Capítulo 5: Visita à meia-noite
— “Deixa ela em paz, pai.”
— “Então tira essas suas patas dela, Ares. Eu não sou cego — eu sei o que vocês dois andam fazendo escondidos.”
— “Por que, do nada, isso virou sobre mim e ela?”
— “Porque, mais cedo ou mais tarde, você vai ter que largar ela, meu filho. Randall pode ter transformado ela, Lachlan pode ter lapidado ela até virar uma caçadora decente, mas ela não é uma de nós. Nunca vai ser. A deusa da lua devia estar cochilando quando juntou vocês dois. Se você marcar ela, vocês dois estão fora — banidos. Acabou.”
Banimento. A palavra ficou ecoando na cabeça de Vanya, grudada nos pensamentos, enquanto ela se largava contra o parapeito da varanda. A meia-noite tinha chegado de mansinho, e ela ainda ruminava a discussão aos gritos que tinha escutado mais cedo entre Ares e o pai dele, o Alfa Callum.
Ela nem tinha saído do quarto, mas o dia se arrastara como uma maratona sem linha de chegada. Amanhã prometia mais do mesmo, e ela sabia que precisava dormir. Só que não ia rolar — a mente dela era um emaranhado de frustração, preocupação e a bomba de que Ares era o companheiro dela.
O companheiro dela. Como diabos ele tinha escondido isso dela?
Praguejando com ele em silêncio, uma brisa gelada entrou, arrepiando seus braços nus. A camisola bege — mais um trapo triste e esvoaçante do que roupa de verdade — não ajudava em nada a aquecê-la. Mesmo assim, a ideia de se arrastar de volta para dentro, para a cama quentinha, parecia admitir derrota. Então ela ficou ali, repassando aquela maldita conversa pela enésima vez.
A voz de Alfa Callum, áspera e definitiva. Ares, na defensiva, respondendo atravessado. Pensar demais era a especialidade dela, mas, depois de alguns minutos, ela murmurou “Chega”, para ninguém em especial.
Ela lançou um último olhar para o céu — estrelas piscando como se soubessem de algo que ela não sabia — e então se arrastou para dentro, fechando a porta de vidro com um baque suave. Atravessou o quarto e se jogou na cama, estatelada de barriga para cima. O colchão rangeu sob ela enquanto Vanya forçava o ouvido, tentando captar algum rondar noturno do lado de fora da porta. Nada além de silêncio.
— Droga — resmungou, obrigando-se a respirar devagar, fundo. Dormir era o objetivo, mas seus nervos agitados estavam fazendo festa. Ela precisava dar um jeito de calar aquilo — rápido.
Vanya encarou o teto; as rachaduras pareciam encarar de volta, como se estivessem julgando. As mãos subiram, roçando os seios por baixo da camisola fina. Ela beliscou os mamilos com dois dedos, uma provocação preguiçosa que tinha virado seu jeito preferido de acordar os sentidos letárgicos. Era rotina, na verdade — acariciar do peito até a barriga, tirando o corpo daquele torpor. A mão direita desceu mais, roçando a pele em volta do estômago e dos quadris sob o tecido ralo.
— Ares… — ela murmurou, quase esperando que o quarto vazio respondesse. Inútil, mas fazia bem dizer o nome. Vanya levou a mão direita de volta para cima, provocando um mamilo de novo, enquanto a palma esquerda passeava pela virilha, pressionando a camisola. Devagar, com intenção, ela esfregou o indicador e o dedo do meio pelas dobras por baixo da calcinha.
— Ah, merda. — O choque veio rápido — o coração engatou, batendo forte como se estivesse atrasado para alguma coisa. O calor floresceu baixo no ventre, se espalhando enquanto ela estremecia, surpresa com a velocidade com que aquilo subiu. Ela puxou a mão esquerda para trás, arrastando os dedos pelo tecido úmido onde doía de vontade, e o atrito a fez se contrair.
Ela estava tensa, apertada, desejando as mãos de Ares em vez dos próprios substitutos desajeitados. A mão esquerda mergulhou de volta por baixo do elástico, fingindo que era ele — áspero, firme, dele. Ela deslizou os dedos pelo osso do púbis, roçando as dobras, os nervos zumbindo com uma excitação inquieta.
Naquela noite, ela estava ainda mais sensível, cortesia do caos ansioso que o dia tinha despejado em cima dela.
Um gemidinho escapou quando as pálpebras tremularam e se fecharam. Ela imaginou Ares no banho — a água escorrendo pela pele nua, pingando nos lugares certos. Seus dedos entraram nela, lentos e escorregadios, e ela imaginou a língua dele no lugar.
— Ah… merda. Ares… — a voz dela falhou, baixa e carente, perdida no escuro do quarto.
Vanya arqueou as costas, puxou os dedos melados para fora e passou a circular o clitóris com propósito. Com os olhos bem fechados, deixou a fantasia se desenrolar — Ares no banho, todo molhado, pegajoso, agarrando. Ela levou a mão livre ao seio, apertando do jeito que ele apertaria, bruto e guloso. Na cabeça dela, ele enfiava aqueles dedos longos bem fundo, acertando o ponto exato.
Um gemido baixo escapou, o lábio inferior preso entre os dentes enquanto ela o via agora — a mão envolvendo o próprio pau, se masturbando devagar, a cabeça inclinada para trás como se saboreasse. Ela meteu os dedos com mais força, se esfregando até arder com a imagem mental dele, duro e entregue ao próprio ritmo.
