e a arremessou em Ares como se ela fosse uma boneca de pano. Isso deu a ele tempo suficiente pra fugir.
— Porra! — Vanya gritou, se levantando às pressas, com a terra sujando a calça.
E pronto — Killian tinha sumido. De novo.
Ela puxou o ar, tentando pegar o cheiro dele, mas foi inútil. Nada. O desgraçado devia estar escondendo com algum troço impossível de rastrear — porque, caso contrário, ela já teria colocado algemas nele fazia tempo.
— Vanya, você tá bem? — perguntou Ares, o rosto numa mistura de preocupação e raiva.
— Eu tô caçando ele há meses, Ares. Então não, eu não tô bem com ele escapando por entre os meus dedos de novo — ela disparou.
— Eu tô falando de você. Você se machucou? — O tom dele amoleceu, mas os olhos ainda queimavam.
Ela bufou, a irritação transbordando. — Eu tinha ele. Eu tava tão perto — até você aparecer e estragar tudo.
— Ele podia ter te matado — Ares rebateu, chegando mais perto.
— Ou eu podia ter derrubado ele — ela gritou, sem se importar com quem ele era ou com a patente que ele achava que podia usar. Ela tinha estado ali, lutando com o próprio caos, e ele tinha detonando tudo bancando o herói.
— Não, Vanya. Ele tinha você na palma da mão — parada ali, com essa cara de boba, presa como uma idiota apaixonada! — Ares berrou, a voz escorregando da raiva pra algo mais azedo, um ciúme vazando pelas frestas.
— Você viu isso? — ela perguntou, estreitando os olhos.
— Vi. Eu vi.
— Então o que significa? Ele é um metamorfo, não um vampiro.
Ares balançou a cabeça, parecendo tão desnorteado quanto ela. — Vou ter que falar com meu pai. Isso não é normal. — Então ele a encarou com dureza. — E você? Acabou de caçar sozinha.
— O quê? Você não pode fazer isso — ela disse, incrédula.
Ele sorriu de canto, convencido pra caramba. — Posso, sim. E você sabe disso.
— Vai se ferrar — ela sibilou, veneno pingando das palavras.
Ele olhou em volta, pra mata vazia, e então abriu um sorriso torto. — Tem certeza que você quer que eu vá?
Ela fuzilou ele com o olhar, o calor subindo no peito, e deu meia-volta. — Idiota — resmungou, saindo a passos duros, deixando Ares ali parado com aquele sorriso besta.
