Capítulo 006 A reunião das quatro crianças

William assentiu, o rosto inexpressivo, e se levantou calmamente.

Daniel se levantou também.

Amelia puxou de novo a barra da camisa dele; parecia mesmo que ela precisava muito ir.

Talvez fosse uma intuição de gêmea; Sophia percebeu rápido e perguntou:

— Você precisa ir ao banheiro?

Amelia fez que sim com a cabeça, rapidinho.

Sophia pegou na mão dela.

— Eu te levo.

Mesmo sendo a primeira vez que se viam, Amelia não rejeitou Sophia.

As duas então seguiram de mãos dadas para o banheiro, enquanto os meninos esperavam do lado de fora.

William encostou na parede, ainda sem expressão.

Daniel, sempre curioso, não parava de lançar olhares para ele.

William percebeu o olhar dele, e Daniel deu uma risadinha antes de estender a mão:

— Oi, eu sou o Daniel.

Ele parecia meio bobo.

William respondeu friamente:

— Eu sei.

— Você é chato — reclamou Daniel. — Igual um velho.

— Então o que é interessante? — William não conseguiu deixar de perguntar.

Daniel apontou para os dois.

— A gente é quadrigêmeo, né? Então a gente devia descobrir a ordem.

William assentiu.

— Eu sou o mais velho, depois você, depois a Amelia, e a Sophia é a caçula.

— Ótimo. Vamos sair daqui. Vamos achar um lugar melhor pra conversar. É por minha conta. — Daniel deu um tapinha no próprio peitinho, todo generoso.

— Tá bom — disse William, com um aceno de cabeça.

Eles esperaram as irmãs saírem e depois foram atrás de Daniel.

Afinal, aquele era o hotel da família deles, e lá tinha uma base secreta, um pequeno parquinho que Alexander tinha construído para Daniel e Amelia.

Assim que entraram, Daniel trancou a porta para ninguém mais entrar.

Eles se sentaram um de frente para o outro e, por fim, Daniel falou:

— Se a gente é quadrigêmeo, por que a gente foi separado?

William balançou a cabeça.

— A gente também não sabe. A mamãe sempre achou que vocês dois tinham sumido. Toda vez que ela falava de vocês, ela ficava muito triste.

— Sério? A mamãe não abandonou a gente? — Daniel perguntou, claramente animado.

— Claro que não. — William perguntou: — E vocês? Por que vocês não...

Ele queria dizer “morreram”, mas aquilo não soava certo e ele não sabia como falar.

Daniel abanou a mão, como se não fosse nada.

— A gente também não sabe como sobreviveu. Os Smith nunca falaram da mamãe na nossa frente. A Stella dizia que a nossa mãe era cruel e tinha empurrado ela da escada. Eu não acreditei, então perguntei pro papai. Ele me contou que a nossa mamãe tinha morrido logo depois de dar a luz pra gente. Ele nunca falou que a gente tinha outro irmão ou irmã.

Ele ficou com raiva, pulou do banquinho e começou a pisar nele, dizendo furioso:

— Você acha que o nosso pai tem algum problema? Por que ele mentiu dizendo que a mamãe tinha morrido?

William deu um sorriso de deboche:

— Engraçado, a mamãe disse a mesma coisa.

Quando ele era bem pequeno, ele tinha perguntado pra Monica onde o pai dele estava, e ela disse que ele tinha morrido.

Vendo Alexander hoje, não fazia muita diferença ele estar lá ou não.

Os olhos de Daniel brilharam, e ele voltou a sentar no banquinho, todo contente.

— William, Sophia, presta atenção. Vocês ficaram com a mamãe por tanto tempo, mas eu e a Amelia ainda não tivemos essa chance. Que tal a gente trocar? Eu e a Amelia fingimos ser vocês e ficamos com a mamãe, e vocês dois fingem ser a gente e ficam com o papai. Vocês vão morar numa casa enorme e comer coisa gostosa todo dia. A riqueza da família Smith vai ser de vocês. Que que vocês acham?

Ele ainda deu uma piscadinha brincalhona para eles.

William estava prestes a falar quando Sophia agarrou a mão dele e lançou um sorriso travesso para Daniel.

— Daniel, não se apresse em querer enganar a gente. Primeiro conta: que doença a Amelia tem?

Na mesma hora, a expressão de Daniel mudou.

— A culpa é toda da Stella. Foi por causa dela que a Amelia foi sequestrada. A gente não sabe o que a Amelia passou, mas isso traumatizou ela. Desde então, ela ficou mais fechada, quase não fala e mantém distância de estranhos.

Sophia fechou o punho pequeno e bateu na mesa.

— Eu não vou deixar essa mulher sair impune!

Depois ela se virou para Amelia, e sua expressão suavizou na hora.

— Amelia, você quer ficar com a mamãe?

Os olhos grandes e inocentes de Amelia brilharam, e ela assentiu timidamente.

— Ótimo! Então tá combinado! — disse Sophia. — Daniel, Amelia, vocês vão com a mamãe. A nossa mamãe é uma médica muito competente, com certeza ela vai dar um jeito de curar a Amelia. Já o William e eu vamos até a Mansão Smith enfrentar aquela mulher horrível!

— E como você pretende lidar com ela? — Daniel perguntou, animado, inclinando-se na direção de Sophia. — Fala aí, você precisa da minha ajuda?

William suspirou, sem saber o que fazer.

— Vocês dois, parem com esse assunto. A gente não tem muito tempo. Vamos focar no que importa.

— Tá bom. — Sophia e Daniel sentaram de novo.

William olhou para a quieta Amelia, sentindo um aperto no peito, e o tom frio de sempre se suavizou.

— Amelia, eu sei que você não quer falar, mas você consegue me entender, não consegue?

Amelia fez que sim com a cabeça.

William então continuou:

— Muito bem. Amelia, Daniel, prestem bastante atenção. Quando vocês voltarem pra mamãe, finjam que são a gente e tentem não deixar ela perceber nada de estranho. Se ela descobrir que os outros dois filhos dela ainda estão vivos, ela com certeza vai confrontar o senhor Smith. Ela acabou de voltar pro país e está em desvantagem. Se as coisas saírem do controle agora e o senhor Smith tentar levar a gente embora, a mamãe não vai conseguir enfrentar ele. Então vocês têm que esconder isso da mamãe, e a gente também precisa esconder isso do senhor Smith. A mamãe voltou desta vez principalmente porque o estúdio que ela e a Evelyn fundaram está com alguns problemas.

— Que tipo de problemas? — Daniel perguntou na hora. — Eles precisam de dinheiro? Eu tenho dinheiro!

— Não! — William explicou. — É porque o pai da Evelyn está doente e ela não consegue mais cuidar do estúdio, então a mamãe tem que assumir e focar no mercado aqui no país.

— Entendi. — Daniel assentiu. — Então a nossa mamãe não vai embora por enquanto. A gente precisa ajudar ela a se estabelecer em Cidade Esmeralda e, aí sim, a gente pode ficar com a mamãe pra sempre, né?

— Sim!

— Beleza! Já sei o que tenho que fazer.

Na sala reservada, Monica olhou as horas. Quinze minutos já tinham passado e as duas crianças ainda não tinham voltado do banheiro.

Com medo de que algo tivesse acontecido, ela ficou inquieta e saiu para procurá-las.

Por coincidência, Alexander também saiu do quarto dele naquele momento, e os dois ficaram frente a frente.

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