Capítulo 63
"Hansen, seu cretino. Você só sabe intimidar as mulheres. Que tipo de homem você é? Pensa que todo mundo é tão desprezível quanto você?" Jenna estava furiosa. Se não fosse por ele, como ela teria acabado ali? Ele se afastou e a deixou lá. Se ela não pedisse ajuda, ela poderia ter morrido ali.
Nenhuma mulher tinha gritado com Hansen antes. Ele não conseguiu segurar a raiva. Quando chegou ao pé da montanha, olhou para trás, mas não viu Jenna. Ela não o seguiu. Havia apenas grama e árvores e Jenna não estava em lugar algum. Ele entrou em pânico.
Quando estavam subindo a montanha, ela andava bem rápido e até na frente dele. Por isso, quando desciam a montanha, ele ficou tranquilo e dirigiu-se para o barco, pensando que ela o alcançaria. Ele se concentrou em chegar ao barco antes do anoitecer e não prestou atenção em nada. Ele estava preocupado que eles fossem no barco à noite, então acelerou o passo. Só quando chegou ao pé da montanha percebeu que Jenna não estava.
Ele correu de volta preocupado. Procurou por ela e quando a viu, ela estava sentada no chão ligando para alguém no telefone, reclamando e chorando. Era óbvio que ela devia estar falando com Rayan. Ele estava com tanta raiva que xingou enquanto pegava o telefone.
"Eu sou desprezível? Eu não fiz nada com você." Ele gritou com raiva: "Você é uma mulher tão promíscua. Mesmo nesta situação, você ainda está pensando em seduzir homens e achando que não fez nada de errado!"
Promíscua! Jenna odiava ouvir essa palavra. Era humilhante e a fazia se sentir desconfortável. Hansen, eu vou acabar com você!
"Cretino." Jenna cerrou os dentes, pegou a bolsa e jogou em Hansen. Gritou: "Hansen, você é tão irracional. Não dá para não odiar você."
Hansen estendeu a mão para bloqueá-la. Jenna pegou a bolsa e jogou nele de novo.
Jenna pensou: "Mesmo que seja tão cheio de si, eu não vou ter medo de você. Se me irritar ou me humilhar, eu vou fazer você pagar."
"Você está louca, já chega", Hansen agarrou a bolsa e gritou com raiva, "Está escurecendo. Você quer morrer aqui?"
Ele a arrastou. Ela não conseguia ficar de pé com o tornozelo machucado e caiu no chão.
"O que está fazendo?" Hansen a agarrou rapidamente e gritou com raiva.
"Ai!" Embora tenha escapado de cair no chão, ela torceu o tornozelo de novo e gritou de dor.
Naquele momento, o telefone na mão de Hansen começou a tocar. Se não fosse pelo fato de ser um telefone de edição limitada cravejado de diamantes que ele havia dado a ela, ele o teria arremessado ao chão.
Ele soltou Jenna, mas ela estava instável e caiu no chão. Suas nádegas estavam doloridas por ter caído sobre as pedras. No entanto, ela não se importou. Apenas agarrou o tornozelo com a mão, pálida.
Só então Hansen percebeu que seu tornozelo estava machucado. Ele abaixou a cabeça e puxou a mão dela, vendo que estava inchado. Ele percebeu que havia se enganado. Suspirou e sua raiva esfriou um pouco.
"Qual é o problema?" Embora sua voz ainda estivesse muito fria, não estava tão zangado quanto antes. Estava mais atencioso.
"Vá embora. Não é da sua conta," Jenna estava com raiva.
"Você é tão teimosa. Estou saindo então. Espere ser comida pelos lobos," Hansen bufou, "Não pense que Rayan pode salvá-la. Ele já está na outra ilha. Agora, nós somos o os únicos nesta ilha. Não seja ingênua. Eu sou o único que pode salvá-la. Você entende? Como você ousa se comportar assim?
"Não é isso que você quer? Faz tempo que quer que eu morra. Não seria melhor eu morrer?" Jenna disse, triste.
"Sua maldita, o que você quer dizer? Você acha que eu fiz isso de propósito?" Hansen ficou muito irritado com o que ela disse. "Se eu quisesse deixar você morrer, eu voltaria? Quando você se tornou assim? Eu não entendo o que você está pensando. É irracional."
Hansen ficou furioso e Jenna também ficou chateada. Eles não conversaram mais.
O céu estava escurecendo e restava apenas uma pequena luz fraca.
"Parece que só podemos dormir no meio do mato esta noite. É um azar ter uma mulher como você", Hansen olhou ao redor e suspirou. O celular não parava de tocar. Ele o desligou e o jogou na bolsa dela. Ele se abaixou para erguê-la. Depois de alguns passos, o rosto de Jenna estava coberto de suor. Seus pés doíam tanto que ela não conseguia andar.
"Problemática." Hansen murmurou e a carregou. Ele desceu a montanha outra vez.
Estava escuro quando chegaram ao sopé da montanha. Hansen balançou a cabeça olhando para o mar nebuloso no escuro.
"Vamos encontrar um lugar para passar a noite," disse, impotente.
Jenna estava sentada em uma pedra e a brisa do mar continuava soprando. À medida que a noite caía, ficava mais frio na ilha. Ela tirou a jaqueta da bolsa e a vestiu. Felizmente, ela se sentiu melhor.
