Capítulo 7
SAVANNA (VERONICA)
Meu olhar pousou sobre os rostos pálidos e tomados pelo medo delas. A satisfação que senti não era realmente suficiente pelo que fizeram com Veronica. Ainda assim, por enquanto, bastava.
Um repuxar lento e preguiçoso brincou em meus lábios enquanto eu caminhava até a pia para limpar a sujeira da minha mão.
Afinal, aquelas garotas não passavam de pedaços de lixo nos quais eu tinha tocado por acidente e que sujaram minhas mãos.
Abri a torneira, deixando a água fria escorrer por meus dedos enquanto os esfregava com calma.
Atrás de mim, ouvi Becky tentando recuperar o fôlego.
Olhei para ela pelo espelho; seus olhos estavam arregalados de incredulidade, fixos em mim — mais precisamente, nas minhas costas.
E as outras garotas... bem, elas também não ousavam se mexer. Estavam praticamente congeladas onde estavam.
O som da respiração irregular delas ecoava dentro do pequeno banheiro. Principalmente a de Becky.
Ela simplesmente não conseguia entender como a mesma Veronica que atormentara por anos de repente tinha se tornado alguém capaz de prensá-la contra a parede sem hesitar, muito menos de estrangulá-la.
"V-você... você enlouqueceu!", ela murmurou entre uma respiração e outra, agarrando a beirada da pia.
"Você acha que me agarrar daquele jeito faz de você corajosa agora? Não se esqueça de quem você é, Veronica. Você continua sendo a mesma garota gorda e nojenta de quem todo mundo ri!" A voz dela tremia de raiva, confusão e completo desespero.
As palavras dela não me incomodaram nem um pouco. Em vez disso, o canto dos meus lábios se curvou ainda mais.
O desespero para recuperar o próprio valor diante daquelas garotas, diante de Veronica, era grande demais.
Acabei de perceber que essas pessoas eram todas só bocas grandes sem atitude. Que desperdício, hein.
Desliguei a torneira com calma e sequei as mãos com uma toalha de papel, sem nem me dar ao trabalho de olhar para ela ainda. A calma dos meus movimentos parecia irritá-la mais do que qualquer insulto poderia.
Ela esperava lágrimas, ou tremores, ou desculpas desesperadas como a Veronica que ela conhecia teria dado. Basicamente, ela se alimentava da timidez de Veronica.
Em vez disso, encontrou uma garota completamente indiferente à presença dela.
"Eu não vou deixar isso passar", ela sibilou com amargura, a voz se elevando de fúria. "Você me humilhou hoje, e eu juro que vou fazer você se arrepender! Eu vou... vou garantir que todo mundo nesta escola se lembre exatamente do tipo de porca patética que você é."
Só então olhei para ela por cima do ombro. Meu olhar estava calmo, quase entediado, e isso pareceu perturbá-la mais do que a raiva jamais conseguiria.
No entanto, mais do que desconforto, vi de novo o medo dela, que ela tentava ao máximo esconder.
Um sorriso lento se espalhou pelos meus lábios. "Faça o que quiser", eu disse em voz baixa.
"Mas, da próxima vez que tentar tocar em mim, tenha certeza de que está preparada para as consequências."
O rosto dela ficou vermelho, e seus olhos se arregalaram em descrença.
Eu, porém, joguei a toalha de papel no lixo e saí do banheiro sem esperar a resposta dela.
Eu já tinha desperdiçado tempo demais com essa barata, não mais...
No instante em que saí do corredor do banheiro, quase trombei em Ethan.
Ele parecia exausto, tentando recuperar o fôlego às pressas. A muleta estava presa de forma desajeitada debaixo do braço, e o rosto dele estava vermelho vivo, claramente por ter corrido até ali mais rápido do que sua perna machucada permitia.
Imediatamente, franzi a testa quando a preocupação tomou conta de mim. Alguém machucou ele? Tiveram a audácia de intimidá-lo também? Esses desgraçados!
"V-Vero!", ele arfou, apertando a muleta com mais força como se tivesse medo de cair. "V-você t-tá b-bem!?" Ele gaguejou mais do que o normal por causa da respiração nervosa.
"O que aconteceria comigo?"
Ele piscou, depois me olhou de cima a baixo. "Eu... eu achei q-que a-alguém e-estava t-te a-atormentando d-de n-novo. Você d-demorou t-tanto, então eu v-vim v-ver!"
Por um momento, encarei o garotinho. Algo quente se agitou no fundo de mim.
Apesar da perna fraca e do fato de que raramente saía da sala durante os intervalos, ele se obrigou a se apressar pelo prédio só porque pensou que a irmã pudesse estar em apuros? A preocupação dele era genuína, dolorosamente honesta, e completamente diferente dos cálculos frios aos quais eu estava acostumada.
Era por isso que diziam que "família é preciosa"? Provavelmente...
"Estou bem", garanti com calma. "Não há com o que se preocupar." Então abri bem os braços. "Olha, não aconteceu nada."
Ethan estudou meu rosto, depois meu corpo, com cuidado, como se estivesse tentando confirmar que eu não estava mentindo. Depois de alguns segundos, os ombros dele relaxaram um pouco, embora a preocupação não tenha desaparecido de seus olhos.
