Capítulo 13 Ela já havia desistido há seis anos
Stella viu a chance de incriminar Monica de novo e agarrou na hora. Seus olhos se encheram de lágrimas instantaneamente; ela se colocou entre os dois homens e começou a soluçar:
— Alexander, senhor Johnson, por favor, parem de discutir por minha causa. Hoje era pra ser um dia de alegria, a gente tá aqui pra comemorar a grande inauguração da vinícola do Grupo Johnson. Se acontecer qualquer coisa desagradável por minha culpa, eu vou me sentir muito culpada.
Monica assistia à ceninha de lado. Desde quando aquilo era uma briga por causa dela? Stella só estava mexendo os pauzinhos.
Na Cidade Esmeralda, Alexander e Michael eram figuras de peso na alta sociedade. Incontáveis mulheres os admiravam e sonhavam em chamar a atenção deles. Mas agora, pelas palavras de Stella, parecia que aqueles dois homens poderosos estavam em conflito por causa de uma única mulher.
Embora Stella parecesse estar falando de si mesma, o alvo verdadeiro era Monica. A cada frase, ela insinuava, com sutileza, o passado de Monica, claramente tentando atiçar as mulheres presentes e direcionar a hostilidade delas contra Monica.
Então Stella foi até a frente de Monica e, de costas para ela e de frente para todos, começou a chorar e a implorar:
— Por favor, não culpem mais a minha irmã. Ela não fez por mal naquela época. Ela só amava demais o Alexander e acabou fazendo uma besteira num momento de impulso. Por favor, não guardem mais ressentimento dela. Eu realmente não me importo com o que aconteceu. Tudo o que eu quero é que ela volte pra casa. Só isso já me deixaria muito feliz.
Antes que Stella terminasse, alguém não se conteve e começou a xingar:
— Que tipo de pessoa é essa Monica? Ela empurrou a própria irmã escada abaixo e ainda roubou o noivo dela. Uma mulher tão cruel assim é que devia estar ajoelhada aqui, pedindo desculpa pra todo mundo. Por que é que a gente é que tem que pedir o perdão dela?
— Isso mesmo, senhorita Brown, não seja boazinha demais. A vítima aqui é você. Por que é que a senhora tem que passar a mão na cabeça dela?
— Essa mulher cruel tá te ameaçando por trás, é isso? — outra pessoa gritou. — É só dizer uma palavra que a gente faz justiça por você!
Stella rapidamente sacudiu a mão.
— Não, não, a Monica não me ameaçou em nada. A culpa é toda minha. Por favor, parem de falar mal dela. Eu realmente não quero que as coisas piorem.
No entanto, a tentativa dela de defender Monica só parecia jogar mais lenha na fogueira.
— Assim não dá! Você até pode aguentar, mas nós é que não vamos!
— Isso mesmo! Senhor Johnson, expulse a Monica da vinícola, senão a gente vai embora!
— É isso! Bota ela pra fora! Uma pessoa como ela não merece participar de um evento desses. Se ela não sair, então nós é que vamos sair!
Quase todos ali eram figuras importantes da Cidade Esmeralda, gente muito rica ou de famílias tradicionais.
A situação começou a sair rapidamente do controle, e até Michael teve dificuldade pra acalmar todo mundo.
Stella observava de lado, com um sorriso de desprezo: “Monica, se prepara pra virar alvo de todo mundo. Quero ver como você vai continuar vivendo na Cidade Esmeralda! É melhor sair quietinha, senão eu não vou deixar você ter um minuto de paz!”
Monica acabou percebendo o sorriso sinistro e vitorioso no rosto de Stella. Ela tinha que admitir que a hipocrisia e a capacidade de atuação de Stella eram realmente impressionantes. Se a ocasião fosse outra, Monica talvez até aplaudisse a performance.
Com apenas algumas palavras, aquela enorme vinícola tinha se transformado num circo.
— Senhor Johnson, o senhor não vai mandar essa mulher embora? — alguém falou, impaciente, com Michael. — O senhor pretende mesmo expulsar todos nós por causa dela?
