Capítulo 11

"Jenna." Ela ouviu uma voz profunda e agradável.

Como ondulações na superfície pacífica de um lago, ou uma estrela brilhante no céu noturno, trouxe uma nova sensação de esperança.

Jenna paralisou por um segundo antes de levantar a cabeça. Quem mais a chamaria daquela forma?

Será que ele estava ali?

Um homem alto e bonito de terno e sapatos de couro caminhava em direção a ela. Tinha um sorriso cavalheiresco e encantador. Seus olhos azuis eram tranquilizadores. Ele parecia gentil e exalava nobreza e mistério. Ao contrário da maioria dos homens poderosos, ele era discreto e refinado, elegante de uma maneira natural. Não havia dúvidas quanto ao seu status social, pois seu semblante nobre não poderia ter sido cultivado da noite para o dia.

Ele chamou a atenção de todos em um piscar de olhos.

"Jenna, é você! Finalmente a encontrei!" O homem deu um sorriso caloroso e cheio de ternura.

"Sr. Whalen... Ray." Jenna ficou atordoada por um momento. Seus olhos brilhavam.

Ela sentiu seu coração se aquecer, como se uma porta dentro dele tivesse sido aberta. Toda a pressão foi liberada de uma vez, e ela sentiu paz.

"Ray, o que faz aqui?" Ela perguntou com tom de surpresa, com um sorriso natural e suave no rosto. Estava tão calma e aconchegada, que a frieza em seu corpo desapareceu, como se ela tivesse se transformado em uma pessoa diferente.

Hansen fechou a cara quando viu o sorriso radiante de Jenna. Ele nunca a tinha visto sorrir daquela forma. Ela era sempre tão fria diante dele, como um iceberg que se recusava a derreter. Mas Hansen percebeu que sua falta de hospitalidade poderia ser dirigida só a ele.

Seu sorriso puro e relaxado não estava ao alcance dele. Ficou furioso, encarando-os.

"Por que voltou sem pedir permissão, Jenna?" O homem olhou de forma apaixonada para o rostinho pálido de Jenna. Um desejo protetor o percorreu ao contemplar sua aparência frágil. Ele acariciou sua cabeça enquanto a advertia.

"Eu..." Jenna ficou sem palavras. Ela murmurou, como se estivesse sonhando.

"O que há de errado, Jenna? Você não parece tão bem!" O homem encarou o rosto sofrido de Jenna e suas sobrancelhas franzidas. Estava tão preocupado que tocou as sobrancelhas dela com sua mão.

"Ray, não tem nada errado. Estou bem." Jenna sorriu. "Não posso acreditar que nos encontramos aqui! Que coincidência!"

"É uma grande coincidência." O homem assentiu e seus olhos escureceram. "Você estava planejando nunca mais voltar se eu não a tivesse encontrado?"

"Rayan, meu Deus, ele é Rayan." Alguém gritou.

"Não posso acreditar que Rayan está aqui!"

A multidão se agitou.

Rayan era presidente do mundialmente famoso Grupo Whalen. Sua empresa operava em todos os setores em todo o mundo. Eles eram conhecidos por produzir veículos de luxo, e sua riqueza era imensurável!

O presidente do Grupo Whalen, Rayan, era uma figura lendária em todo o mundo. Ele era jovem e bonito e bastante enigmático. Ninguém o havia visto em nenhum evento público.

Havia rumores de que ele tinha ligações com empresas ilegais e que muitos líderes políticos atuais confiaram em seus ricos recursos financeiros para ajudá-los em suas eleições. Ser uma figura tão famosa nas esferas empresarial e política tinha dado à sua empresa uma reputação misteriosa também.

Rayan era tão lendário que sua própria existência era quase uma lenda.

E foi justamente essa lenda que apareceu do nada em uma noite aparentemente comum. Além do mais, ele estava sendo afetuoso com a ex-esposa do igualmente poderoso Hansen.

Aquilo foi mais do que suficiente para atormentar a imaginação de todos. Eles assistiram com grande interesse o que foi talvez o jantar mais emocionante de suas vidas.

O clima no lugar era de desconforto.

A dor na palma de Jenna fez com que suas sobrancelhas se franzissem ainda mais e seu rosto ficasse mais pálido.

Ela ficou de pé, mas cambaleou e quase caiu.

Rayan reagiu rápido e a pegou, abraçando-a. Jenna desabou em seus braços e se inclinou contra seu peito.

"Jenna, você está bem?" Ele estava sério quando perguntou.

Jenna se sentiu tonta, mas estava consciente do que estava acontecendo.

Eles estavam muito próximos, era uma má ideia agirem assim em público. Sem falar que algumas pessoas ali já o reconheceram. Ela se afastou dele e se apoiou no corrimão de metal, agarrando-se ao ferro com a palma da mão.

"Ai!" Ela gritou de dor, suando frio.

"Jenna, sua mão... o que aconteceu?" A expressão de Rayan mudou quando ele estendeu a mão para agarrar sua mão macia e frágil.

Ele tinha visto Jenna ser empurrada por aquela mulher cruel. Ele queria correr para ajudá-la, mas não o fez porque não tinha ideia de que a mão dela estava ferida.

Foi quando Hansen entrou!

Ele queria ver como o homem por quem Jenna era apaixonada a trataria. Ele ficou surpreso ao descobrir não só que Hansen não era apenas indiferente e desconfiado em relação a ela, mas que também preferia acreditar em outra mulher.

Ele se sentiu aliviado e mais determinado!

Hansen era tolo de não gostar de uma mulher maravilhosa como ela, mas ele não!

Ele ainda se lembrava que quando Jenna estava projetando aquele carro de luxo, ela lhe disse que o estava fazendo para o amor de sua vida. Rayan ficou desapontado na época, pensando que ele deveria ser o homem mais feliz do mundo por ser amado por uma mulher tão inteligente e que ele deveria gostar muito dela.

Mas a descoberta de hoje deu-lhe um pouco de esperança. Os sentimentos da Jenna não foram correspondidos. Então ele se adiantou.

Ele adorava ouvir Jenna tocando piano. Seus frágeis e delicados dedos esbeltos e ágeis, tocavam melodias maravilhosas...

Ele não suportava vê-la ferida.

Ele abriu sua pequena mão e viu um corte sangrando em toda a palma, coberta de cacos de vidro.

"Como isso aconteceu?" Ele rugiu, com raiva. Ele encarou Hansen, então agarrou sua mão delicada com força para levá-la para longe.

"Pare com isso, Ray." Jenna protestou. "Estou bem, não sou tão frágil. Está tudo bem."

"O que há de bom nisso, sua boba? Você não pode cuidar de si mesma. Vamos para o hospital." Rayan rosnou, sentindo-se protetor em relação a ela. Ele a puxou para fora, sem lhe dar chance de falar.

Jenna não era páreo para sua força. Ela foi levada em seus braços.

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