Capítulo 23

Jenna correu de volta para o escritório e fechou a porta do banheiro da suíte interna. Inclinou-se contra o batente da porta e deu um longo suspiro.

Ela se viu no espelho e percebeu que parecia nervosa. Seu rosto estava vermelho e seu coração estava acelerado. Ela estava muito irritada.

Disse a si mesma: "Jenna, o que fez de errado? Por que está tão nervosa? Isso não vai só te fazer ser ridicularizada por aquele idiota do Hansen?"

"O que raios está acontecendo!"

"Se um mero olhar zombeteiro dele pode me fazer perder a compostura, o que vou fazer no futuro?" ela se perguntou.

Respirou fundo, balançou a cabeça e caminhou até o quarto. Deitou na cama larga e macia.

O lustre no teto balançava e formava um caleidoscópio de formas semelhantes a borboletas. A decoração era de um céu azul nublado. Enquanto Jenna observava as borboletas brincando no céu azul e nas nuvens, ficou pensativa.

"Humpf," Jenna ouviu uma voz fria e demoníaca, que parecia rir zombando dela.

Surpresa, virou o corpo e sentou-se.

Hansen estava parado na porta da suíte com as bochechas coradas, como se tivessem sido tingidas de vinho tinto. Ele a olhava com desdém e zombaria.

"Como entrou?" Jenna exclamou. Pega de surpresa, segurou o travesseiro. Quando entrou no quarto, ela havia trancado a porta! Como ele havia entrado?

Hansen mostrou a chave, rindo. "Esta é a minha empresa. Claro eu tenho a chave. Quem pode me impedir de entrar em qualquer sala que eu queira?"

Ele sorriu com atrevimento e se aproximou dela.

"O que você está tentando fazer?" Jenna recuou, vigilante.

Hansen deu um sorriso maldoso para Jenna. Mostrou um cartão de banco dourado e zombou, "Este é o dinheiro pelo qual você vendeu seu corpo de novo?"

"Ah!" Jenna ficou em choque. No momento de pânico, ela esqueceu de trazer o bônus que Rayan havia dado a ela. Não sabia como Hansen o tinha pego. Mais uma chance para ele zombar dela?

"Me dá isso", ela estendeu a mão para pegá-lo.

Hansen levantou a mão, então Jenna não conseguiu agarrá-la e caiu na cama.

"O que você quer?" Jenna olhou para ele com raiva.

"Este homem é tão irracional!" Jenna estava tão enojada que queria vomitar!

O rosto bonito dele se colocou diante dela. Seus dedos claros levantaram seu queixo. Parecia gentil, mas olhando mais de perto, seu olhar era cortante. Ele abriu um sorriso.

"Diga-me, por quanto você se vendeu? Você precisa tanto assim do dinheiro?"

Ele a encarava, como se tentasse ler sua alma e sua mão a segurava cada vez mais forte.

Afinal, ela já tinha sido sua esposa. A mulher dele seria tão pobre que teria que se vender para sobreviver?

Ele acabara de dar a ela uma grande soma de dinheiro!

Hansen estava furioso!

Jenna sentia que ele ia deslocar sua mandíbula. Deu um tapa na mão dele. Corou e franziu as sobrancelhas. "Hansen, você foi longe demais. Estamos divorciados, você não tem o direito de me controlar. Por que me insultar assim?"

"Insultar?" Hansen ergueu as sobrancelhas e disse com uma expressão zombeteira: "Você deve estar desapontada! O homem de quem você gosta ama outra mulher. Você é só o brinquedinho. Se eu estiver certo, você deve estar zangada com o constrangimento, e agora não tem onde descontar sua raiva. Não me olhe assim, só estou lhe dizendo a verdade."

"Seu cretino."

Jenna rangeu os dentes, triste e decepcionada. Eles não confiavam um no outro. Por que ela ainda estava apaixonada por ele?!

Ela era muito burra!

Tão burra que depois de ser humilhada por ele vez após vez, ainda tinha esperança.

Seus olhos ficaram vermelhos. Ela olhou para ele com frieza, e deixou escapar. "Hansen, eu devo ter sido cega para ter ficado com você."

"Humpf!" Hansen sorriu com frieza e permaneceu impassível.

Ele a expôs, mas ela ainda agia como se tivesse sido injustiçada. Pelo quê?

Ele a prendia com seus braços. Arrastou-a para a cama macia, impedindo-a de se mover. Cruzou as pernas e a prendeu. Seus olhos estavam vermelhos e cruéis quando ele disse:

"Mulher, quanto você quer? Venda-se para mim, eu vou te satisfazer."

Começou a tirar suas roupas, e Jenna teve medo enquanto lutava e resistia.

Sua luta fez o corpo dele esquentar ainda mais.

Ele pensou que estivesse louco! Deve ter enlouquecido porque estava muito zangado com ela! Caso contrário, como perderia a cabeça daquela forma?

Desde que aquela maldita apareceu diante dele, sua vida tinha se tornado caótica. Ele não estava mais tão calmo e controlado como antes. Seus pensamentos estavam sempre confusos e seu coração desordenado.

Ele só queria segurá-la e dar vazão aos seus desejos!

"Hansen, me solte." Sua natureza animalesca assustava Jenna.

Ela não permitiria que sua dignidade fosse violada. Ela o empurrou e a ferida em suas palmas se abriu, jorrando sangue fresco.

"Hansen, você é um patife! Você só sabe intimidar as mulheres. Que tipo de homem você é? Eu vou processá-lo", Jenna gritou a plenos pulmões.

