Capítulo 10 Não é você quem vai agir?
"Quem é?" Joseph perguntou.
"Monica!" Alexander cuspiu o nome, pensando na mulher que tinha visto no hotel.
"Dona Smith?" Joseph ficou atônito. "Ela voltou?"
Alexander permaneceu em silêncio, a mente tomada por pensamentos sobre Monica. Só de pensar nela, o sangue dele fervia.
Nove anos atrás, ela tinha empurrado Stella escada abaixo só pra se casar com ele. Depois, armou pra expulsar Stella da família Brown, fazendo até os próprios pais deserdarem a moça. Cinco anos atrás, depois de dar à luz, abandonou os bebês, deixando-os à beira da morte em um orfanato.
Ele nunca tinha conhecido alguém tão fria quanto Monica, ainda mais com os próprios filhos.
Joseph até queria dizer que não achava Monica tão ruim assim, mas, ao ver a expressão de Alexander escurecendo e o gelo que ele estava emanando, resolveu ficar de boca fechada. "Entendido, senhor Smith. Vou investigar isso agora mesmo."
"E também, cave fundo sobre a CLOUD. Quero saber quem está realmente por trás."
"CLOUD? A gente já não tinha verificado essa empresa? O senhor acha que tem algo estranho com ela?"
"Quem comanda a CLOUD na frente é a Evelyn, mas quem tem o poder de verdade é a Helen."
As duas eram envoltas em mistério; ninguém as tinha visto nem sabia quem realmente eram. Alexander tinha uma sensação forte de que elas tinham algum problema com o Grupo Smith.
"Investigue a fundo. Quero cada detalhe sobre essas duas!"
"Sim, senhor Smith!"
Na manhã seguinte.
Monica acordou cedo para preparar o café da manhã das crianças.
Enquanto torrava o pão, ouviu um barulho atrás dela. Ao se virar, viu Daniel lavando verduras. Ele levantou o rosto e deu um sorriso doce. "Mamãe, tô te ajudando."
"Obrigada, meu amor", Monica respondeu suavemente.
Era um pouco estranho, já que William normalmente adorava cozinhar e cuidava de todas as refeições em casa. Ela se preocupava que ele se machucasse e não queria o menino na cozinha tão novo, mas ele insistiu tanto que, no fim, ela acabou cedendo.
Hoje, porém, ele não correu pra cozinhar.
Mas Monica não deu muita importância.
Ela não fazia ideia de que Daniel nunca tinha entrado na cozinha antes.
Era a primeira vez dele ajudando com as verduras.
Só que ele conhecia bem a rotina dos irmãos e tomava cuidado pra não levantar suspeitas em Monica. Ele também gostava de passar tempo com ela e estava sempre ansioso pra deixá-la feliz.
Monica preparou o café do jeitinho que as crianças adoravam. Assim que terminaram de comer, Evelyn apareceu com duas pessoas.
Uma era a governanta, chamada Linda, uma mulher super competente de cerca de quarenta anos, responsável por cuidar das crianças.
A outra era uma maquiadora contratada pra fazer a maquiagem de Monica.
Monica não conteve uma risada. "Tudo isso é mesmo necessário?"
"É a sua grande estreia, tem que ser em grande estilo!" Evelyn disse, empurrando-a escada acima.
"É! Eu quero que todo mundo veja que a minha mãe é a mais linda de todas!" Daniel completou.
Monica não resistiu e deixou que eles fizessem o que queriam.
Enquanto isso, na Vila da família Smith, William e Sophia aproveitavam um chique chá da tarde quando Alexander entrou.
Ele tinha acabado de pôr o pé para dentro quando Stella apareceu, toda produzida. Ela parou na frente de Alexander, sorrindo timidamente.
— Alexander, eu tô bonita assim?
Alexander lançou um olhar rápido para ela e assentiu, indiferente:
— Desde que você goste.
Bertha, percebendo a frieza dele, estava prestes a dizer alguma coisa, mas Alexander se virou e subiu as escadas sem acrescentar uma palavra.
Sophia, que estava se empanturrando na sala de jantar, soltou um arroto de repente.
William empurrou uma xícara de chocolate quente na direção dela.
Sophia virou-se para ele:
— William, a mamãe com certeza vai naquela festa hoje. Agora que a Stella vai com o senhor Smith, você não tá preocupado de a mamãe ser maltratada por aquela mulher má?
— Não é pra isso que você tá aqui?
Sophia abriu um sorriso. William a conhecia bem.
Na mesma hora, ela tirou um punhado de cápsulas do bolso, separou-as e despejou o pó em uma xícara de café, mexendo bem.
Ela esperou Alexander sair do quarto, depois se levantou rapidinho, pegou o café, caminhou até Stella com um sorriso bobo e estendeu a xícara para ela.
O sorriso de Stella congelou. Ela não se atrevia a beber o café, mas, na frente de Alexander e Bertha, não podia dizer nada. Então falou:
— Amelia, obrigada, que gracinha de você. Mas eu já passei batom, não posso tomar café agora.
Sophia fingiu não entender e empurrou o café ainda mais na direção dela.
Stella xingou a garotinha tola por dentro.
— Srta. Brown, ela veio toda solícita trazer café pra você e você nem é capaz de aceitar? — Alexander, sem querer ver a filha decepcionada, franziu a testa, e a voz dele ficou fria.
O rosto de Stella escureceu na hora.
Mas ela sabia que, no coração de Alexander, nada era mais importante do que a filha.
Se continuasse recusando o café, Alexander podia muito bem decidir não levá-la.
E Sophia continuava segurando a xícara, insistindo para que ela bebesse.
Sem alternativa, Stella forçou um sorriso e disse:
— Alexander, você entendeu mal.
Pegou o café e acrescentou:
— Obrigada, Amelia.
Ela ainda tentou afagar a cabeça da garotinha, num gesto de carinho, mas Sophia virou-se e saiu correndo.
Stella xingou a pestinha em pensamento, mas manteve um sorriso suave nos lábios. Bebeu o café e comentou:
— Tá uma delícia. Obrigada, Amelia.
Na verdade, o café estava bem amargo.
Sophia riu às escondidas, num ponto em que Stella não pudesse vê-la.
Alexander enfim comentou, sem expressão:
— Então vamos indo.
Dito isso, eles saíram juntos.
Ao mesmo tempo, Evelyn e Monica também partiram.
Evelyn levou Monica dirigindo ela mesma até o local da festa.
Quando o carro parou, Monica respirou fundo.
Evelyn olhou para ela e não conteve o riso:
— Monica, precisa ficar tão nervosa assim?
— Não tô.
Monica conferiu o vestido mais uma vez e perguntou a Evelyn, pela terceira vez:
— Você tem certeza de que eu tô bem com essa roupa?
