Capítulo 62

"Aguente firme. Esta é a parte mais difícil da trilha. Depois chegaremos ao topo da montanha. A estrada que desce a montanha será muito mais fácil", Hansen subiu à frente e encorajou Jenna.

Pelo visto ele sabia encorajar os outros! Ele estava sendo carinhoso e atencioso, o que era raro de se ver. Jenna sorriu.

De pé no topo da montanha não tão alta, os horizontes se alargavam com o vasto mar azul à vista. Era difícil distinguir entre o mar e o céu. O sol estava alto, iluminando a tudo. O mar azul-turquesa, com sua superfície lisa, com ondulações ocasionais, era infinito. A beleza do crepúsculo deixou Jenna atordoada. Ela exclamou e recitou um poema sobre a beleza da natureza.

"Você gosta?" Hansen ficou ao lado dela e olhou ao redor. Seus lábios finos esboçaram um sorriso. Ele estava muito atraente.

Jenna se sentia em uma ilusão. Hansen se importaria mesmo se ela gostava ou não?

Ela gostava muito.

Ela respirou pela boca, relaxou-se o corpo e os músculos. O vento frio do outono secou o suor de sua testa. Podia-se ver que havia milhares de pensamentos girando em sua cabeça!

De repente, Jenna percebeu que coisas bonitas mal despertavam seus interesses como antes. Ela sempre se sentiu um pouco deprimida. Ela suspirou e olhou para baixo.

Era porque ela havia passado por muitas coisas e não sabia o que fazer. Seus sentidos ficaram adormecidos!

"Por que está suspirando?" Hansen se virou para ela e perguntou.

Suas belas feições eram impressionantes sob o pôr do sol. Suas sobrancelhas estavam franzidas. Havia preocupações intermináveis em sua mente e ela não conseguia esconder sua tristeza.

Uma ideia veio à sua mente quando ele pensou no que sua avó havia dito. Ficou muito aborrecido e se virou para ela.

Teve um impulso de estender a mão e tocar seu rosto. Assim como na primeira vez que a viu, parecia haver muitas histórias a serem contadas em seu olhar. As histórias que ele não conseguia entender, ou histórias que não eram dele.

Para qual homem amado ela havia projetado aquele carro de luxo? Para Rayan?

Quanto mais pensava naquilo, mais irritado ficava.

Ela deve ter sido muito infeliz naqueles anos de casamento. Teria sido ele quem lhe causou tristeza e dor?

Como diabos um corpo tão fraco sobreviveu? Mesmo quando ela sorria, ele podia ver a dor oculta em seu rosto.

Ele ficou emocionado. Ele a tinha machucado?

O peso da vida era demais para qualquer um suportar. Havia muitos obstáculos diante deles. Ele não queria, ninguém queria!

Olhando para o vasto mar, ele sentiu que eles eram apenas uma pequena parte do mundo, como a grama. No entanto, a grama morreria e ressuscitaria, enquanto eles só tinham uma vida. O tempo que passou nunca mais voltaria. Agora, eles ainda estavam no escuro. Não podiam ver o futuro e não sabiam quando parar.

Hansen ficou em silêncio.

"Hansen, o que aconteceu com os dois carros?" Jenna não esquecia aquela pergunta. Quando estavam no sopé da montanha, ele a puxou de lado e perguntou: "Quer saber sobre os dois carros?"

Depois de dizer aquilo, ele apenas sorriu. Jenna ficou tão assustada que se arrepiou.

Será que Hansen a trouxe para a ilha para mais do que apenas prazer? Tinha sido por isso que ela o escolheu sem hesitar.

Embora ela já tivesse planejado desistir, foi para isso que ela veio ao Grupo Richards. Era irreal dizer que ela havia desistido. Afinal, era assunto de seu pai! A causa da morte dele não era clara. Se ela era a culpada por deixar o tio Richards em estado vegetativo, não foi intencional. No entanto, se alguém planejou matar o pai dela, isso foi assassinato intencional, e era bem diferente.

Depois de ter se dado bem com Hansen por tantos dias, ela sentia cada vez mais que ele não era uma pessoa tão cruel. Além disso, ele conhecia a lei. Embora fosse manipulador, era apenas nos negócios. Matar uma pessoa, especialmente o pai dela era tão suspeito, desnecessário e impossível, assim como Hannah havia dito.

