Capítulo 005 A mulher hipócrita
Alexander não hesitou. Pegou o telefone ali mesmo na sala reservada e atendeu, com calma:
— Fala.
A voz de Stella veio do outro lado, cautelosa:
— Alexander, você já encontrou o Daniel e a Amelia?
Ele nem se deu ao trabalho de responder à pergunta dela.
— Se não for nada urgente, vou desligar.
— Alexander, você tá com raiva de mim? — a voz de Stella tremeu, dava pra ouvir as lágrimas. — Eu não fiz por mal. Sua mãe disse que, depois de tantos anos, a gente já devia estar casado. Eu não sabia que o Daniel ia escutar. A culpa é minha. Se eu soubesse que ele ia fugir com a Amelia, eu não tinha ido pra Mansão Smith.
A voz dela ecoou na sala silenciosa.
Sophia ouviu tudo, um sorriso malicioso brincando nos lábios. Ela se virou para William:
— É isso que os adultos chamam de ser falsa?
William assentiu, sério.
Até ele tinha percebido aquele truque ridículo. Ele não conseguia entender por que Alexander caía naquilo.
Joseph, em pé ali perto, não conseguiu segurar a risada.
Alexander lançou um olhar na direção dele, e ele se calou na hora.
Stella, ouvindo as vozes do outro lado, perguntou às pressas:
— Alexander, eram o Daniel e a Amelia agora há pouco?
Ignorando a pergunta, Alexander disse:
— Já que você sabe que não devia ter ido pra Mansão Smith, então não vá mais. Não quero que o que aconteceu hoje se repita.
E desligou, sem dar chance pra Stella responder.
Ao mesmo tempo, William pousou a tigela e se levantou. Seu rostinho sério não mostrava nenhuma emoção. Mas Sophia sabia que ele estava com raiva.
Ela se levantou também.
Alexander esfregou a testa, pegou a mão da filha e falou, com suavidade:
— Princesa, não importa que tipo de pessoa ela seja, o papai não liga. Senta e come.
O tom era gentil, mas firme.
Só que os irmãos não engoliram.
William falou friamente:
— Sr. Smith, não ache que pode enganar a gente só porque a gente é criança. Se o senhor realmente não ligasse pra ela, não estaria com ela sabendo que a gente não gosta dela.
— Então o que você quer? — perguntou Alexander.
— Que o senhor corte totalmente o contato com aquela mulher — exigiu William, irredutível.
— Daniel, chega! — o tom de Alexander ficou sério.
Mas William não recuou.
Ele não podia deixar uma encrenqueira dessas ficar por perto e machucar os irmãos.
O clima ficou pesado na sala.
Joseph se apressou em intervir:
— Sr. Daniel Smith, o nosso Grupo Smith e o Grupo Brown têm negócios juntos. A Srta. Brown é a gerente-geral do Grupo Brown. É impossível não ter nenhum contato. Por favor, não faça escândalo.
William ainda assim não cedeu e encarou Alexander:
— Que foi, o Grupo Smith não sobrevive sem a parceria com o Grupo Brown? Isso é só desculpa! Se o senhor realmente não consegue largar dela, então tudo bem, a gente vai atrás da mamãe!
Dito isso, William segurou a mão de Sophia e já ia saindo.
Enquanto caminhavam em direção à porta, ela se virou para Alexander e lançou um olhar:
— Idiota!
— Chega! — Alexander bateu a mão na mesa, fazendo os pratos tilintarem.
Sophia, que era a mais perto dele, se encolheu.
Percebendo que tinha assustado a filha, Alexander amoleceu na hora:
— Princesa, não fica com medo. O papai não tava brigando com você.
Ele se virou para William, o tom cortante:
— Daniel, já deu, né? Eu já falei: a mãe de vocês morreu. Onde é que você vai achar ela? Volta aqui!
Reprimindo a raiva, Alexander completou:
— Eu prometo que vou encerrar o projeto com o Grupo Brown o mais rápido possível e cortar todo contato com a Stella. Assim tá bom?
William ficou em silêncio por um momento. Puxou Sophia para perto de si, depois olhou friamente para Alexander:
— A gente conversa depois que o senhor terminar.
