Capítulo 008 Você ainda está pensando nele?
A CLOUD Design foi fundada por Monica e Evelyn cinco anos atrás, e as duas até criaram o nome juntas. Monica montou a equipe principal de design, enquanto Evelyn se concentrou em expandir o mercado.
Os projetos delas fizeram sucesso assim que foram lançados.
Monica cuidava de propriedades particulares no exterior, enquanto Evelyn trabalhava principalmente com incorporadoras e construtoras no país.
Várias empresas da Cidade Esmeralda queriam trabalhar com a CLOUD, e o Grupo Smith era o principal candidato, seguido pelo Grupo Johnson.
O Grupo Johnson não estava exatamente no mesmo nível do Grupo Smith, mas ainda assim era um grande nome na Cidade Esmeralda.
O atual presidente do Grupo Johnson era Michael Johnson, o filho mais velho da família Johnson, mais ou menos da mesma idade que Alexander.
Monica não tinha certeza se Alexander tinha sido convidado.
Desde que tinha voltado para a Cidade Esmeralda, ela estava fazendo o possível para evitar encontros com ele; ela realmente não queria vê‑lo de novo.
— Por que você tem tanto medo dele? Ainda sente alguma coisa por ele?
— Claro que não — Monica negou na hora.
Ela não queria, de jeito nenhum, voltar a se envolver com Alexander.
Evelyn disse:
— Então pronto. Você não ama mais ele, então por que se importar se ele vai estar lá ou não? Além disso, o Grupo Johnson e o Grupo Smith são concorrentes. Michael e Alexander se odeiam, tipo água e óleo; o Alexander não vai aparecer, pode ficar tranquila.
— Tá bom, entendi.
— Ah, e eu contratei uma governanta pra você. Ela chega amanhã de manhã. Você pode deixar a casa por conta dela e focar no trabalho.
— Obrigada. — Monica a abraçou, cheia de gratidão.
— Que agradecimento o quê. Bom, vou indo. Me liga se precisar de alguma coisa.
Depois de explicar tudo, Evelyn não demorou mais e foi embora.
Na Mansão Smith, Alexander levou as crianças de volta para casa.
Depois de passar pelo portão, o carro ainda rodou por uns vinte minutos antes de parar perto do prédio principal.
Sophia se segurou para não grudar o rosto na janela e sussurrou para William:
— Esse senhor Smith tá vivendo bem, hein, deixou a casa toda linda.
William deu uma olhada rápida pela janela, o rosto impassível, mas a voz gelada:
— É, ele é riquíssimo, mas deixou a nossa mãe sofrer daquele jeito.
Na mesma hora, Sophia lembrou de tudo. Eles não tinham muitas lembranças da infância; a maior parte do que sabiam vinha das histórias que Evelyn contava.
Quando Monica foi para o exterior pela primeira vez, ela não tinha muito dinheiro e começou a trabalhar grávida. No começo, as coisas estavam sob controle.
Mas, quando William nasceu, a saúde dele era péssima, mal se mantendo vivo. Os médicos avisaram Monica de que provavelmente ele não resistiria, mas ela se recusou a desistir.
Ela decidiu que ia salvá‑lo, gastou todas as economias e ainda pegou muito dinheiro emprestado com Evelyn. Monica ficou ao lado dele dia e noite, sem arredar pé, até conseguir puxá‑lo de volta da beira da morte.
Não muito tempo depois, Monica e Evelyn cofundaram o estúdio CLOUD Design.
No começo da empresa, a equipe era pequena, e Monica trabalhava sem parar, praticamente virando noites, muitas vezes com o bebê em um braço e desenhando projetos com o outro.
Só quando as crianças cresceram e o estúdio finalmente se firmou é que a vida de Monica ficou um pouco mais fácil.
Pensando nisso, Sophia fechou o punho miúdo e deu um soquinho no banco, decidida a não perdoar Alexander.
Nesse momento, Alexander tinha acabado de encerrar uma ligação e não ouviu os sussurros dos irmãos; só reparou no rosto irritado da filha pelo retrovisor.
Ele se voltou para a filhinha preciosa, com um tom incomumente suave:
— Amelia, o que foi?
Sophia virou o rosto, fingindo que não era com ela.
Alexander suspirou e balançou a cabeça.
Toda a paciência dele era reservada para ela, mas ela não dava valor.
Ainda assim, era bom vê‑la finalmente demonstrar o que sentia.
Ao descer do carro, ele carregou a filha até a sala.
No caminho, Sophia não falou nada nem tentou se soltar.
Ela não sabia explicar, mas estar nos braços de Alexander lhe dava uma sensação de segurança diferente daquela que sentia quando Monica a carregava.
Apesar de Alexander ter feito muitas coisas ruins, ele era muito gentil com ela.
Até Daniel dizia que, contanto que ele não pisasse na bola, Alexander era muito bom com os dois, praticamente atendendo todos os pedidos deles.
Mas, ao lembrar do aviso de William no carro, ela se fortaleceu por dentro, repetindo para si mesma: “Nada de perdão! De jeito nenhum!”
Principalmente quando viu Stella na sala, o humor dela ficou ainda pior.
Stella estava sentada no sofá, conversando com Bertha. Ao ver Alexander, levantou‑se na mesma hora, com os olhos marejados:
— Alexander, eu...
— O que você tá fazendo aqui? Eu não falei pra você não vir mais aqui? — A voz de Alexander saiu fria e irritada.
Fora as crianças, ninguém jamais tinha se atrevido a ignorar as palavras dele.
— Fui eu que deixei a Stella entrar! — Bertha, vendo o jeito do filho, falou, revoltada. — Ela ficou desesperada quando Daniel e Amelia desapareceram, e é assim que você trata a menina? Eu me esforcei tanto pra aproximar vocês dois, e você vive rejeitando ela!
— Ninguém mandou você fazer isso!
— Como é que é? — Bertha se levantou do sofá, lançando um olhar furioso para Alexander. — O quê, vai me expulsar também?
Alexander continuou irredutível, o tom gelado:
— Se você insistir em deixar ela entrar, então você pode ir embora junto com ela.
— Você... — Bertha já ia explodir, quando Stella puxou de leve a manga dela e, com a voz embargada, disse:
— Dona Smith, o Alexander não quer me ver. Eu vou embora. Por favor, não deixe o seu relacionamento com ele piorar por minha causa.
Dizendo isso, ela começou a se virar para sair.
Bertha, de coração partido, a segurou.
Sophia assistia tudo de lado, revirando os olhos para Stella.
William, por sua vez, observava sem expressão, sabendo que Alexander estava falando sério dessa vez.
O objetivo de William era tirar Stella da Mansão Smith, mas naquele instante ele mudou de ideia.
Ele se aproximou, segurou a mão de Alexander e sorriu de leve:
— Pai, me desculpa. Eu errei antes. Eu não devia ter tirado a Amelia do hospital. Não fica bravo, e não manda a Stella embora.
