Capítulo 004 Jerk Dad

Os seguranças e Joseph assistiram a tudo. Em toda a Cidade Esmeralda, Daniel era o único que ousava falar com Alexander daquele jeito.

Todos prenderam a respiração.

Alexander ficou parado diante das duas crianças, falando com muita raiva:

— Daniel, você tem muita coragem. Tirar sua irmã escondida do hospital e me seguir até o aeroporto? E se acontecesse alguma coisa com a Amelia?

William manteve os lábios fechados, sem dizer nada.

Daniel? Era aquele menino que ele tinha visto antes, o que parecia exatamente com ele?

Então ele era o filho de Alexander, o neto mais precioso da família Smith.

Parecia que Alexander era bom com a filha, mas nem tanto com o filho. Não era à toa que o garoto tinha fugido de casa.

— Por que você não fala nada? — Alexander ficou surpreso ao ver o filho tão calado. Achou que Daniel tinha percebido o erro, então suavizou um pouco o tom, mas ainda precisava que eles entendessem. — Você precisa saber dos seus limites. A saúde da Amelia não é boa. Não é porque você está na Cidade Esmeralda que ninguém vai fazer nada com você. Não aja por impulso assim de novo.

William continuou sem dizer uma palavra.

Sophia nunca tinha visto William ser repreendido daquele jeito e quis falar alguma coisa, mas William sinalizou discretamente para ela ficar quieta.

Sophia não teve escolha a não ser fechar a boca.

Vendo o silêncio insistente do garoto e aquela frieza, Joseph interveio para tentar acalmá‑lo:

— Senhor Daniel Smith, o senhor Alexander Smith ficou desesperado quando não encontrou vocês dois. Se o senhor tinha alguma dúvida, deveria ter perguntado ao senhor Alexander Smith. Ele veio ao aeroporto hoje para procurar a doutora Helen, para tratar a senhorita Amelia Smith, não para viajar para o exterior com a senhorita Brown. O senhor realmente entendeu tudo errado.

William e Sophia trocaram um olhar. Então Daniel e Amelia tinham fugido de casa por causa do envolvimento dele com aquela mulher ruim.

Ele sabia sobre Stella. Ela se passou por herdeira da família Brown, tomou o controle de tudo que pertencia a Monica e isso acabou fazendo com que Monica desse à luz a ele e a Sophia sozinha, em um país estrangeiro.

E agora, não satisfeita em machucar a mãe dele, queria machucar os irmãos também.

William lançou um olhar frio para Alexander:

— Você é tão amoroso e compreensivo. Por que não casa logo com a mulher que machucou a minha mãe, se gosta tanto dela?

— O que você disse? — O rosto de Alexander ficou completamente fechado.

O ambiente inteiro pareceu gelar por causa da raiva dele.

Joseph ia dizer algo para aliviar a tensão, mas, antes que falasse, Sophia resmungou:

— Babaca.

Todos ficaram de queixo caído, principalmente Alexander. Ele encarou Sophia com os olhos arregalados.

Pelo que ele sabia, Amelia nunca falava com ele. Antes, só se comunicava com gestos simples, mas agora estava falando.

Ele não se importou com o fato de ela estar xingando. Deu um passo à frente imediatamente, agachou diante dela e segurou de leve seus ombrinhos:

— Amelia, olha pro papai. Fala alguma coisa pro papai.

Sophia se perguntou de que doença Amelia sofria, afinal.

William fez um sinal para ela continuar representando. Ele queria saber o que tinha acontecido e por que os quatro irmãos tinham sido separados por tantos anos.

Sophia entendeu a intenção de William e abaixou a cabeça, sem falar.

Alexander achou que a tinha forçado a voltar para a casca e a abraçou para consolá‑la:

— Tá bom, o papai não vai insistir mais. O papai vai te levar pra comer uma coisa bem gostosa, tá? O que você quer comer?

Sophia pensou por um instante. Evelyn tinha comentado em levá‑los ao Hotel Palácio Azure para comer comida japonesa.

Então ela disse:

— Comida japonesa no Hotel Palácio Azure.

Alexander ficou radiante ao ouvi‑la expressar claramente o que queria e não seria capaz de negar nenhum pedido dela.

Ele segurou a filha nos braços e lançou um olhar para William:

— Daniel, vem comigo.

William ficou sem palavras.

A mãe sempre tinha ensinado eles sobre igualdade entre meninos e meninas. Mas Alexander claramente fazia diferença entre filho homem e filha mulher. Não era de surpreender que Daniel tivesse fugido de casa.

Hotel Palácio Azure.

Monica e Evelyn chegaram primeiro, trazendo mais um par de crianças fofas com elas.

Eles se acomodaram na mesa que tinham reservado.

