Capítulo 007 Ela se atreve a voltar

Mônica andava de um lado para o outro, tentando se acalmar. Ela não tinha certeza se Alexander a tinha visto.

Eles estavam casados havia três anos, mas ele raramente voltava para casa. Provavelmente nem lembrava dela, certo?

Ao passar pelo corredor, ela lançou um olhar para o seu quarto particular. Queria entrar. Mas, se Alexander reconhecesse ela e as crianças, o segredo deles seria revelado.

Ela não queria que Alexander soubesse que ela tinha filhos dele.

Mônica continuou correndo pelo corredor, passando pela porta do próprio quarto e percebendo que os passos atrás dela continuavam. Desesperada, ela abriu a porta de outro quarto, entrou às pressas e trancou.

Logo em seguida, ouviu Alexander apertar a maçaneta e bater na porta, chamando por ela:

— Mônica, eu sei que é você. Sai daí!

Prendendo a respiração, Mônica pegou o celular e digitou rapidamente para Evelyn:

[Evelyn, vem rápido, preciso que você me cubra.]

Do lado de fora, Alexander estava parado diante da porta, com o rosto de Mônica surgindo claro na mente.

Mais cedo, no aeroporto, ele tinha achado que tinha visto alguém muito parecida com ela.

Mas, na pressa de encontrar as crianças, não deu muita atenção.

Dessa vez, ele tinha certeza de que não estava enganado.

“Aquela desgraçada da Mônica… há seis anos, ela assinou os papéis do divórcio e ainda colocou minha suposta disfunção sexual como motivo.”

Depois disso, ela simplesmente sumiu do mapa, sem deixar rastro, como se estivesse morta ou viva ao mesmo tempo.

Quase um ano depois, largou dois bebês na porta da casa dele.

Então, quando as crianças perguntavam, ele dizia que a mãe delas tinha morrido.

Ele achou que ela nunca mais ia aparecer na frente dele. Mas agora, lá estava ela.

Ao pensar nisso, a voz dele ficou ainda mais fria, e a expressão se fechou.

— Mônica, não pensa que só porque você está aí dentro eu não consigo te pegar.

Ele ia mandar alguém trazer a chave, mas, assim que pegou o celular, Evelyn ligou.

Alexander hesitou, mas atendeu:

— Senhora Thomas? Por que a senhora está me ligando?

Percebendo o tom nada amigável dele, Evelyn sorriu do outro lado da linha:

— Senhor Smith, o que houve? Liguei em hora errada? Ou o senhor está irritado porque a CLOUD se recusou a fechar parceria com o Grupo Smith?

Alexander rebateu na hora:

— E então? A senhorita Thomas ligou pra dizer que mudou de ideia?

— Sim, quero marcar uma conversa com o senhor. O senhor tem tempo?

— Agora?

— Sim, agora!

— Desculpe, não é um bom momento — Alexander respondeu e desligou.

Mas a ligação acabou atrasando um pouco as coisas. Quando Joseph chegou com a chave do quarto privativo, já tinham se passado cinco minutos.

Alexander ordenou friamente:

— Abre a porta.

Joseph se apressou em abrir, mas o quarto estava vazio, com a janela escancarada.

Alexander se aproximou, olhou para baixo, do terceiro andar, e não viu ninguém lá embaixo.

Mônica tinha pulado do terceiro andar.

Aquela mulher era realmente impressionante. Ele cerrou o punho e deu um soco no parapeito da janela.

Enquanto isso, Mônica já tinha se escondido do lado de fora da entrada do hotel e ligado para Evelyn.

Pouco depois, Evelyn apareceu com as crianças.

Quando viu que eles estavam bem, Mônica finalmente soltou o ar, aliviada:

— Vamos pra casa.

Evelyn já tinha organizado um lugar para elas morarem: um sobrado com jardim, projetado pela própria Mônica.

Mas, como Mônica nunca tinha voltado antes, foi Evelyn quem acompanhou toda a obra e a decoração.

Ela digitou a senha, abriu a porta e fez um gesto:

— Senhora Brown, por favor, entre!

Mônica deu um tapinha de leve na mão dela, em tom de brincadeira, e sorriu.

Evelyn as conduziu pelo jardim e pelo primeiro andar e, em seguida, levou todas para o segundo andar, onde ficavam os cinco quartos.

