Capítulo 5 Capítulo 5

Ela ficou olhando, ficou séria e falou, tocando o braço dele, sutilmente acariciando:

— É… eu posso te imaginar. Quem sou eu pra ficar falando dos relacionamentos alheios, sendo que eu nunca tive um relacionamento sério? Eu não sou nenhum exemplo de nada, pra ser bem sincera.

— Poxa, obrigada pela carona. É melhor você ir antes que eu te coloque em problema. Acredite, eu sou um para-raios de problemas. Então… obrigada, professor. Você foi muito legal. E só pra você saber, eu amei a sua playlist.

Ele sorriu, achando ela gentil e querendo dar uma investida, mas apreensivo, sem saber se ela queria ou não. Ele colocou a mão sobre a dela, acariciando, e falou, olhando fixamente nos olhos:

— Imagina… se eu tiver outra oportunidade, posso te dar outra carona.

Ela olhou pra boca dele, deu um sorrisinho. Ele percebeu e fez o mesmo. Ele se aproximou, apreensivo, acariciando o rosto e o cabelo dela, e disse:

— Eu tô com vontade de fazer uma coisa… mas eu não sei se você quer.

Ela lambeu sutilmente o lábio inferior, provocando, e sorriu:

— Qualquer coisa que você queira, é bom você fazer, né? Porque é tão ruim passar vontade.

Ele se aproximou e chupou o lábio inferior dela sutilmente. Ela fez o mesmo. Os dois se beijaram lentamente, e o beijo foi aumentando a intensidade pouco a pouco. Ele a segurou pela cintura, acariciou a perna, o bu.mbum, de forma sutil, e nisso ela já percebeu que, além de carinhoso, ele parecia ser contido. Achou as carícias dele controladas.

Trocaram longos beijos, que ficaram ardentes, e o beijo super encaixou de primeira. A química foi inegável, e a atração também. Ela gostou do toque, do cheiro, do gosto. Ela adorou tudo e só ficou pensando aonde aquilo ia dar. Se aquele beijo era gostoso daquele jeito, o resto deveria ser melhor ainda.

Eles trocaram mais alguns beijos e, quando pararam, começaram a rir, ele constrangido, ela contente. Ele deu mais um selinho, mais um beijinho, e disse que era melhor ela ir, antes que alguém os visse juntos.

Ela foi se preparando pra descer, pegando a bolsa, o celular, e respondeu rindo:

— Então… da próxima, vamos num lugar mais reservado.

Ele ficou rindo, todo sem jeito, com o rosto até corado. Esfregou o rosto, o cabelo, suspirou e deu tchau.

Ela desceu do carro, acenou e foi andando até em casa.

Ele ficou um tempo parado, esperando ela entrar. Depois ligou o carro e foi embora, sentindo uma euforia imensa dentro de si, o que logo virou culpa quando ele começou a trocar mensagens com a noiva. E isso o fez repensar se queria uma vida monótona ao lado dela ou se queria viver novas experiências que aquecessem o corpo e a alma.

Kaori até esqueceu da raiva que estava sentindo dos pais e de como estava chateada. Avisou a mãe que tinha pegado carona com um colega e, de jeito nenhum, falou que era o professor.

Quando se deitou pra dormir, foi procurar as redes sociais dele. Viu fotos com a noiva, que era linda, mas tinha uma cara meio enjoada e era nitidamente mais velha bem diferente do que Kaori, exatamente como ele havia dito. Ela ficou olhando tudo com calma, mas não pediu pra seguir, nem pra ser amiga.

No dia de voltar ao curso, chegou adiantada, como de costume, e foi mais arrumada do que o normal. Usava um vestidinho curto, vinho, bem agarrado ao corpo, tênis e uma jaqueta de couro por cima. Estava bem maquiada, com delineador marcando os olhos, gloss labial e um perfume mais marcante e adocicado do que de costume.

Ela queria chamar atenção. E sabia que ia.

Quando Daniel chegou, ele também estava ansioso pra vê-la. Foi mais arrumado do que o normal, de banho tomado, cheiroso, e ainda levou uma surpresa pra ela.

Assim que entrou na sala, começou a dar aula normalmente e… os dois ficaram trocando olhares cúmplices. Olhares que diziam muito mais do que poderia ser dito naquele momento.

Enquanto a aula acontecia, Kaori ficava olhando pra ele, séria, com um olhar penetrante, que o fazia pensar em tudo o que queria dizer pra ela quando a aula acabasse.

Cheia de más intenções, ela nem pediu carona. Disse pros pais que iria pegar carona com o amigo do curso de novo.

Quando o curso terminou, todos começaram a ir embora, e ela demorou um pouco pra sair da sala. Fingiu que estava arrumando o material, mexendo no celular. Daniel também ficou por último, como de costume, porque sempre esperava todos os alunos saírem.