Depois de pedir alguns pratos, Evelyn entregou o iPad para as crianças.

— Docinhos, vejam se tem mais alguma coisa que vocês querem comer. Peçam o que quiserem. Hoje é por minha conta.

Amelia ficou quieta e se encostou mais em Daniel.

Daniel, por outro lado, não tinha nenhuma timidez. Pegou o iPad. Aquele hotel fazia parte do Grupo Smith, e ele já tinha ido lá muitas vezes. Rapidinho, ele pediu todos os pratos famosos da casa.

Depois devolveu o iPad para Evelyn com um sorriso doce.

— Obrigado.

Evelyn ficou surpresa com o sorriso dele e levou um instante para se recompor. Virou-se para Monica e perguntou:

— Ele não costuma ser bem sério? O que deu nele hoje?

— Talvez ele tenha levado um susto no aeroporto. — Monica sentou do outro lado de Amelia, colocou a menina no colo e perguntou: — Sophia, você está sentindo alguma coisa? Está incomodando em algum lugar?

A menininha balançou a cabeça, obediente, enfiando o rosto no peito de Monica e pensando: “É assim que é ter uma mamãe?”

Daniel olhava com ciúmes, sem entender por que Amelia estava tão grudada naquela mulher.

Então ele pulou da cadeira, foi até o lado de Monica e encostou o rostinho no braço dela, esfregando de leve.

Fazia muito tempo que Monica não via o filho agir de forma tão carinhosa. Ela o abraçou também e o consolou:

— William, você ficou com medo hoje? Está tudo bem. O que aconteceu com a Sophia foi uma coisa inesperada. Não foi culpa sua. A mamãe não culpa você.

Como Sophia sempre tinha sido uma bebê saudável e nunca ficara doente, os irmãos nunca tinham passado por uma situação daquelas. Monica achou que o comportamento estranho deles naquele dia era por causa do susto. Afinal, eles ainda tinham só cinco anos.

Daniel sentiu uma pontada aguda de tristeza ao ouvir a voz gentil dela.

Por causa do autismo de Amelia, por ela ser diferente das outras crianças, Alexander sempre dizia para ele cuidar de Amelia e ceder em tudo para ela, mas nunca tinha dito que não era culpa dele.

“Se ao menos ela fosse minha mamãe.” Pensando nisso, ele se esfregou nela de novo.

Monica abraçou os dois, criando uma cena incrivelmente acolhedora.

Enquanto isso, Alexander, William e Sophia, do outro lado, não estavam nem um pouco em harmonia.

Eles tinham entrado em um salão privativo por outro caminho.

Alexander sentou-se à cabeceira da mesa, com Sophia à sua esquerda e William mais à esquerda.

Sophia olhou para a pessoa à esquerda, depois para a pessoa à direita. A postura, a aura e o ar de frieza eram exatamente os mesmos: um em tamanho grande e outro em tamanho pequeno.

Ela normalmente era bem falante, mas agora não ousava emitir nenhum som.

O ambiente no salão era assustador, e o clima ficou ainda mais tenso.

O garçom que servia os pratos não se atrevia a olhar para eles e tremia o tempo todo.

Joseph se aproximou de William, colocou comida no prato dele e o agradou:

— Senhor Daniel Smith, por favor, coma. Eu tiro as cascas do caranguejo para o senhor. O senhor Alexander Smith sabe que o senhor adora frutos do mar e mandou preparar especialmente king crab e lagosta azul premium. Por favor, seja bonzinho e não deixe ele bravo de novo.

Dizendo isso, começou a descascar o caranguejo.

William olhou para ele de um jeito estranho e disse friamente:

— Obrigado, eu sei comer sozinho.

Ele estava acostumado a fazer as coisas por conta própria.

Joseph ficou atônito. Ainda era o Daniel?

Em casa, Daniel sempre tinha empregados para tirar as cascas de caranguejo e camarão para ele. O que estava acontecendo naquele dia?

Alexander estava ao telefone. Ao ver os pratos sendo servidos, ele encerrou a ligação rapidamente. A filha nunca comia sozinha e precisava ser alimentada, garfada por garfada, por causa da doença.

Mas ela rejeitava a aproximação de outras pessoas, só aceitava comida do irmão ou do pai.

Alexander, por hábito, pegou os talheres. Quando foi alimentá-la, percebeu que ela já estava comendo sozinha, e ainda por cima com gosto.

Alexander ficou chocado e demorou um pouco para perguntar:

— Amelia, está gostoso?

Sophia pareceu que ia falar, mas acabou ficando em silêncio.

Alexander ainda ia dizer mais alguma coisa, mas o celular dele tocou de novo.

Sophia lançou um olhar de lado e viu o nome “Stella” na tela.

Capítulo Anterior
Próximo Capítulo