Ele ainda mentiu para ele dizendo que Monica tinha morrido. William ficou realmente furioso e puxou Sophia para ir embora.
Assim que abriram a porta, dois seguranças bloquearam a passagem e disseram em uníssono:
— Senhor Smith, senhorita Smith!
— Saiam da frente! — William disse, com a expressão impassível.
Os seguranças se calaram, permanecendo imóveis e bloqueando o caminho.
William se virou e olhou para Alexander.
— Senhor Smith, o que significa isso? A gente nem pode ir ao banheiro?
Alexander, irritado demais para falar, apenas fez um gesto com a mão. Os seguranças se afastaram.
William puxou Sophia e saiu correndo.
Joseph disse:
— Senhor Alexander Smith, o senhor não acha que o senhor Daniel Smith e a senhorita Amelia Smith estão estranhos hoje?
Alexander balançou levemente a cabeça, com um sorriso amargo surgindo nos lábios. Estranhos?, pensou. O Daniel não foi normal nem um único dia na vida dele.
Ele realmente não entendia por que o filho era tão rebelde, nada parecido com ele. Porém, ver a filha melhorando aos poucos era uma coisa boa.
Joseph perguntou de novo:
— O senhor Daniel Smith e a senhorita Amelia Smith saíram. Preciso mandar alguém seguir eles?
— Não precisa. O Daniel não gosta de ser seguido. Só organiza gente pra ficar de guarda em todas as saídas do hotel e não deixa eles escaparem.
Enquanto isso, Daniel e Amelia estavam bem mais felizes com Monica.
Monica e Evelyn estavam comendo e, de vez em quando, conversavam sobre trabalho, às vezes mencionando o nome de Alexander. Embora Monica não quisesse tocar no assunto Alexander e sempre mudasse de tema, Daniel ouviu tudo e entendeu algumas coisas.
Daniel sabia que Monica e Alexander com certeza se conheciam e, pelo jeito dela, devia haver alguma coisa entre os dois de que ela não queria falar. Além disso, tinham dois irmãos que eram exatamente iguais a eles, sem contar a dependência inexplicável que Amelia tinha dela.
Todos esses sinais faziam Daniel quase ter certeza de que Monica era a mãe dele. Essa sensação era tão maravilhosa e bonita.
Por isso, depois que se encheu, ele ficou grudado em Monica, esfregando a cabecinha nela e chamando de mamãe, com um sorrisão bobo no rosto.
Monica achou que o filho estava meio bobinho naquele dia, mas não comentou. Ela perguntou a Evelyn:
— Já estamos quase terminando. Vamos voltar? A gente passou o dia inteiro no avião e está mesmo um pouco cansada.
— Tá bom — respondeu Evelyn, chamando o garçom para trazer a conta.
Nesse momento, Amelia puxou a manga da camisa de Daniel sem dizer nada. Mas Daniel sabia o que ela queria e falou para Monica:
— Mamãe, Evelyn, a Sophia quer ir ao banheiro. Eu levo ela.
Agora ele já sabia o nome da menina que parecia com Amelia, então não ia se confundir.
Monica respondeu:
— Tá bom, vão lá, tomem cuidado e voltem logo pra gente ir pra casa.
— Tá! — Daniel respondeu.
Ele segurou a mão de Amelia e foi em direção ao banheiro.
Naquele momento, outro par de irmãos acabava de sair do banheiro. Sem perceber, os dois pares de irmãos trombaram um no outro.
Daniel e William caíram no chão. Sophia e Amelia também se chocaram, mas Sophia, que era ágil, viu que Amelia ia cair e rapidamente esticou o braço para segurá-la. Só então ela reparou que a menina parada na frente dela era exatamente igual a ela.
— Você é a Amelia? — Sophia perguntou.
Amelia não respondeu; ficou ali parada, embasbacada, olhando Sophia com curiosidade.
Do outro lado, os dois meninos que tinham caído no chão, mesmo já meio preparados, ainda ficaram um pouco atordoados quando se encararam. A sensação era bem mágica.
Por fim, Daniel falou primeiro:
— Você é o William?
