Definindo o preço

A mulher era, sem sombra de dúvida, o pedaço de colírio mais letal de toda a rua.

A chuva torrencial tinha encharcado completamente a camisola de seda, grudando o tecido no corpo dela como uma segunda pele transparente.

Mesmo assim, ela não tremia de terror como os outros. Em vez disso, ergueu o rosto deslumbrante e lançou um sorriso calculado direto para a minha câmera de segurança.

Ela não estava implorando por resgate.

Estava usando o próprio corpo como moeda fria e dura.

— Primeiro me diga o que você tem — rosnei no interfone.

— Teve gente que morreu na loja de conveniência — ela disse. — O Ryan abandonou os dois meninos e arrancou com a caminhonete. Agora mesmo, o Derek está liderando um grupo para trancar a rua, tomando toda a comida e as armas. Quem não entregar é expulso.

Mantive os olhos grudados no monitor.

Ela enfiou casualmente o cabelo ensopado atrás da orelha e, no processo, puxou ainda mais a gola para abrir.

— Só isso? — perguntei.

— Claro que não. Mas a informação de verdade exige que você me deixe entrar primeiro.

Esfreguei as têmporas latejando, agarrei minha espingarda calibre 12 e caminhei até a entrada interna da frente. Destranquei apenas o portão externo de ferro, mantendo a porta principal de madeira maciça firmemente trancada no ferrolho.

— Entre na zona de isolamento da varanda. Mãos onde eu possa ver. Devagar.

Mara obedeceu.

As coxas nuas e bem desenhadas e os pés dela espirraram na água empoçada da varanda quando ela entrou.

Abri a porta principal só uma fresta, enfiando o cano preto como breu da espingarda direto no vão.

— Para. Vira de costas. Mãos na parede.

A luz fraca de segurança, de baixa potência, no teto da varanda, derramava-se para baixo, desenhando com nitidez os contornos escuros das alças do sutiã sob o tecido molhado.

— Fica reta. Abre as pernas. — Encostei de leve o cano gelado da espingarda na parte interna da coxa dela.

Mara soltou um suspiro baixo, áspero; o corpo estremeceu, mas ela abriu a base de apoio de forma submissa, separando as coxas grossas e pálidas.

A postura fez a lombar arquear involuntariamente, acentuando ainda mais a proporção já letal entre cintura e quadril numa curva exagerada, provocante.

Os quadris perfeitamente arredondados e pesados, moldados com firmeza pela camisola colada, saltavam bem diante dos meus olhos como um pêssego maduro prestes a rasgar o tecido fino.

Sem piedade, eu a revistai, passando a mão pela parte de dentro da panturrilha. Ao alcançar a coxa, encontrei e arranquei uma faca dobrável escondida, jogando-a no chão.

— O que mais? — Minha respiração pesada roçou sem querer a nuca exposta dela.

Uma onda repentina de arrepios se espalhou pelo pescoço de Mara.

Ela não se afastou. Em vez disso, pressionou-se para trás de propósito, esfregando deliberadamente os quadris incrivelmente macios e voluptuosos bem na raiz da minha coxa.

— Está tudo aqui no meu corpo... Ethan, você só vai ter que olhar um pouco mais de perto...

Ignorando a sedução descarada, minha mão grande passou do quadril bem desenhado direto para a parte baixa das costas. Com um movimento dos dedos, eu a desarmei, puxando uma pistola de pequeno calibre da cintura da camisola.

Depois, minha palma percorreu a caixa torácica dela, deslizando para cima em direção ao bolso interno do casaco. Minha mão inevitavelmente esbarrou com força no peso cheio, macio, dos seios fartos.

— Mmh...

Mara arqueou o peito, jogando o corpo de propósito contra a parede, achatando os seios pesados com firmeza contra o painel enquanto um gemido suave escapava dos lábios dela.

O ar se encheu na mesma hora de um coquetel denso e inebriante de calor feminino, perfume e chuva molhada.

—Fica bem quietinha. Se mexer de novo, eu te deixo pelada e te jogo de volta na tempestade.