Assim que todos saíram, ele deu uma piscadinha pra ela e fez um sinal, como quem dizia: te espero lá fora.

Ela sorriu e confirmou com a cabeça.

Só tinha um aluno saindo, e ele não viu.

Kaori saiu primeiro, foi pro estacionamento e ficou esperando. Daniel saiu logo em seguida e, assim que se aproximou, sorriu e colocou uma caixinha de papelão na mão dela.

Uma caixinha de presente dourada, com detalhes em verde brilhante.

Ela perguntou o que era. Foram entrando no carro, e ele disse:

— Abre pra ver. Você é curiosa? Tem uma cara de ser.

Ela sorriu e respondeu:

— É claro que eu sou, mas eu não vou abrir agora, pra você não saber como eu vou reagir. Vai que eu não gosto.

Ele disse rindo:

— Espero que você goste. Você tem cara de ser sincera. Eu aposto que, se você não gostasse, você falaria.

Ela não aguentou e disse que sim, que realmente falaria. Ela sempre teve uma personalidade forte e se orgulhava disso. Inclusive, não era uma pessoa tão agradável com todos.

Ela abriu a caixinha e, dentro, tinha um pen drive e chocolate, um bombom recheado. Ela sorriu e perguntou:

— O que tem aqui?

Ele respondeu:

— Uma playlist que eu fiz especialmente pra você. Espero que goste. É bom ter alguém com quem conversar que goste das mesmas coisas que eu.

Ela concordou e começaram a falar sobre música. Então, de repente, ela olhou o trajeto e perguntou, curiosa:

— Aonde você tá indo? Minha casa não fica pra cá. Esqueceu onde eu moro?

Ele disse que ia levá-la a um lugar que ele gostava, só que eles teriam que parar longe e só um deles iria até lá pegar o que ele queria dar pra ela.

Ela ficou curiosa, ansiosa, e nem perguntou onde era.

Continuaram conversando sobre assuntos aleatórios, e ele a levou pra comprar lanche em um lugar que vendia comida mexicana. Eles decidiram juntos quem desceria pra pegar, e ela disse que iria, pra não correr o risco de alguém conhecido dele ficar olhando ou questionando o que ele estava fazendo ali.

Ele disse que ela era muito gentil, com deboche.

Ela respondeu:

— Gentil nada. Eu tô te protegendo, tá?

Ele falou o que queria, deu o cartão pra ela pagar por aproximação, passou até a senha, e ela foi. Comprou lanches pros dois e voltou pro carro.

Eles foram pra uma rua afastada, em um bairro que ainda estava em construção, e comeram dentro do carro, conversando, rindo, ouvindo música. Em certo momento, ele disse que estava se sentindo culpado. Confessou que realmente não queria mentir pra ela, que sabia que estava fazendo algo errado, mas que não conseguia parar.

Ela disse que, por ela, tudo bem eles conversarem, se conhecerem melhor, e que ela realmente não esperava nada dele nem de ninguém. Disse que sabia como era ter vontade de fazer coisas que os outros podiam julgar como erradas e que achava injusto passar vontade na vida.

Eles conversaram muito, comeram, deram risada, e nada demais aconteceu, pelo menos até a hora em que ele foi levá-la embora.

Quando foram se despedir na rua da casa dela, ela deu um beijinho na boca dele. Ele ficou rindo, nitidamente desconfortável, como se não quisesse. Ela agradeceu pelo presente e disse que iria ouvir.

Foi pra casa rindo e, novamente, dormiu pensando nele.

Ele começou a tomar conta de todos os pensamentos dela, e era recíproco, porque ele sentia o mesmo. Ele começou a ter a necessidade de conversar com ela pelo celular fora do dia do curso.

Passou um dia inteiro pensando em um jeito de falar com ela sem ser pego. Comprou outro celular, mais simples, colocou um chip novo, que cadastrou no CPF de um amigo, e fez um perfil falso nas redes sociais, só pra ver e reagir às postagens dela.

Colocou o nome de um cantor da banda que eles mais gostavam. Assim que pediu pra seguir, ela já sacou que era ele e respondeu às reações dele nas fotos.

Começaram a conversar muito. De um jeito que ela gostava até mais do que ele, porque, naquele momento, tudo o que ela queria era perder o foco dos problemas e receber atenção. Ela adorava ser o centro das atenções, afinal.

E foi isso que aconteceu.

Até o próximo dia do curso, conversaram muito. No fim de semana, ele disse que ia inventar uma desculpa pra não viajar com a noiva e os pais. Ela disse que ficaria esperando um retorno pra marcarem de fazer algo juntos.

Então combinaram de se encontrar no sábado à noite.

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