Capítulo 003 Identidade equivocada no aeroporto

Mônica foi pega de surpresa. Claro, a Sophia adorava se agarrar nela e fazer gracinha, mas também era super inteligente e extremamente independente. Normalmente era a Sophia que aprontava, nunca a que levava trote. Ouvir a menina chamá-la de “mamãe” com aquela mistura de tristeza e carência era inédito.

O coração de Mônica apertou. Ela abraçou Sophia com força e sussurrou:

— A mamãe tá aqui, Sophia. Não se preocupa, agora tá tudo bem.

O menino ali perto finalmente soltou o ar, mas então seus olhos se arregalaram quando viu Amelia Smith toda encolhida nos braços da mulher.

Ele sabia que a irmã, Amelia, tinha passado por muita coisa depois daquele sequestro, dois anos atrás. Ela tinha ficado super fechada, quase não falava com ninguém. Mesmo na Mansão Smith, só deixava o pai e ele chegarem perto, nem a avó ela deixava se aproximar.

E agora ela estava ali, se aninhando no colo de uma desconhecida e chamando essa mulher de “mamãe”?

O que estava acontecendo?

Enquanto ele tentava entender, o celular de Mônica tocou.

Quando a tela acendeu, o menino viu a foto de uma mãe com dois filhos. A mãe era claramente a Mônica, e o menino e a menina na foto eram idênticos a ele e à Amelia.

Os olhos dele se arregalaram ainda mais. Aquilo era de verdade?

— William? — Mônica perguntou, percebendo a reação dele. — O que deu em você hoje?

Nunca tinha visto William tão confuso. Ele sempre fora o centrado, o calmo.

O menino apenas encarou Mônica, sem entender nada.

Foi então que Mônica percebeu que não era só o comportamento deles que estava estranho: as roupas também eram diferentes.

O menino usava um terninho elegante, parecendo um mini cavalheiro.

E a menina estava com um vestido rosa de princesa.

Mesmo que nunca usassem aquele tipo de roupa, eles estavam uma graça.

Principalmente o menino, que tinha perdido o ar habitual de “descolado”, o que o deixava ainda mais fofo.

Mônica suspirou:

— Eu mandei vocês encontrarem a Evelyn e vocês ainda trocaram de roupa. Acham que a Evelyn nunca viu vocês todos bagunçados antes? Tá bom, vamos logo, a Evelyn ainda tá esperando. E quando a gente voltar eu preciso examinar a Sophia direitinho.

Ela pegou o celular e viu uma mensagem da Evelyn. Respondeu com uma mensagem de voz:

— Evelyn, espera um pouquinho, tô indo aí.

Guardou o telefone e se levantou.

Amelia continuou grudada nela, o olhar cheio de confiança.

O coração de Mônica apertou de novo. Ela se abaixou, beijou a bochecha de Amelia e disse, com carinho:

— A mamãe precisa empurrar as malas, então você segura a mão do William e vem com a mamãe, tá? Vamos encontrar a Evelyn primeiro, combinado? Se você continuar se sentindo mal, tem que contar pra mamãe, tá bom?

— Tá bom — Amelia assentiu.

Mônica colocou a mãozinha dela na do menino e foi guiando os dois.

Dessa vez, o menino não resistiu. Seus olhos grandes varriam tudo em volta, tentando entender o que estava acontecendo.

Não muito longe dali, William e Sophia, que tinham conseguido alcançá-los, ficaram parados, chocados, vendo Mônica se afastar com duas crianças.

Sophia perguntou:

— O que é isso? A gente foi chutado assim, sem mais nem menos?

William retrucou:

— Você não devia estar se perguntando por que existem duas pessoas idênticas à gente?

Sophia brincou:

— Ah, é. Vai ver a gente foi clonado.

William manteve a expressão séria e entrou na brincadeira:

— Ou então caímos num universo paralelo.

Eles conversavam à vontade, mas suas mentes trabalhavam a mil.

Clones e mundos paralelos pareciam coisa de outro mundo. Os dois sabiam que, originalmente, tinham nascido como parte de um grupo de quadrigêmeos.

William tinha um irmão gêmeo idêntico, e Sophia tinha uma irmã gêmea idêntica.

Eles não sabiam o que tinha acontecido na época, mas seus irmãos tinham desaparecido.

Sophia perguntou:

— Então... eles não morreram?

William assentiu.

— Alguém deve ter levado eles.

Sophia especulou:

— E depois usou eles pra se aproximar do nosso pai babaca por algum motivo?

William acrescentou:

— Ou talvez o nosso pai babaca tenha levado eles.

Os irmãos começavam a montar o quebra-cabeça.

Sophia cerrou os punhinhos de raiva.

— Como é que eles têm coragem de levar nossos irmãos e fazer a Mamãe ficar triste todo dia? Se eu descobrir quem fez isso, essa pessoa vai pagar!

William segurou a mão dela.

— Vamos. A gente precisa encontrar a Mamãe.

Sophia assentiu.

Quando estavam prestes a sair, seis homens de terno apareceram de repente na frente deles.

Eles se alinharam em uma fileira e chamaram, respeitosos:

— Sr. Smith, Srta. Smith.

Em seguida, formaram duas fileiras, abrindo um caminho no meio.

William e Sophia ergueram os olhos e viram Alexander avançando na direção deles.

Ele usava um terno clássico preto e branco. Com a aura fria e nobre que emanava de sua expressão, os seguranças à sua frente nem ousavam abrir a boca.

Os dois pequenos, porém, não se intimidaram nem um pouco. Suas cabecinhas se inclinaram instintivamente uma para a outra.

Sophia teve um pressentimento e sussurrou:

— Ele é o nosso pai babaca? Ele até parece um pouco com você!

William não disse nada; apenas o encarou com frieza.

Ele já tinha invadido o banco de dados de Alexander, visto suas fotos e sabia como ele era.

Alexander encontrou o olhar dele e ficou momentaneamente surpreso.

Seu filho, Daniel Smith, era destemido e um diabinho na Terra, mas nunca tinha sido tão calmo e contido.

Ele estava prestes a se aproximar quando Joseph o alcançou por trás.

Joseph murmurou:

— Sr. Smith, não conseguimos encontrar a Helen. Ela deve ter saído do aeroporto.

Ele lançou um olhar para William e Sophia, deixando claro que, se aqueles dois pequenos não tivessem desaparecido de repente, obrigando Alexander a deslocar a maior parte da equipe para procurá-los, eles não teriam deixado Helen escapar.

Mas aqueles dois pequenos eram os tesouros da família Smith, então, mesmo frustrado, Joseph não se atreveu a dizer nada em voz alta.

Alexander não o culpou; apenas disse:

— Não precisa procurar mais. Manda todo mundo recuar.

Embora o Grupo Smith estivesse interessado em colaborar com o CLOUD Design Institute da Helen, o principal motivo de Alexander ter vindo ao aeroporto naquele dia não era esse.

Ele tinha ouvido dizer que Helen era uma arquiteta de ponta e uma médica brilhante, conhecida por curar qualquer doença. Por isso, tinha vindo principalmente para pedir que ela tratasse Amelia.

William e Sophia, sem saber de nada, desconfiavam que ele estivesse tramando algo contra Monica.

Quando Alexander se aproximou deles, William deu um passo à frente sem dizer uma palavra, colocando Sophia atrás de si. Ele encarou Alexander e, com seu tom habitual calmo e indiferente, perguntou:

— O que você quer?

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