Se fosse pelo bem de Trevor, ela não poderia se vingar dele. E se não foi Hansen quem foi? O propósito de ficar ao lado dele o tempo todo não era ir até o final?

Buscando ou não vingança, ela tinha que descobrir!

Se não foi Hansen, então ela tinha que vingar seu pai! Jenna respeitava seu pai. Além de Trevor, ela não devia nada a ninguém. Ela nunca tinha feito nada ilegal e seu pai sempre foi um respeitado funcionário do governo que nunca ofendeu ninguém. Quem faria uma coisa dessas com ele? Até sua mãe tinha se tornado cadeirante!

A dor em seu rosto não podia ser suprimida, e havia um tormento em seu coração.

"Parece que se não fosse por esse motivo, você não teria escolhido a mim, certo?" A voz de Hansen ficou mais fria, meio irritada.

Jenna olhou para ele. Ele ficou chateado por aquilo? Ele se importava com quem ela teria escolhido?

Ele sempre a odiou e queria ficar longe dela o máximo possível. Todos aqueles anos, ele a tinha evitado e queria humilhá-la e zombar dela. Ela não era tola. Como ela poderia não entender?

"Ele não deveria estar feliz por eu não o escolher?"

No entanto, naquele momento, ele estava com a cara fechada. Jenna ficou confusa por um momento.

"Hansen, me diga, você encontrou os carros?" Ela não se importava com mais nada. Ela queria muito saber sobre os carros. Afinal, o carro estava manchado com o sangue de seu pai.

Quando o olhar de Hansen esfriou ainda mais, o coração de Jenna acelerou e ela se sentiu muito desconfortável!

"Diga-me, para que você quer esses carros?" Ele estava impassível.

Dizer a ele? Ele não sabia ou estava tentando armar para cima dela? Ela cerrou os punhos e agarrou suas roupas. Ela disse entre dentes: "Hansen, você não sabe para que eu quero os carros?"

Os olhos de Jenna estavam cheios de desespero!

Hansen sentiu que as coisas não eram tão simples quanto ele pensava. Ela tinha uma razão para querer os carros. Ele não sabia o que fazer.

"Você acha que eu deveria saber?" Ele perguntou.

"Hansen, estou falando sério. Por favor, me diga a verdade." Jenna o encarou e não expressou nada. Ela queria saber a resposta. Se não tivesse nada a ver com ele, talvez o problema fosse mais fácil de resolver. Ela esperava que fosse.

"O que você quer que eu te diga?" Seu olhar desconfiado o deixou desconfortável. Ela nunca revelava nada para ele. O olhar dela era cauteloso, o que o deixou muito irritado!

"Uma mulher como você é intrigante. Se me disser, talvez eu possa ajudá-la a recuperá-los. Caso contrário, não me culpe se os carros nunca mais forem vistos. Minha paciência é limitada e não tenho muito tempo para me preocupar com esses assuntos inúteis."

Ele disse e se virou para descer a montanha. Como ela não estava disposta a contar a ele, isso significava que ela o estava desrespeitando. Como jovem senhor da família Richards, ele não precisava ser submisso. Se ela não dissesse, pior para ela!

Ela não iria dizer a ele porque tinha suas preocupações.

"Humpf!" Ele bufou. Ele era Hansen. Se quisesse saber algo, ninguém poderia esconder dele. Era questão de tempo.

Ele se afastou, mas Jenna estava plantada no lugar. Ela ficou chocada e não conseguia entender o que estava acontecendo.

O que ele queria dizer? Nunca mais seriam vistos?

Ele quis dizer que os dois carros tinham sumido? Ou que ele não ia dar a ela?

Ela teve um pressentimento sinistro e um calafrio na espinha. Decidiu que tinha que perguntar de forma direta!

"O que você quer dizer?" Ela acelerou o passo e se aproximou.

Hansen não estava feliz, então ele a ignorou e continuou andando.

O sol estava se pondo e o dourado cobria a ilha vazia e silenciosa. Jenna sentiu um ar de mistério.

Com o frio do outono, a brisa do mar e o sol poente, Jenna sentiu frio e uma sensação inexplicável de medo.

Eles teriam que chegar à segunda ilha para encontrar um lugar para comer e dormir antes de escurecer. Já estava escurecendo e eles estavam atrasados. Eles conseguiriam chegar a tempo?

