CAFÉ COM ANDY
"Posso sair primeiro para comprar limões e mel?" Eu sei que é estúpido da minha parte perguntar porque já são quase nove da noite, mas não consigo tomar café sem limões. E não posso mandar meu chefe para as lojas, certo?
"Diga ao Mark para pegar limões e mel no mercado para você. Compre o quanto quiser." Ele diz e me entrega algum dinheiro do bolso. Corro até o Mark e volto imediatamente.
Mark não demora a voltar, já que não há trânsito a essa hora, mas nesse curto tempo, Andy me mostrou como usar a máquina de café. Com Andy acomodado no banquinho da cozinha ainda no telefone, faço café tranquilamente e com sossego, e faço muito. Não me importo se vou lutar para dormir depois de consumir duas ou três canecas de café a essa hora. Eu só sinto muita falta disso.
"Aqui, experimente.", digo, colocando uma caneca de café quente e fumegante na mesa e ele a cheira. Pego a minha e começo a sair da cozinha.
"Onde você vai?" Sua voz me para no meio do caminho, me virando para ele.
"Para tomar meu café."
"Tem muito espaço aqui." Ele diz, colocando o telefone de lado e puxando outro banquinho e batendo nele. Eu não me movo, porque não quero entender mal o gesto. Ele quer que eu sente ao lado dele? "Sou tão assustador assim que você não quer sentar comigo?" Ele pergunta.
"Aah.. não! É só que... nada." Volto e sento no banquinho depois de afastá-lo um pouco dele.
"Eu não mordo, para sua tranquilidade." Ele diz, tomando um gole do café, e outro, e outro, então ele engole o terceiro gole olhando para cima e inclinando a cabeça lentamente de um lado para o outro.
Enquanto ele olha para cima com os olhos fechados, eu o observo. Não tive tempo de olhar de perto para ele desde que o conheci. Ele sai cedo de manhã e volta tarde e exausto. Mesmo agora, seu rosto parece tão cansado, e o jeito que ele está girando o pescoço é resultado de cansaço.
"Não olhe tanto." Ele diz e abre os olhos, sua mão pegando a caneca de café novamente, sem olhar na minha direção.
Que vergonha! Sei que minhas bochechas estão parecendo um tomate agora. Ele me pegou olhando para ele. Espero que ele não pense mal de mim. Pego meu café e bebo devagar, apreciando seu sabor descendo pela minha garganta.
"Quem te ensinou a fazer isso?" Ele quebra o silêncio. Olhando para ele, percebo que ele está tomando o último gole do café. Isso foi rápido!
"Minha mãe. Ela também me ensinou a preparar diferentes tipos de pratos. Você gostou do café?"
"É o melhor que já tomei na vida." Ele diz, e pela primeira vez, ele sorri para mim. Adrian sorrindo, hein? Ele deve ter tido um dia muito bom no trabalho para agir assim. Ou talvez ele tenha ido a um encontro às cegas que deu certo? Droga!
"Tem mais. Quer um pouco?" Pergunto, sorrindo timidamente.
"Claro."
Trago o restante do café e encho a caneca dele e a minha também. Bebemos até a jarra ficar vazia, e fico feliz que ele pelo menos pareça um pouco mais animado no final. Não foi dito muita coisa, e isso me deixa à vontade.
"Obrigado pelo café," Andy diz enquanto se levanta para sair.
"De nada." Pego as xícaras e vou até a pia para lavá-las.
"Você pode fazer um pouco para a Angel amanhã depois da escola, por favor?" Ele pede suavemente, parado ao meu lado.
Por que ele está pedindo? Achei que chefes deveriam dar ordens. Comandar. Mas ele é meio diferente.
"Claro. Vou preparar com prazer para ela. Espero que ela goste."
"Ela certamente vai gostar. Tenho certeza." Ele acrescenta com convicção e dá um tapinha no meu ombro. "Boa noite." E sai da cozinha, me deixando aqui corando como uma idiota.
Eu não conhecia esse lado dele, mas já gosto. Termino de lavar os utensílios e de secar a pia, esperando que um dia eu me veja cozinhando nesta cozinha. Não há mal em manter a esperança viva, certo?
Quando estou prestes a trancar a cozinha para ir dormir, ouço o telefone do Adrian vibrar no lugar onde estávamos sentados. Ele esqueceu o telefone? Não foi minha intenção, mas acabei vendo quem estava ligando. Juro, não foi intencional. Ambrose, o assistente pessoal do Andy, é quem está ligando. Bem, pelo menos não é do outro gênero. Suspiro!
Pego o telefone e tranco a porta rapidamente, e corro escada acima até o quarto do Adrian, à direita, ao lado do da Angel. Bato três vezes, e estava prestes a sair quando a porta se abriu, Andy parado na minha frente com apenas uma toalha enrolada na cintura. Ele estava tomando banho, e, meu Deus, ele está tão gostoso. Tão gostoso e bonito. Seus músculos definidos à mostra e seu peito largo e plano estão enfeitiçando minha mente. E aqueles lábios molhados, ai meu Deus!
"Você trouxe mais café?" Ele falou enquanto eu apenas fico aqui parada como um zumbi, olhando para ele como um pedaço de carne que eu poderia devorar num piscar de olhos. Deve ser o efeito de ver um homem assim pela primeira vez. É?
"Café? S..i..m... Quero dizer, café! Ah... não, desculpe! Quero dizer telefone. Sim. Eu trouxe seu telefone porque você esqueceu na cozinha e o Ambrose estava ligando e você..." Seus olhos e sobrancelhas levantadas me interrompem, me fazendo perceber que estou tagarelando sem parar. O que há comigo?
"Oookay... Obrigado." Ele diz, pegando o telefone.
"Ah... Eu vou agora. Tchau... Quero dizer, boa noite, Andy." Digo e caminho o mais rápido que posso para o meu quarto.
Não posso me permitir olhar para trás porque sei que fiz papel de boba ali. Meu Deus! O que ele está pensando de mim agora? Bom trabalho, senhorita Tania Lawson, por se envergonhar!