Mara finalmente virou a cabeça. Seus lábios vermelhos se entreabriram enquanto ela arfava com força, o peito pálido subindo e descendo violentamente, mas os olhos brilhavam com um sorriso triunfante. —Me revistando desse jeito? E eu que achei que você não tinha interesse no meu corpo, Ethan.

Os cantos da boca dela se curvaram, o olhar prendendo no meu com um calor puro, magnético. —Você sempre trata as mulheres assim?

—Eu trato todo mundo que ainda está vivo assim —eu disse, gelado. —Tira até ficar só na camada de baixo. Desinfeta.

Mara soltou uma risada baixa e insinuante, as mãos desabotoando devagar o casaco encharcado.

O tecido ensopado escorreu pelos ombros arredondados e pelos quadris fartos, centímetro por centímetro. Sob a luz dura e fria da segurança, sua silhueta madura, em ampulheta, ficou completamente exposta —o bastante para provocar uma reação imediata em qualquer homem comum.

Mas eu não me deixei abalar.

—Anda logo —eu pressionei.

Ela sustentou meu olhar, empurrando de propósito o decote cheio e pesado bem debaixo do meu nariz. —E se eu puder te oferecer mais do que só inteligência? Tipo... eu mesma?

Eu cortei na hora. —Guarda isso. Você é a mulher do Ryan. Agora você é um risco.

Puxei um quadro branco para mais perto e, com agressividade, escrevi quatro regras absolutas: desarmar ao entrar, registrar todas as rações, obedecer ao toque de recolher e entrada não autorizada em áreas restritas leva um tiro na cabeça.

O sorriso de Mara vacilou um pouco, embora a ponta sedutora permanecesse. —Você acha que é o rei daqui?

—Eu sou o dono desta casa. Se quiser viver, você se ajoelha às minhas regras.

Naquele instante, uma rajada rápida de tiros explodiu lá fora, na chuva, acompanhada de gritos de gelar o sangue.

Mara se encolheu com violência, os quadris arredondados dando um solavanco quando a fachada controlada dela finalmente rachou.

—Inventário! —eu ordenei, apertando ao máximo.

Ela mordeu o lábio carmim e confessou, sincera: —Uma garrafa de analgésicos, meio pacote de bolachas. Não fui mordida. Não estou infectada.

Quando terminou de se lavar com o desinfetante de água sanitária, puxei uma cadeira dobrável para ela sentar.

No instante em que sentou, ela cruzou deliberadamente as pernas longas e pálidas, sem esconder absolutamente nada sob a barra erguida.

—Agora. Solta o resto das informações.

Mara inclinou o corpo para a frente, enfiando a visão sem pudor do decote pálido direto no meu campo de visão, a voz descendo para um sussurro:

—O Ryan quer a sua casa. O Derek quer os seus suprimentos. Eles vão fazer uma invasão juntos hoje à noite. O Ryan sabe das armadilhas no seu quintal, então planejam arrebentar a sua porta da frente e entrar pela sua entrada de carro por volta da meia-noite. Nove homens no total. Espingardas e gasolina.

Ela me encarou com uma intensidade ardente, a língua passando de leve pelo lábio de baixo.

—Eu não vou morrer com ele. Se você vencer, eu quero um lugar permanente aí dentro. Se você precisar de mim... eu posso deixar minha cama bem perto da sua.

Eu soltei uma risada seca de desprezo, bati a porta interna principal e olhei para ela com frieza através das barras de ferro da grade de segurança.

—Você fica aí, na área de isolamento, esta noite.

Mara me encarou de volta; os avanços calculados dela encontrando, pela primeira vez, uma parede.

Mas, em poucos segundos, ela colou o corpo voluptuoso na tela de aço da grade de segurança.

—Tá bom, Ethan. Só vence primeiro.

Ela estendeu um dedo com a unha pintada de vermelho e arrastou devagar pelo vidro, num arranhão agudo e áspero que testaria a determinação de qualquer homem. —Vence esta noite, e o meu corpo inteiro... é o seu prêmio.

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