"Apresse-se, está escurecendo. É muito perigoso velejar à noite", Hansen caminhava à frente, um pouco ansioso. Jenna estava tão devagar, como se ela não entendesse o perigo, o que o incomodava. O único caminho para a segunda ilha era de barco. Eles tinham que remar sozinhos, sem ajuda.

Jenna estava apavorada, então acelerou o passo.

Seus saltos altos faziam um som abafado quando ela pisava na estrada instável da montanha.

Os passos de Hansen eram rápidos, e ele correu na frente. Embora ela estivesse andando o mais rápido que podia, ainda sentia frio. Ela se lembrou de que havia uma jaqueta em sua bolsa. Ela queria pegá-la para se aquecer, mas não conseguia alcançar Hansen, que levava as sacolas.

"Ai!" Embora a descida não fosse tão difícil quanto a subida, era mais fácil cair devido à mudança no centro de gravidade. Jenna foi cuidadosa. Embora andasse devagar, ainda pisou em uma pequena pedra, e seus pés se inclinaram para um lado. Seu tornozelo virou e ela caiu no chão. Estava com tanta dor que gritou e gemeu.

Ela se agachou e esfregou o tornozelo com as mãos. Quando se levantou, fazia uma careta de agonia. Quando olhou para cima, viu que Hansen já havia desaparecido. Ela ficou triste e desanimada. Aquele cara não tinha nenhuma empatia e já tinha ido embora sozinho. O que ela deveria fazer? Olhando em volta, ela ainda estava a meio caminho da colina e muito longe do barco abaixo.

Era provável que ele tinha descido a montanha.

Ela não esperava nenhuma gentileza dele. Sua cara fechada e as palavras sobre os dois carros a fizeram sentir um calafrio na espinha.

Talvez ele quisesse se livrar dela. Ele a odiava tanto que talvez planejasse deixá-la sozinha para morrer.

O céu estava ficando mais escuro, e ela estava com frio e com medo. Seu tornozelo estava vermelho e inchado, e ela caiu no chão.

Os sinalizadores e as roupas estavam todos com ele. A menos que ele voltasse para salvá-la, ela não tinha como sair da ilha. Ela não estava na estrada principal, mas no meio da montanha. Mesmo que houvesse uma patrulha no sopé da montanha, ela não seria encontrada!

Ela fechou os olhos em desespero. Por que ele mencionou aquele carro? Ele não veio para se divertir? Ele deve ter armado para ela. Ele sabia que ela estava investigando a causa da morte do pai. Ele estava com medo de que a verdade fosse exposta, então queria matá-la.

Caso contrário, ele a teria lembrado de tirar o salto. Em vez disso, ele a levou até ali daquela forma.

"Hansen, seu cretino. Mesmo se eu morrer, eu não vou deixar você em paz. Como você pode me maltratar assim?"

Jenna amaldiçoou. Sua voz ficou mais baixa. Estava ficando cada vez mais escuro e parecia que ela seria deixada sozinha na ilha à noite.

Naquele momento, seu celular tocou.

Ao ver a luz no escuro, ela ficou surpresa "Como eu esqueci meu celular?"

Não, ela não morreria. O celular era a melhor ferramenta de comunicação. Rayan também estava na ilha. Se ela lhe pedisse ajuda, ele viria salvá-la. Ele não a deixaria morrer.

"Jenna, onde você está? Você está bem?" Como esperado, a voz de Rayan falou do outro lado da linha. Jenna relaxou e se animou. Ela desatou a chorar.

"Jenna, o que aconteceu?" Ouvindo-a soluçar, o coração de Rayan se apertou e ele perguntou, ansioso.

Lágrimas rolavam por suas bochechas. Ela fungou e ia falar quando uma grande mão agarrou seu telefone. Sentiu um cheiro familiar de hortelã na brisa fria.

"Qual o seu problema? Você ficou aqui para ligar para seu amante?" Sua voz estava irritada.

Jenna olhou para cima com espanto, e viu Hansen segurando seu celular. Sua testa estava suada, e ele tinha um olhar preocupado. No entanto, em seu rosto transparecia raiva e desprezo.

"Você pode parar de fingir? Por que ainda está fazendo ligações? Quer tanto seduzi-lo? Não se esqueça que ele é comprometido." Hansen estava furioso.

Jenna empalideceu e se levantou cambaleando e suportando a dor em seu tornozelo.

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