Mônica estava prestes a falar. Afinal, hoje era a inauguração da vinícola e, se aquelas pessoas fossem embora, isso não seria bom para o Michael.
Ela não podia se permitir causar problemas desnecessários para o Grupo Johnson.
Mas, antes que conseguisse abrir a boca, uma voz fria cortou de repente o clima tenso:
— Se quiserem ir embora, vão. Ninguém aqui está impedindo.
Todos se viraram para ver quem tinha falado. A pessoa que tinha falado não era outro senão Alexander — o mesmo homem que, mais cedo, tinha empurrado Mônica para o centro das atenções.
E agora ele estava se colocando à frente e se manifestando. Qual era o problema dele?
O burburinho em volta começou a diminuir, e todos os olhares se voltaram para Alexander.
Alexander percorreu a multidão com o olhar, devagar, o olhar frio e intimidador.
— Desde quando essa vinícola virou lugar de fofoca? E quem foi que deu coragem a vocês pra discutir assuntos da minha família bem na minha frente?
As últimas palavras dele transbordavam raiva.
Algumas pessoas ficaram um pouco contrariadas por dentro. No fim das contas, não tinha sido ele o responsável por desencadear toda aquela situação? E agora ainda agia como se o público tivesse passado dos limites só por comentar o assunto.
Mas ninguém teve coragem de dizer o que pensava.
Muitos negócios na Cidade Esmeralda dependiam do Grupo Smith para sobreviver. Ninguém estava disposto a ofender Alexander abertamente.
O salão ficou em silêncio, e ninguém ousou falar.
O olhar de Alexander voltou a se mover e pousou em Mônica.
Mas Mônica não olhou de volta para ele.
Ela abaixou os olhos e ficou quieta. No fundo, não acreditava que Alexander estivesse a defendendo. Se não fosse por ele, ela não estaria ali, com todo mundo direcionando a hostilidade para ela.
Felizmente, seis anos atrás — na noite em que se afastou dele — ela já tinha desistido completamente dele.
Ela não esperava mais nada dele.
Ao pensar nisso, deixou escapar uma risadinha.
As pessoas em volta a encararam, perguntando-se se ela tinha enlouquecido, rindo numa hora daquelas.
Claro que ninguém sabia o que ela estava realmente pensando.
Até Alexander franziu levemente a testa ao ver a reação dela.
Michael se aproximou dela e disse, em tom de desculpa:
— Srta. Brown, sinto muito pelo transtorno que a senhora passou hoje. Gostaria de ir para uma das salas privativas e descansar um pouco?
— Sr. Johnson, o senhor é muito gentil — respondeu Mônica, calma. — Mas não é hora de descansar. Ainda temos assuntos importantes para tratar.
— Assuntos importantes? — Michael pareceu confuso. — Srta. Brown, o que a senhora quer dizer?
Mônica não respondeu de imediato. Em vez disso, deu uma olhada pelo salão e percebeu que cada vez mais gente observava a cena, curiosa. Ela sorriu de leve e estendeu a mão para Michael:
— Sr. Johnson, hoje eu vim representando a CLOUD Design Company para tratar da nossa futura parceria.
A voz dela foi clara e alta o suficiente para que todos ouvissem.
Mônica representava a CLOUD?
Até Alexander — que vivia em atrito com Michael — tinha ido à inauguração da vinícola hoje por causa da Helen, da CLOUD, que dirá o resto dos presentes.
Muitas empresas estavam ansiosas para colaborar com a CLOUD. No entanto, como o Grupo Johnson e o Grupo Smith competiam por essa oportunidade, as outras companhias praticamente não tinham chance.
A CLOUD tinha se tornado um grande nome no mundo da arquitetura.
À medida que mais expressões de espanto surgiam pelo salão, o olhar afiado de Alexander também se fixou em Mônica.
Ele já tinha desconfiado que a CLOUD pudesse ter algum conflito com o Grupo Smith, mas nunca imaginou que a própria Mônica pudesse ter ligação com a CLOUD.
Michael olhou para Mônica, sem acreditar:
— Srta. Brown, a senhora é a Helen?