"Por que não disparamos o sinalizador?" Jenna propôs enquanto olhava para Hansen, que contemplava o mar em transe, sabendo que era um fardo para ele.
"Você está pensando em desistir? Que vergonha!" Hansen lançou um olhar de desprezo para ela.
Jenna não se atreveu a dizer nada depois daquilo. Ela sabia que Hansen era competitivo. Não importa o que ele fizesse, ele não admitiria a derrota. Se disparasse o sinalizador, significaria que ele havia perdido. Por mais orgulhoso que fosse, ele não faria uma coisa tão humilhante.
Infelizmente, ela temia que a reputação dele fosse arruinada por ela. Jenna encolheu-se e não se atreveu a falar mais nada.
"Fique aqui. Vou procurar um lugar adequado para passar a noite," Hansen bufou e saiu.
Embora a estrada ao pé da montanha tivesse sido pavimentada, ainda havia muitos bichos à noite. O som do vento soprando e o farfalhar das árvores podiam ser ouvidos no silêncio. A escuridão a engolfou enquanto seu medo crescia. Jenna estava com frio, com fome e com medo. Depois que Hansen saiu, ela ficou ainda mais assustada. Ela só esperava que ele voltasse logo.
Depois de muito tempo, ela ouviu passos no escuro. Quando levantou a cabeça, viu Hansen alegre indo até ela. Ela também se alegrou.
"Você encontrou um lugar?" Perguntou, cheia de expectativa.
Hansen olhou para ela, satisfeito. Ela confiava nele, e sua autoestima aumentou muito naquele momento.
"Encontrei uma caverna, mas pode ser frio à noite." O orgulho de Hansen estava satisfeito e sua voz estava calma.
Sua voz era magnética e agradável aos ouvidos de Jenna. Ele gostava daquele tipo de mulher, que confiava nele. No entanto, ela também não costumava ser arrogante!
Ele não estava interessado nela, mesmo.
Hansen se aproximou e se abaixou para pegá-la e se dirigiu para a caverna. Jenna sentiu o calor de seu abraço e não sentiu mais o frio nem o vento gelado. Ela se entregou ao cheiro, que por um momento a fez se sentir feliz.
Ela aninhou a cabeça em seus braços e escutou o som de seu coração em silêncio. Ela estava convencida de que ele não pretendia matá-la nem era algum tipo de plano premeditado. Foi tudo apenas uma coincidência.
A caverna ficava no sopé da montanha, e algumas partes estavam cobertas de cimento. Parecia que havia planos para construir algo, mas foi descontinuado. Havia uma mesa de pedra e vários bancos de pedra. Havia uma lâmpada do lado de fora da caverna, e a luz fraca brilhou na caverna.
"Só podemos passar a noite aqui," Hansen viu Jenna em seus braços e o encarando. Ele sorriu: "O que você está olhando? Descobriu agora que eu sou tão bonito?"
Jenna foi despertada por sua piada. Ela corou e desviou o olhar.
Hansen sorriu e a colocou no banco de pedra. Abriu a bolsa que carregava consigo e pegou um kit de primeiros socorros com uma pomada para contusões. Pegou uma bola de algodão e molhou na agua. Entregou a Jenna. "Comprima com algo frio primeiro e aplique a pomada depois. Você ficará bem amanhã."
"Obrigada," Jenna sussurrou, pegou a bola de algodão de sua mão e a aplicou em seu tornozelo. Com certeza, depois de fazer isso, a dor diminuiu. Depois de um tempo, Hansen entregou o kit de primeiros socorros para ela. Jenna aplicou a pomada no tornozelo e se sentiu melhor.
O próximo problema era a fome. Jenna sentia seu estômago vazio. Estava com tanta fome que estava tonta!
Ela andou o dia inteiro e estava exausta e sonolenta. Agora, ela estava com medo, com frio e ainda mais faminta. Ela se deitou na mesa de pedra, sentindo frio e desconfortável.
"Humpf, você é tão mimada", Hansen começou a ser sarcástico de novo. "Sobreviver na natureza é treinar as habilidades na selva, caso contrário seria melhor ficar em casa."
"Se você é tão capaz como diz, saia e encontre algo para comer. É melhor do que zombar de mim aqui," Jenna estava inflexível, "Você é o dono dessas ilhas. Claro, você sabia que havia uma caverna aqui. Não é grande coisa. Como pode alegar ter habilidades de sobrevivência se você nem consegue encontrar comida?"
"Você está me menosprezando?" Hansen franziu a testa e fechou a cara, ressentido.
Jenna se divertia ao vê-lo competitivo como uma criança. Ela segurou o riso e não disse nada.
Ela deitou na mesa de pedra e se sentiu entediada quando Hansen saiu.
Depois de um tempo, como ele não havia voltado, ela se sentiu ansiosa.
Estava escuro como breu. Ele não estava procurando comida no escuro, estava? Pode haver perigo nas montanhas. Pensando nisso, ela estava preocupada e se arrependeu de tê-lo provocado.
Depois de um longo tempo, quando Jenna estava muito ansiosa, ouviu passos novamente. Ficou encantada ao ver a luz da rua na entrada da caverna e um cheiro de peixe invadindo em suas narinas. Hansen estava entrando com algo na mão. Ela deu uma olhada mais de perto e seus olhos se iluminaram.