— Sinceramente, não entendo — Evelyn comentou, intrigada. — São só vocês três, por que você fez questão de projetar cinco quartos?

Monica não disse nada, com um traço de tristeza nos olhos.

Daniel, que vinha sendo seguido, entendeu. Mesmo que Monica sempre pensasse que ele e Amelia tinham ido embora, no coração dela eles nunca tinham partido. Por isso, não importava o que comprasse, ela sempre pegava quatro unidades, uma para cada um dos quadrigêmeos, sem deixar ninguém de fora.

Estivessem com ela ou não, Monica sempre amou todos eles.

Daniel chorou e abraçou a perna de Monica.

– Mamãe.

Amelia imitou Daniel, abraçando a outra perna de Monica, em silêncio, pedindo atenção.

A tristeza de Monica derreteu num misto de riso e lágrimas por causa deles. Ela afagou as cabecinhas fofas dos dois e sorriu:

– A mamãe está bem. Vão lá ver os quartos novos e vejam se gostaram.

Ela tinha projetado os quartos com esquemas de cores diferentes para as crianças. Um era azul, com um computador de última geração, várias ferramentas mecânicas e algumas peças artesanais que William mesmo tinha feito.

Outro era amarelo, uma cor alegre e vibrante, com vários instrumentos médicos e um pequeno laboratório especialmente montado.

Daniel sabia que esses dois quartos eram para William e Sophia.

Os outros dois quartos: um era branco, cheio de carrinhos de brinquedo e modelos de armas.

O outro era rosa, com bichinhos de pelúcia por toda parte e, perto da janela, uma área de desenho cuidadosamente planejada.

Esses dois quartos tinham sido idealizados a partir da imaginação de Monica sobre os outros dois filhos.

Daniel se lembrou das instruções de William e sabia que deveria escolher o próprio quarto para não despertar a desconfiança da mamãe.

Mas ele não queria ocupar o quarto de William, então escolheu o quarto branco.

E Amelia escolheu o quarto rosa.

Monica ficou muito surpresa.

– William, Sophia, vocês têm certeza de que querem esses quartos?

Ela imaginava que eles soubessem que esses quartos eram para os outros dois filhos.

Daniel assentiu com força, piscando os olhos brilhantes, e perguntou:

– Sim. Pode ser, mamãe?

Monica hesitou. “Por que dessa vez eles mudaram do gosto de sempre?”

Mas agora, encarando aqueles dois pares de olhos suplicantes e cheios de pena, ela não teve coragem de recusar.

No fim, cedeu:

– Tá bom.

As crianças correram felizes para seus quartos.

Na sala, Monica passou um café para Evelyn e perguntou:

– Ah, é verdade, como o seu pai está?

Os olhos de Evelyn perderam o brilho ao falar da doença do pai.

– O médico disse que não adianta operar. A gente… – a voz dela embargou.

– Não se preocupe tanto. – Monica sentou ao lado dela para confortá-la. – Vou arrumar um tempo, nesses próximos dias, para ir ver ele. Se cirurgia não for mais opção, a gente pensa em tratamento conservador. Sempre existe um caminho.

– Tá bom. – Evelyn sabia que as habilidades médicas de Monica eram excelentes. Monica não faria uma promessa daquelas à toa, se não achasse que havia chance.

Evelyn continuou:

– Ah, e a Johnson Group vai dar uma festa amanhã, mandaram convite pra gente. Você pode ir no meu lugar?

– Eu? – Monica não queria ir. – Você sabe que eu só sei desenhar projetos. Não entendo nada dessas coisas de social em festa.

– Eu só quero ficar mais tempo com o meu pai, nesses últimos dias. Então, a maior parte do trabalho do estúdio vai acabar sobrando pra você. Mesmo que você fuja dessa vez, vai ter uma próxima.

Evelyn não conteve o riso:

– Não tem nada, em área nenhuma, que consiga te deixar travada, mas por que você fica apavorada quando é pra socializar?

– Não adianta, é mais forte que eu. – Monica não negou. Ela realmente tinha um pouco de ansiedade social e não sabia muito bem como se relacionar com as pessoas.

Depois de uma pausa, perguntou:

– O Alexander não vai, né?

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