Capítulo 002: Retornando com um tesouro
Seis anos depois, no Aeroporto Internacional da Cidade Esmeralda.
Monica empurrava um carrinho lotado de malas para fora do saguão.
Seu cabelo longo e ondulado caía sobre as costas, e seu rosto marcante chamava a atenção de todos na mesma hora.
Mas o que realmente fazia todo mundo olhar eram os gêmeos, um menino e uma menina, andando ao lado dela.
O menino, de terno esportivo azul-marinho e uma mochilinha nas costas, vinha atrás de Monica com um ar relaxado e confiante. Ele parecia uma versão mais jovem de Alexander.
A menina usava o cabelo preso em rabo de cavalo, uma camiseta combinando com a saia e carregava uma mochila igual à do irmão, só que de outra cor. Ela vinha atrás dele, o rosto iluminado por um sorriso radiante.
A aparência chamativa da mãe com os filhos atraiu imediatamente a atenção de todos, e muita gente já estava pegando o celular para tirar fotos.
O menino olhou em volta, visivelmente incomodado com tanta atenção. Em seguida, ele colocou um par de óculos escuros pretos que pendiam em volta do pescoço, parecendo bem mais maduro e sofisticado do que sua idade sugeria.
A menina, por sua vez, sorria ainda mais diante das câmeras e dos gritos da multidão, acenando como uma estrela do pop.
Monica não estava conseguindo acompanhar as estripulias dos dois e chamou:
— William, Sophia, a gente está de volta em casa. Se comportem e fiquem perto.
Os gêmeos viraram a cabeça ao mesmo tempo.
William Brown assentiu, tranquilo:
— Entendi, mamãe. A gente vai tomar cuidado.
Sophia Brown ergueu o rosto para Monica, com um sorriso doce e inocente:
— Mamãe, o que a gente fez?
— Não vem bancar a inocente pra cima de mim. — Monica conhecia bem demais a filha. Quanto mais aberto era o sorriso, maior era a arte que ela estava aprontando.
— Tá bom, eu vou me comportar. — Sophia deu de ombros, fazendo cara de obediente.
Monica balançou a cabeça com um suspiro, mas os olhos ainda cheios de carinho.
Ela tinha achado que nunca mais cruzaria com Alexander, até descobrir que estava grávida daquela noite de seis anos atrás — de quadrigêmeos.
Criada na roça só pela avó, ela sempre sonhou em ter uma família.
Aquela gravidez parecia um presente enviado por Deus, mas, no parto, dois dos bebês não resistiram, ficando apenas o mais velho, William, e a caçula, Sophia.
A inteligência impressionante dos dois muitas vezes a deixava sem saber o que fazer e sempre fazia com que se lembrasse dos que perdeu.
Se eles estivessem aqui, seria perfeito.
Perdida nesses pensamentos, de repente ela notou uma figura familiar no meio da multidão.
Ele estava de lado, falando ao telefone.
Ela reconheceu Alexander só de ver suas costas, irradiando a mesma frieza de antes.
Que azar, dar de cara com Alexander logo no primeiro dia de volta.
Sentindo o olhar de alguém sobre si, Alexander virou a cabeça rapidamente e olhou direto para Monica.
Monica deu meia-volta, enfiou a mão na bolsa, pegou uma máscara e colocou no rosto, com o coração disparado.
Não era que tivesse medo de Alexander, mas ela não queria que ele soubesse das crianças, com medo de que tentasse tirá-las dela.
Ela precisava sair dali rápido.
Ela chamou baixinho:
— William, Sophia, cheguem mais perto.
Os gêmeos perceberam a tensão repentina da mãe, mas não falaram nada, apenas a seguiram em direção à saída.
No entanto, havia algumas pessoas que não eram funcionárias vigiando cada saída.
Monica sabia que provavelmente tinham sido colocadas ali pelo Alexander.
Ela escolheu a saída com menos gente, mas acabou dando de cara com outro rosto familiar — Joseph Miller.
Joseph era assistente do Alexander havia anos e conhecia bem a Monica.
Monica rapidamente mandou os filhos pararem, tirou duas pequenas máscaras da bolsa e as colocou neles. Depois sussurrou:
“William, Sophia, saiam pela entrada da frente, virem à direita e, a uns cem metros, vocês vão ver o carro da Evelyn, um Audi branco. Vão encontrar com ela primeiro, que eu chego depois, tá bom?”
“Tá bom.” Os dois assentiram ao mesmo tempo.
Monica não perdeu tempo e se virou para ir embora.
Mas assim que ela saiu, Sophia largou a pose de comportada e, com um sorriso travesso, falou para William:
“Eu também quero ver o que tá acontecendo.”
William já esperava isso. Ele segurou o braço dela rapidamente, franzindo a testa:
“A mamãe mandou a gente ir encontrar a Evelyn.”
“Então você vai primeiro, eu vou depois.” Sophia se desvencilhou e saiu correndo.
Com medo de ela arrumar confusão, William correu atrás.
Enquanto isso, Monica conseguiu evitar o olhar do Alexander e entrou no estacionamento por outra saída, indo ao encontro da amiga, Evelyn Thomas. De repente, ouviu um grito desesperado ali perto.
Ela olhou na direção do som e viu um menino mais ou menos da mesma idade de William e Sophia correndo pelo estacionamento, chamando por alguém.
Monica não queria se envolver, mas ver uma criança correndo em um estacionamento era perigoso demais. Como mãe, não conseguiu ignorar e caminhou até ele.
Depois de procurar por um tempo, o menino parou e pegou o celular para fazer uma ligação.
Quando Monica se aproximou mais, finalmente conseguiu ver o rosto dele com clareza — e seu semblante mudou. Ela apressou o passo.
“William, eu não falei pra você encontrar a Evelyn primeiro? O que você tá fazendo aqui sozinho?”
O menino a ignorou, discando um número com a cabeça baixa.
Monica simplesmente pegou o celular da mão dele.
Já aflito por não achar a irmã e ainda por cima com o celular tomado, o menino explodiu:
“Quem é você pra pegar o meu celular?”
“Eu sou a sua mãe!”, Monica respondeu, irritada.
Ela vinha estranhando o comportamento esquisito do filho, que sempre fora tão calmo, mas, vendo que ele estava sozinho, perguntou às pressas:
“Por que você tá sozinho? Cadê a sua irmã?”
Ainda sem entender direito, o menino respondeu:
“Ela se perdeu.”
A voz dele estava cheia de ansiedade e culpa.
Vendo isso, Monica segurou a mão dele e o tranquilizou:
“A mamãe vai ajudar você a encontrar ela.”
O menino deixou que ela o conduzisse.
Logo, eles encontraram a menina em um canto isolado do estacionamento, caída no chão, imóvel, o rosto pálido e os lábios arroxeados.
O menino disparou na direção dela.
Monica rapidamente pegou a menina no colo, notando que o corpo ainda estava quente.
Ela se abaixou, encostando o ouvido no peito da garota, e ouviu um chiado, a respiração cada vez mais fraca — sintomas de asma.
Monica ficou confusa. Sophia sempre foi saudável e nunca teve asma.
Mas não havia tempo para pensar nisso agora. Monica fez a menina se sentar bem reta e começou a esfregar suas costas com cuidado para ajudá-la a respirar.
Os sintomas da garota foram melhorando aos poucos. Ela abriu os olhos nos braços de Monica e, olhando para o rosto dela, murmurou:
“Mamãe.”
