Capítulo 5

—Você tá bem? —Gabriel veio socorrer Isabelle. —A Belle não aguenta beber. Deixem ela em paz, gente.

Ao ver Gabriel defendendo-a, Isabelle fez aquela cara de quem entende tudo.

—Tá tudo bem, Gab. Eu só preciso descansar um minutinho.

A galera zoou mais ainda, com assobios e gritaria.

—Você conhece eles? —o cara lindo ao meu lado pareceu curioso.

Eu comi uma uva que ele colocou na minha boca, me sentindo um pouco mais sóbria, e fiz um gesto vago na direção de Gabriel e Isabelle.

—O cara é meu marido. A menina é a paixão de infância dele…

—Tá com ciúme? —Ele se inclinou mais perto, perto o bastante para eu sentir o hálito quente, com um leve cheiro de álcool.

—Não!

—Mas eu tô. —Ele passou o braço pela minha cintura. —Você ficou encarando aquele cara por cinco minutos seguidos. Quem tá aqui com você agora sou eu.

As palavras dele me fizeram rir.

—Você é bom nisso.

—Você não gosta? —ele rebateu.

—Gosto! —Eu ergui a mão e belisquei a orelha dele. —Mas você não pode se aproveitar do fato de eu estar gostando de você…

—Entendi.

Eu levantei o olhar sorrindo e encontrei os olhos de Gabriel. Ele me viu. A expressão dele escureceu na hora. Eu ergui minha taça e fiz um brindezinho na direção dele.

—Ele te viu. Tudo bem? —O rapaz pegou minha mão com delicadeza.

Eu sabia que ele estava entrando no jogo.

—Tá tudo bem. Você vai me proteger, né? —eu flertei sem a menor vergonha. Afinal, eu tinha pago por isso.

—Ember, que porra você tá fazendo aqui? —como era de se esperar, Gabriel veio tirar satisfação comigo.

—Estraga-prazeres. —Eu larguei a taça na mesa, apertando meu braço em volta da cintura do cara lindo. Levantei o rosto para Gabriel com um sorriso doce. —Posso ajudar?

—Quem é ele? —o olhar de Gabriel caiu sobre o cara que eu estava abraçando, com a fúria queimando nos olhos.

O rapaz encarou a raiva de Gabriel com evidente diversão e ainda cutucou a ferida.

—A gente já se encontrou antes, senhor. Não lembra?

A expressão de Gabriel ficou ainda mais sombria. Ele ignorou o rapaz, com os olhos cravados em mim.

—Ember, você tem noção do que tá fazendo? Eu tô mandando você ir pra casa comigo. Agora.

—Sr. Sinclair, você tá aí pagando de certinho, mas parece que esqueceu da Isabelle logo atrás de você. —Ceria nunca tinha gostado do Gabriel; só se segurava por minha causa.

—Cala a boca. Você que tá corrompendo a Ember.

Ceria tinha fama. Na minha vida passada, toda vez que ela me chamava pra sair, Gabriel fazia um inferno. Pra não me colocar em situação difícil, Ceria acabou parando de me convidar, só trocava umas mensagens comigo de vez em quando. Eu tinha virado nada além de um passarinho engaiolado do Gabriel.

—Foi mal, mas quem organizou essa festa fui eu. Você até é bonitinho, vai… só que aqui tem limite de idade: só menor de vinte e cinco. —As palavras de Ceria pingavam veneno. O rosto de Gabriel ficou de um verde bem interessante.

Eu sorri, concordando.

—Ela tá certa. Você não se encaixa.

—Ember!

—Gab. —A voz doce de Isabelle apareceu atrás de Gabriel. —Ember, isso tudo é culpa minha. Mas, por mais brava que você esteja, você não devia fazer isso pelas costas do Gab contratando modelos masculinos. Pensa no quanto você tá machucando ele. —Então ela começou com o chororô de novo. —Se você ainda estiver com raiva, pode me dar outro tapa. Desde que você e o Gab fiquem bem, eu não ligo pro que aconteça comigo.

—Claro. —Sorri para Isabelle.

PÁ!

Minha palma acertou em cheio o rosto da Isabelle. Cinco marcas perfeitas de dedos floresceram na pele de porcelana dela.

Girei o pulso, satisfeita, e sorri para ela. —Nunca ouvi um pedido tão bizarro. Quem é que implora pra levar um tapa?

—Ember, você tem noção do que acabou de fazer?! Peça desculpas pra Belle. Agora! —Gabriel estava possesso.

—Dói? —perguntei, olhando para Gabriel com um sorriso debochado.

—Gab, eu tô bem. Enquanto você e a Ember conseguirem se entender, eu aguento qualquer sofrimento. —Aproveitando o estado meio bêbado como desculpa, Isabelle desabou, fraca, contra o peito de Gabriel.

—Tá curtindo bancar a vítima, né? —Ceria não conseguiu mais ficar parada. Ela parecia pronta para despedaçar a Isabelle.

—Belle, tá tudo bem. Eu vou te levar pro hospital. —Gabriel pegou Isabelle no colo e se virou para sair.

Vendo as costas de Gabriel se afastando, um lampejo de pânico passou por mim por um instante. O Gabriel realmente guardava toda a ternura dele para a querida “irmãzinha”.

—Você foi corajosa agora há pouco. —O cara lindo se inclinou perto do meu ouvido, provocando de leve.

Eu me puxei de volta dos pensamentos e reparei no corte no dorso da mão dele. Devia ter acontecido quando ele bloqueou o Gabriel — provavelmente por causa do relógio do Gabriel.

—Dói? —Eu peguei a mão dele, examinando o corte com cuidado.

—Tá preocupada comigo? —Ele se aproximou, rindo baixo.

Tirei um band-aid com desenho de cartuninho da bolsa e colei na mão dele. Carregar coisas para qualquer emergência tinha virado hábito depois que eu me casei com o Gabriel. O Gabriel ganhava a vida com o rosto, então tudo precisava estar impecável. O resultado? Eu cuidava dele com perfeição, antecipando cada necessidade. E ele fazia o mesmo por aquela Isabelle de duas caras.

Quando eu fiquei em silêncio, ele me puxou para perto com delicadeza. —Não fica triste. De agora em diante, eu vou te proteger.

—Duzentos por dia? —brinquei.

—Se você quiser, eu te faço um desconto... e você pode me chamar de Victor, ou Vic, como meus amigos chamam.

No dia seguinte, o celular vibrando sem parar me acordou. Peguei o aparelho e vi dezenas de chamadas perdidas da Ceria.

—O que foi? —Minha voz saiu rouca quando eu atendi.

—Ember, você tá nos assuntos do momento. —Ceria me mandou um link.

[BOMBA! Esposa de Gabriel Sinclair, a nova estrela em ascensão, Ember é flagrada flertando em público com galã misterioso — detalhes chocantes!]

Abaixo havia várias fotos. Todas mostravam meu rosto com nitidez. A seção de comentários era um esgoto:

[Isso é verdade? A Ember é assim mesmo?]

[Não é à toa que ela pediu divórcio em público. O novo homem dela provavelmente quer oficializar...]

Comentário após comentário era um ataque pessoal. Nem precisava ser gênio pra perceber que alguém tinha armado isso.

—Ember, não sai de casa pelos próximos dias. Eu vou chamar uma equipe profissional de assessoria de imprensa agora mesmo.

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