"Eu v-vou c-caminhar c-com v-você", ele disse com teimosia.
"Você não precisa, embora não seja uma má ideia almoçarmos juntos", respondi, e ele assentiu vigorosamente.
— Sim!
Sorri para ele. A maioria dos “sim” dele era só porque não queria que a irmã voltasse a ser intimidada.
Começamos a andar juntos pelo corredor, a muleta dele batucando de leve no chão a cada passo. E não demorou para os sussurros conhecidos começarem.
Os alunos viravam a cabeça quando passávamos, e sorrisos de deboche se espalhavam rapidamente por vários rostos.
— Olha só quem resolveu aparecer — um garoto disse alto, cutucando o amigo com o cotovelo. — A baleia da escola decidiu voltar.
Falou claramente para a gente ouvir cada palavra.
Outro estudante deu uma risada áspera.
— Cuidado, não fica muito perto. Vai que ela senta em você sem querer. Quem sabe você nem sobrevive?
— Da última vez que eu vi, o zoológico ligou. Querem o elefante de volta!
As gargalhadas ecoaram pelo corredor, altas e cruéis.
— Não é aquela garota que se declarou pro Damon antes de tentar matar a pobre escada com aquele corpo enorme? — Uma menina ali perto cobriu a boca, cochichando alto o bastante para a gente ouvir.
— É. Imagina só achar que o Damon ia sair com alguém assim.
Veio mais risada, e eu senti Ethan endurecer ao meu lado. A mão dele apertou a muleta, e o rosto ficou ainda mais vermelho do que antes.
Pelas memórias de Veronica, normalmente ele evitava lugares cheios justamente por causa de momentos como aquele. Mesmo assim, hoje ele tinha se forçado a passar bem no meio, só porque achou que a irmã podia precisar de ajuda.
E isso me incomodou. Viver a vida inteira com medo mesmo tendo uma família… parecia mais brutal do que ser órfã.
Enquanto continuávamos andando, meu olhar foi, devagar, até o grupo de garotos perto dos armários à frente.
Damon, a estrela do futebol da escola, estava entre eles, encostado de modo casual na porta de metal, com a confiança relaxada de alguém que nunca tinha passado por uma humilhação de verdade na vida.
As memórias de Veronica o reconheceram na hora: o garoto que ela tinha adorado, aquele para quem ela se declarou antes de tudo desabar… Só que, olhando para ele agora, eu não via nada de impressionante.
Ele era alto e tinha um corpo atlético, mas não tinha nada de extraordinário. Só um certo charme juvenil, e nada mais. Nada de especial.
Sinceramente, ele não chegava nem perto de ser tão bom quanto o meu irmão mais novo, Ethan. A diferença é que as pessoas só riam do Ethan por causa dos defeitos de nascença.
A postura e a expressão de Damon só revelavam aquela autoconfiança rasa que vem de ser popular entre adolescentes. Comparado aos homens treinados e inegavelmente bonitos que eu tinha visto na minha vida anterior, o tal carisma dele parecia dolorosamente comum.
Um dos garotos ao lado dele — provavelmente David, pelas memórias de Veronica — fez um sorriso torto e apontou na nossa direção.
— Ei, Damon, olha. Não é aquela gorda que se declarou pra você no mês passado?
O grupo explodiu em gargalhadas.
— Cara, você devia ter aceitado. Pelo menos ela garantia que você nunca ia passar fome — outro acrescentou. Devia ser o Michael.
— Que nada, olha o irmão dela. Ela comeu tudo e agora ele não tem nutriente nenhum nas pernas!
As vozes eram altas o bastante para que as pessoas mais ao fundo no corredor parassem para assistir, entrando na risada.
Eu não disse nada quando era comigo. Mas Ethan não aguentou; ele abaixou um pouco a cabeça, como se desejasse desaparecer.
Eu sabia que podia perder peso, mas a lesão do Ethan ia exigir muito dinheiro e tempo. Eu precisava ganhar dinheiro mais rápido.
O próprio Damon parecia irritado, e não divertido — mas não porque Veronica estivesse sendo humilhada. Parecia mais que ele simplesmente não gostava de ver o nome dele arrastado para aquela conversa.
— Deixa isso pra lá — Damon disse, curto, com um tom de leve impaciência.
Mas o garoto, David, que tinha começado a piada, só deu de ombros.
— Relaxa, a gente só tá zoando. Quer dizer, olha pra ela. Uma gorda e o outro é aleijado. Que dupla de irmãos.
Ele riu da própria piada e se virou, provavelmente para ir embora.
Mas eu não tinha terminado. Não depois de ele ter ousado envolver meu irmão nisso.
Sem hesitar, estendi a mão e agarrei a gola dele.
O tecido esticou na hora sob meus dedos quando eu o puxei de volta na minha direção. A força repentina o pegou completamente desprevenido, e o corpo dele deu um tranco para frente antes que conseguisse reagir.
E eu o prendi contra a parede.
— Qu-que porra é essa?! — ele rosnou, tentando se soltar.
Em vez disso, meu aperto se fechou ainda mais, e a expressão dele passou rápido de irritação para choque.
Eu encarei diretamente os olhos dele.
— Pede desculpas pro meu irmão. Agora — eu disse, com calma…
