Capítulo 5 Capítulo 5

Violet

Como é que eu pude amar ele todos esses anos, correr atrás dele como uma cachorrinha devotada, se ele foi capaz de me abandonar com base em palavras e em algumas fotos cuidadosamente tiradas, que podiam distorcer completamente o que realmente aconteceu lá no restaurante?

— Você quer que eu suma da sua vida, né? Considere feito — declarei firme.

— O quê? Você vai mesmo virar as costas sem nem pedir desculpa? — foi a Nicole que perguntou, surpresa por eu não estar mais implorando.

— Só olhar — respondi, e me virei sem lançar um único olhar pra trás.

Não deixei meus ombros desabarem, nem chorei até estar fora do escritório e dentro do meu carro. Subi os vidros rapidamente e fui direto pro lugar que eu chamava de casa há tantos anos.

Meus dedos apertavam o volante forte demais, como se eu estivesse me afogando e precisasse me agarrar fisicamente a alguma coisa.

“Você sabe que eu tô bem aqui, e tudo bem se deixar você mesma sentir”, Rain falou baixinho na minha cabeça, e eu sorri apesar da tristeza que pesava em mim.

Ela vinha me cutucando pra eu largar o Nate, mas depois que eu finalmente fiz isso… ela ficou surpreendentemente quieta.

Sem lembretes duros, sem palavras magoadas… só um silêncio calmo que eu agradecia mais do que conseguia expressar.

— Obrigada — murmurei. Eu tinha sorte de ter ela como minha loba.

Eu não era a parceira oficial do Nate. Ele tinha me escolhido do mesmo jeito que eu tinha escolhido ele.

Mas isso já não importava.

Eu tinha prometido que ia me afastar de tudo que tivesse a ver com o Nate, então decidi honrar essa promessa.

Com uma calma estranha, entrei com o carro na garagem, estacionei e larguei as chaves em cima do aparador.

Ele tinha me acusado de traição. Eu não queria ser acusada de roubo também.

Então eu só ia levar o que era realmente meu.

Meu celular ficou estranhamente silencioso, nenhuma ligação perdida, nenhuma mensagem do Nate. Aposto que a Nicole ainda estava lá, sussurrando palavras de conforto pra ele.

Balancei a cabeça, pra não ficar presa no passado, e entrei na casa. Fiquei parada, rígida por um instante, sem saber por onde começar.

Mas o cheiro do perfume do Nate veio na minha direção, como sempre.

Eu usava esse perfume nas velas aromáticas pra me lembrar da presença dele quando ele tava longe. Hoje à noite, aquele cheiro parecia sufocante.

Então fui até as mesinhas laterais e joguei todas as velas dentro de um saco de lixo. O primeiro passo foi difícil, mas depois que comecei, consegui funcionar melhor.

As almofadas decorativas e a manta macia que eu abraçava enquanto assistia a comédias românticas bem melosas foram em seguida.

Minha atenção foi pros porta-retratos meus e do Nate pendurados pelas paredes, e eu fui tirando um por um. Quando terminei a sala de estar, tinham cinco sacos grandes de lixo encostados num canto.

Por um momento, só fiquei ali, parada, tentando recuperar o fôlego.

“Você não precisa fazer tudo de uma vez”, Rain sussurrou, mas eu balancei a cabeça.

— Se eu parar, não vou encontrar força pra continuar.

Escancarei a porta do guarda-roupa e passei as horas seguintes separando minhas roupas: as que ele tinha me dado foram para uma sacola, as que eu tinha comprado com meu próprio dinheiro foram para outra.

Arranquei o papel de parede macio com uma precisão quase mecânica, despindo as paredes de todo o aconchego que eu tinha colocado nelas.

Meus livros, minhas joias, meus sapatos, tudo teve o mesmo destino. Meu olhar passou rapidamente pelas plantas em vaso que eu tinha espalhado pelas prateleiras e senti um soluço subindo pela minha garganta.

Recusei-me a chorar e coloquei todas elas em outra caixa, que iria para a pilha de doações. Fui até o armário dele e puxei tudo o que eu tinha dado de presente para ele — carteiras, relógios e camisas.

Minha mão parou em cima de um suéter que eu tinha tricotado para ele dois anos atrás. Eu tinha levado meses para aprender a tricotar.

Quase arranquei o suéter dali e o joguei no chão, peguei uma tesoura e cortei, com raiva, todas as roupas que tinha comprado para ele.

As lágrimas finalmente começaram a escapar dos meus olhos enquanto eu juntava todos os pedaços cortados e o lixo em um monte enorme no quintal, jogava o suéter e todo o resto que eu tinha dado para ele, encharcava tudo nos perfumes caros que eu tinha comprado para ele e acendia o fogo.

Minhas pernas fraquejaram quando me sentei ali, observando em silêncio a vida que eu tinha construído com o Nate virar cinzas.

Meu celular vibrou e, por um instante, achei que fosse uma mensagem do Nate. Meus dedos trêmulos pegaram o telefone para ver que era da operadora do cartão de crédito.

Ainda não havia nenhuma ligação ou mensagem dele. E nunca mais haveria. Tirei meu chip do celular e ele também foi parar na pilha de cinzas.

Enxugando as lágrimas, abri minha carteira, peguei todos os cartões que estavam no meu nome, mas ligados à conta dele, e cortei tudo com a tesoura antes de jogar na fogueira.

Expirar e Inspirar.

Concentrei-me em respirar e voltei até os sacos de lixo, jogando todos eles na labareda em que a minha vida tinha sido até agora.

Ao entrar de volta no quarto, dei uma última olhada no lugar que eu tinha chamado de lar por todo esse tempo.

Então apaguei as luzes, peguei as duas caixas com as minhas coisas junto com a caixa de doações e peguei as chaves do carro.

Só duas caixas… era a isso que a minha vida se resumia naquele momento.

Coloquei tudo no carro, parei em um orfanato para deixar os livros e cobertores novinhos, que alguém precisando poderia usar, e pensei no lugar que eu tinha chamado de lar antes de abandonar tudo pelo Nate.

Liguei o carro e dirigi direto para a alcateia Night Fury, a alcateia que meus pais, o Alfa Luke e a Luna Miranda, comandavam.

A minha mãe e o meu pai já estavam no carro deles, prestes a sair, quando a minha mãe me viu chegando no meu carro.

Ela desceu na mesma hora e correu na minha direção.

— Onde diabos você se meteu, Violet? — ela perguntou, me puxando para um abraço.

— Seu celular não chama, e aquele seu namorado idiota também não atende — ela continuou, segurando meu rosto entre as mãos.

— A gente terminou. O Nate e eu acabamos oficialmente.

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