“Porra”, ela sibilou, o quadril se movendo contra a própria mão. As sensações a engoliram por inteiro, agudas e elétricas. Uma brisa gelada entrou sorrateira pela janela, arrepiando a pele dela e fazendo tudo parecer ainda mais intenso. As respirações fracas viraram pesadas e entrecortadas e, quando o calor se apertou mais, ela arfou — e então travou, os dedos parando. Depois de algumas inspirações trêmulas, ela se jogou de volta, esfregando agora com dois dedos, gemendo baixinho quando o prazer explodiu do centro dela até a ponta dos pés, selvagem e impossível de conter.
“Porra… ah!” Ela estava bem ali, por um fio, acelerando com os olhos tremulando — quando uma batida seca ecoou na porta.
“Sério?” ela resmungou, arrancada do torpor como se tivesse levado um balde de água fria na cara. O tesão despencou, e ela puxou os dedos de volta, rosnando uma sequência de xingamentos entre os dentes.
Quem é o imbecil que bate na porta a essa hora? “Sem noção” ainda era pouco.
Ela rolou para fora da cama, puxou a camisola para ajeitar e foi até a porta arrastando os pés, com a irritação zumbindo nas veias. Quando escancarou, quase engasgou. Ares estava ali, com um sorrisinho de quem sabia de alguma coisa, encharcado e enrolado em nada além de uma toalha baixa no quadril. A água grudava na pele dele; o cabelo, úmido, estava todo bagunçado, espetado para todo lado.
“Você tá bem?” ele perguntou, o sorriso malandro aumentando.
O queixo dela caiu um pouco. Ares, recém-saído do banho, tarde da noite — qual era a dele? A cabeça dela patinou, ainda meio frita por causa do que tinha sido interrompido.
Ele inclinou a cabeça, o sorriso ficando mais insolente. “Interrompi alguma coisa?”
Merda. Vanya fechou a cara, os lábios bem selados. Se ela abrisse a boca, ele ia saber — ser pego no meio de uma fantasia já era ruim; ser pego com a mão dentro da calcinha, então? Humilhante. Então ela só deu de ombros, como se não fosse nada.
“Ontem eu tava te procurando”, Ares disse, encostando no batente da porta.
“Ah, é?” ela murmurou, ainda zonza.
“É. Queria te arrastar pra mata, achar um lugar quieto, arrancar aquelas calças de couro malditas de você e te lamber até você não saber nem seu próprio nome”, ele disse, a voz lenta e rouca.
Um arrepio desceu pela espinha dela, e a mente pintou a cena antes que ela conseguisse impedir. Mas aí ela lembrou — ele tinha mentido pra ela, tinha escondido esse papo de “par”.
“Ares, que porra você tá fazendo aqui?”
Ele inclinou a cabeça, os olhos se estreitando, escurecendo com aquele brilho faminto. “Eu sinto seu cheiro. Seu quarto tá gritando isso, Vanya. Você tá toda excitada.”
Droga. Ela mordeu o lábio com força. “E daí? O corpo é meu — eu faço o que eu quiser com ele”, ela rosnou, tentando manter a voz firme, embora ela tremesse.
Isso só arrancou dele um sorriso lento e presunçoso. “Eu sei.”
“E daí? O que você quer, Ares?” ela rebateu, fingindo descaso, como se não estivesse ainda vibrando por causa do próprio toque. “Olha, eu não tô com clima pra conversa. Não depois de você dedurar pro meu pai — e muito menos depois de eu—” Ela se interrompeu, fechando a boca.
“Depois de você o quê?” ele insistiu, arqueando a sobrancelha, a grin ainda grudada naquela cara molhada e idiota.
“Nada”, ela resmungou, soltando um suspiro pesado. “Só me deixa em paz, por favor.” Ela fez uma cara feia, cruzando os braços bem apertados no peito, como um escudo.
Ares não se mexeu. Só riu — baixo, irritante, bem ele — e entrou no quarto dela com passos tranquilos, como se tivesse sido convidado. “Tem certeza de que quer que eu vá embora?”
“Sim!” ela explodiu, jogando as mãos pro alto. “Sai daqui pra eu voltar pra cama e lidar com essa frustração e essa ansiedade em paz. Porra!”
O sorriso dele aumentou, cheio de dentes e confusão. “É isso que eu gosto em você, Vanya. Você sabe o que quer e não fica pisando em ovos. Então por que a gente não termina o que você começou?”
“O quê—” Antes que ela terminasse, ele encurtou a distância, pegou ela no colo como se ela não pesasse nada e a largou na cama com um baque macio.
“Me mostra onde suas mãos estavam antes de eu entrar aqui de um jeito tão mal-educado”, ele disse, a voz lisa como pecado. O rosto dela esquentou, as bochechas pegando fogo na hora.
Ela podia empurrar ele pra fora — chutar aquele babaca presunçoso pra longe. Mas ele estava ali, ainda úmido do banho, e a toalha mal se segurando no quadril. O coração dela martelava, e a dor entre as pernas não estava exatamente votando pra expulsar ele dali.
Ares se juntou a ela na cama e se inclinou bem perto, o hálito fazendo cócegas na orelha dela. “Eu te desafio, Vanya. Me mostra.”
Ela engoliu em seco, o pulso disparando. “Tá bom, então. Você que pediu.” Os dedos dela fisgaram a barra da camisola, subindo devagar pela coxa, de propósito, como se desafiasse ele de volta. Os olhos dele ficaram presos nos dela, escuros e sem piscar, enquanto a outra mão dela deslizava pra baixo, retomando de onde tinha parado — ousada, trêmula e sem recuar.
