Capítulo 1 Capítulo 1

Volume 1 do livro Angel, disponível completo aqui no aplicativo!!

“Amor, tanto amor, que até mesmo nós dois chegamos a duvidar que um dia fosse real...”

Eu tive que passar por cima de muitas coisas para viver esse grande amor, abandonei minha casa, meus costumes, uma vida regada a luxos, e demorou muito tempo para eu me arrepender completamente por isso tudo, mas, afinal, contos de fadas não existem!

Após a grande chegada do Augusto e das irmãs dele, no aniversário de um aninho da Liz, nossa princesa, a emoção tomou conta de todos nós. Aquilo foi realmente contagiante, tiramos algumas fotos superespontâneas, cheias de amor, que de longe era possível ver, cantamos parabéns e foi um dos momentos mais mágicos que já vivemos juntos. Eu tinha uma família e agradeci muito a Deus por aquilo, olhando todos reunidos.

Logo, já fugimos para o cantinho para conversar a sós, apenas eu e ele. Ficamos nos encarando por alguns instantes, ele sorriu e me beijou, falou que não esperava uma reconciliação assim, por causa da minha mágoa, dos nossos problemas, mas que, todos os dias em que ficamos separados, ele só pensou em mim, em nós, na nossa família perfeita que Deus nos deu. Comecei a chorar, o abracei, ele me pediu perdão por tudo o que aconteceu, prometeu nunca mais duvidar de mim, do meu amor e da minha força e nem me magoar, jurou sempre pôr a família em primeiro lugar e disse que ia me fazer a mulher mais feliz do mundo. Perguntou se eu podia aceitar o pedido dele e ser um pouco mais forte para continuarmos de onde paramos. Falei que não tiveram dias mais sombrios do que aqueles em que eu perdi meu porto seguro, vendo minha felicidade se esvair pouco a pouco.

Logo, a família dele se aproximou de nós, abracei todos eles, pedi desculpas por ter me afastado, por tudo que fiz no meu pior momento, principalmente para a Nina, que sempre me ajudou muito, minha melhor amiga. A dona Lúcia foi logo dizendo que tudo havia ficado para trás, que éramos “família” e o importante era estarmos juntos em harmonia, mesmo com todas as dificuldades da vida.

Os meus parentes ficaram todos chocados porque eu sumi por muito tempo, voltei com uma filha que nem meu pai sabia da existência, só no velório dele, depois grávida novamente, sozinha, sem um namorado, e, do nada, com um cara malandro, todo tatuado e marrento. O assunto da festa foi esse, mas tudo correu bem. Alguns foram indiscretos com as perguntas e os comentários sobre o Augusto e as crianças, querendo saber da paternidade, chegaram a perguntar sobre o Henrique até, querendo saber quando terminamos, mas relevei. Falei educadamente que estava há anos com o Guto. A Liz ganhou muitas coisas boas, eu nem achei que ia dar tão certo.

Tive que ficar dando atenção para todos e louca para poder curtir o Augusto e matar as saudades. Durante todo o tempo, nós ficamos fazendo contato visual, mesmo distantes, nossos olhares falavam muito sobre nós, era nítido o quanto um amava o outro. Eu só conseguia pensar no quanto sonhei com tudo aquilo, minha família toda reunida de verdade, tudo em paz, era isso que sempre quis: paz. Ele ficou um pouco mais reservado com a família dele, mas não foi antissocial com a minha família. Alguns familiares chegaram a conversar com ele, minha tia principalmente, e minha sogra falou que me aturou por tanto tempo incomodando que passou até a gostar de mim.

Quando os convidados começaram a ir embora, eu ainda estava correndo, toda ocupada, e a Liz ficou o tempo todo na mesa da vó onça dela. Tentaram pegá-la várias vezes, mas sem sucesso, ela só queria ficar com eles. Quando a festa acabou, só ficaram meus tios, minha madrasta, as cunhadas e a sogra. Fui começando a arrumar tudo e eles ajudando. A dona Lúcia foi embora e falou que era para nós dois colocarmos a cabeça no lugar e vivermos em harmonia de uma vez, pediu para pensarmos nas crianças e não ficarmos batendo cabeça, porque já não éramos tão jovens. Como todos já tinham ido embora, minha tia e minha madrasta me falaram para ir embora também, que elas iam arrumar tudo no barracão. Eu estava exausta, a Liz também já estava chatinha, aceitei a oferta delas. O Guto estava com a Liz, andando fora do barracão, fui até eles, dei um selinho nele e falei:

— Você vai comigo para a minha casa?

Ele respondeu com um sorriso lindo:

— Você quer que eu vá?

Sorri e respondi, pegando a Liz no colo:

— É tudo o que mais quero agora.

Ele me abraçou e falou, pegando-a:

— Amo você, senti muito a falta de vocês duas. Calma aí, mamãe, já fez muita coisa hoje, deixa que eu carrego ela.

Respondi, rindo:

— Somos três agora, hein, papai.

Ele respondeu que mal podia esperar para saber tudo da gravidez e do nosso menino. Coloquei os presentes que couberam no carro dele, fomos para minha casa, o Augusto, a Liz e eu. No carro, fomos conversando bastante, trocando carinho. Chegando em casa, ele perguntou como estava sendo morar sozinha lá, falei que era ótimo ter a minha privacidade, meu cantinho sem a minha madrasta. Ele perguntou se eu sentia falta dele arrumando minha bagunça, falei que era o que mais fazia falta.

Dei banho na Liz, ele ficou parado na porta do banheiro, troquei-a, dei-a no colo dele e fui fazer a mamadeira. Ela, em momento algum, estranhou-o, a ligação dos dois era coisa de outro mundo. Se ele fosse pai biológico dela, acho que não seriam tão grudados assim, o amor dele por ela era a coisa mais linda de se ver. Fui arrumando o berço dela e falei para ele:

— Você vai dormir aqui?

Ele respondeu que sim, se eu quisesse. Ele ficou o tempo todo me encarando com um sorrisinho besta. Já era de noite, ele deu a mamadeira, ela logo dormiu, estava exausta. Falei para pô-la no berço, ele estava com ela no colo, perto de mim, perguntei com deboche:

— Por que você está me olhando com essa cara, hein?

Ele sorriu e respondeu, colocando-a no berço:

— Estou te admirando, nem acredito que voltamos, senti sua falta todos os dias, sabia? Na moral. Ver você assim, cuidando dela e grávida, você não sabe o quanto eu fico feliz com isso, Angel.

Nós nos abraçamos, falei que eu também estava feliz, convidei-o para tomar banho comigo. A gente ficou abraçado embaixo da água, apenas se sentindo, trocando carinho. Ele estava todo babão na minha barriga, sendo carinhoso, amoroso e cuidadoso, assim como foi durante toda a gravidez da Liz. A gente matou as saudades como deu, fizemos um amor gostoso, aquele da reconciliação.

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