"E daí se eu estiver intimidando você? Quer me processar? Vá em frente!" Hansen estava louco. Arrancou as roupas, agarrou os braços dela pressionando-os sobre a cabeça. Seus lábios quentes morderam os lábios dela e começaram a sugá-los freneticamente.

Jenna começou a chorar. Tentou gritar: "Hansen, como vai olhar para Aria assim? Não se esqueça, vocês dois vão se casar."

Hansen paralisou. As palavras de Jenna o acordaram de sua loucura. Ele ficou atordoado. Jenna aproveitou a oportunidade para empurrá-lo e saiu da cama.

A gaze em sua palma estava tingida de sangue. Ela se agachou no chão e segurou sua mão, gritando alto.

Hansen ficou pálido. "Deixe-me avisá-la novamente. Fique na empresa e não provoque esses homens. Caso contrário, eu não vou deixar você escapar. Você deve saber o que posso fazer." Hansen se levantou e conteve o desejo. Jogou o cartão dourado na cama, com raiva.

"Quem é você para me controlar? Rayan é meu amigo. Ele me ajudou antes, somos inocentes." Jenna ergueu os olhos vermelhos e lacrimosos enquanto se defendia.

"Amigo." Hansen não pôde deixar de zombar. "Você acha que eu sou bobo? Como um homem pode dar dinheiro a uma mulher sem motivo?"

"Não foi ele que me deu o dinheiro, é o bônus da empresa dele. Eu deveria receber pelo design do meu carro, então por que não posso aceitar?" Jenna mordeu o lábio e argumentou. Seus olhos estavam cheios de lágrimas e seus ombros tremiam.

Hansen ficou surpreso!

Jenna segurou o ferimento sangrando e chorou. "Hansen, saia do meu caminho. Eu não quero ver você nunca mais."

Seu rostinho pálido estava coberto de dor e desespero, seu corpo inteiro tremia. Suas lindas sobrancelhas estavam enrugadas e a gaze em sua palma estava cheia de sangue.

Hansen deu um passo para trás em pânico!

Ele a encarou atordoado, sem saber o que fazer.

"Saia, saia!" Jenna gritou, transbordando de raiva.

Hansen sentiu-se preso no fundo do penhasco enevoado. Deu um passo para trás, se virou e fugiu.

Correu para o escritório e caiu no sofá. Segurou a cabeça com as mãos, confuso. Tudo o que ele pensava era a Jenna chorando com rosto pálido.

O que havia de errado? Por que ele tinha perdido a cabeça?

Correu para o banheiro, abriu a torneira e deixou a água fria correr da cabeça aos pés. O calor em seu corpo esfriou e ele se recompôs. No entanto, ficou mais irritado ainda!

Por que era tão difícil se controlar quando via aquela mulher?

O desejo era tão forte como se tivesse sido confinado por mil anos.

Talvez ele estivesse errado. Ele não deveria ter pedido que ela trabalhasse ali!

Ele não conseguia resolver o problema que ele mesmo criou!

Estava esperando que Alvin Robertson voltasse!

Jenna segurou sua palma sangrando e se agachou diante da cama, chorando.

Se ela aguentasse, talvez não demorasse muito para tudo acabar!

Ela tinha que aguentar!

Uma batida suave na porta.

Jenna cerrou os dentes e segurou as lágrimas.

"Senhorita Murphy, o Sr. Richards me disse que sua ferida se abriu. Ele me pediu para trazer a pomada hemostática e gaze." A senhorita Peters entrou. Olhou para a mancha vermelha na mão de Jenna e ficou surpresa. Viu suas roupas desgrenhadas e parecia ter entendido algo.

Ela não disse nada. Apenas pegou a mão ferida de Jenna e examinou enquanto tentava remover a gaze para aplicar o remédio.

"Não precisa, estou bem. O sangramento parou." Jenna disse. Pegou a pomada hemostática e jogou-a na lata de lixo.

"Bem..." A Srta. Peters sorriu sem jeito. Ela não teve escolha a não ser dizer: "Se você estiver bem, então eu vou embora."

Jenna assentiu. Peters balançou a cabeça e suspirou ao sair.

Ela pegou a gaze e a enrolou nas mãos em uma espessa camada branca, até que não houvesse vestígio de sangue. Então se deitou e adormeceu.

Três horas da tarde.

Na sala de conferências do 88º andar.

A grande tela LCD mostrava o design do carro que os excelentes designers do Grupo Richards criaram em poucos dias.

Hansen dava grande importância à coletiva de imprensa que seria realizada. Nos últimos dias, todos os executivos do Grupo e a equipe estavam trabalhando naquilo.

Para o evento, Hansen empreendeu quase todos os seus esforços e fez tudo sozinho.

Somente levando seus negócios para o mundo inteiro eles teriam chances de sobrevivência. Aquilo era fundamental para a virada do Grupo Richards.

Para superar os concorrentes e conquistar o primeiro lugar no mundo, ele projetou especialmente aqueles carros de luxo no país. Queria convidar os ricos de todo o mundo para o evento, e se pudesse agradá-los e conseguir assinar o contrato, aquele seria o maior avanço para seus negócios no exterior.

Mais importante, se o Grupo Whalen quisesse acabar com ele, não conseguiria!

Enquanto continuasse assim, o Grupo Richards poderia dominar o mercado global e o Grupo Whalen seria inferior em termos de produção de carros de luxo.

Capítulo Anterior
Próximo Capítulo