Capítulo 69

Em lugares como a Cidade A, especialmente para a nobreza, se uma mulher se casasse com um homem e não pudesse ser reconhecida na árvore genealógica, embora fosse legalmente registrada como esposa legítima, todos sabiam que ela era apenas a concubina. Esse fato há muito era um consenso.

Como poderia o homem encarregado da família não ter esposa no livro da família? A menos que ele amasse apenas aquela mulher, ou então, ele se casaria com alguém que seria reconhecido na árvore genealógica.

Se o relacionamento com a mulher fracassasse, ou se a mulher não pudesse dar à luz um filho no futuro, por causa dos interesses de sua família ou para garantir descendentes, ele poderia se casar com outra mulher, registrar-se em outro país e trazê-la para casa. Se ela fosse reconhecida pelos anciãos, poderia se tornar esposa legítima. No final, a primeira esposa se tornaria a concubina, afinal, não foi reconhecida em primeiro lugar.

Todos sabiam do risco. Aria não era boba. Como não saberia?

Embora a nobreza fosse muito generosa e aberta, uma concubina ainda é uma concubina. Eles não podiam ceder aos interesses da amante.

As pessoas da pequena nobreza sempre foram a espinha dorsal da sociedade, e muitas regras foram alteradas há muito tempo por eles. Embora o estado defendesse a monogamia, a regra há muito não satisfazia a necessidade da pequena nobreza de expandir suas famílias. Eles começavam outra família fora e davam à luz outros filhos. Os problemas que foram trazidos para a sociedade, não eram considerados por eles. O dinheiro poderia resolver a maioria deles.

Hansen era um pensador progressista e nunca se interessou em se ter uma concubina, mesmo sendo uma prática popular. Ele sempre pensou em seguir os passos do pai, casar-se e ter um casamento feliz. Já que escolheu amar uma mulher, deveria dar a ela o melhor. Seria irresponsável da parte dele se sua esposa vivesse uma vida triste. Ele havia testemunhado inúmeros conflitos em família. Ele não gostava e sentia que isso afetaria sua qualidade de vida.

Foi por isso que Hansen se ressentiu de Jenna. Ele a odiava por tirar-lhe a esposa, o que lançava uma sombra sobre seu futuro amor.

Se uma mulher se casasse com um homem sem o reconhecimento da família, era algo muito embaraçoso na Cidade A.

Mesmo que o homem tivesse se casado com ela, seria desonroso e vergonhoso para a família da mulher, sem contar a prestigiosa família Richards. Todo mundo conhece as regras sobre concubinato estabelecidas pela nobreza. Portanto, ninguém com bons antecedentes familiares gostaria que suas filhas se casassem como concubinas.

"Não, vovó disse que eu posso ser a primeira esposa. Hansen, você está divorciado e podemos nos tornar um casal legal. Além disso, mamãe prometeu que me deixaria morar na Mansão Richards." O rosto de Aria começou ficar pálido e as lágrimas brotavam de seus olhos.

"Aria, como eu disse, não tenho nada a dizer sobre isso. Por favor, deixe claro para seus pais também." Hansen balançou a cabeça, impotente.

O coração de Aria estava doendo e ela estava muito desconfortável. Ela sabia que se Hansen se casasse com ela, eles poderiam deixar essas coisas mundanas de lado. No entanto, se Hansen se casasse com outra mulher, aquilo complicaria as coisas.

No entanto, ela tinha o apoio de Marissa. Depois que a vovó Richards falecesse, ela teria a chance de se mudar para a Mansão Richards. Claro, tudo baseado na premissa de que Hansen a amava e a apoiava.

No entanto, Hansen ainda estava apaixonado por ela? Ela não sabia o que lhe estava reservado, ainda mais depois que Jenna apareceu!

Jenna ficou na Mansão Collier por dois dias e não viu Hansen. Ele não atendeu suas ligações, o que a incomodou. Quando queria sair, era interrompida por Larry, dizendo que Hansen não a deixaria sair porque não queria que ela sofresse mais acidentes.

Ela ficou na Mansão Collier com Larry de olho nela. Ela não tinha chance de sair.

Até Jenna, que tinha um bom temperamento, estava cheia de queixas. O que Hansen estava pensando? Ela estava em prisão domiciliar?

Quanto mais ficava ali, mais irritada ficava. Hansen tinha algo a ver com a morte de seu pai?

Como ele morava no apartamento há tantos anos, se houvesse alguma coisa, ele teria deixado pistas para trás. Depois de pensar um pouco, Jenna decidiu investigar e dirigiu-se ao escritório de Hansen.

Havia seis quartos no apartamento. Ela esteve no quarto de Hansen. Era simples e não havia nada de especial, mas ela nunca tinha ido ao escritório dele, que era mantido trancado. Depois de ficar no apartamento aqueles dias, ela sabia onde ele guardava as chaves.

Um molho de chaves sobressalentes estava em uma sala de armazenamento. Jenna se aproximou, encontrou as chaves e abriu a porta do escritório.

Fazia tempo desde que alguém tinha entrado no escritório. O quarto estava cheirando mofo. Havia uma cortina grossa e a luz mal podia entrar.

"Isso não é um estúdio? Por que está tão escuro?" Jenna se sentia cada vez mais estranha ali. Ela murmurou, curiosa.

Quando ela abriu a cortina grossa, a luz entrou. Jenna semicerrou os olhos e abriu a janela. O ar fresco entrou e ela se sentiu mais confortável.

Havia várias fileiras de prateleiras de madeira preta e uma coleção de bons livros. Havia alguns livros que Jenna queria ler ali. Alguns dos livros eram de edição limitada e difíceis de encontrar. Alguns eram únicos e tinham um significado extraordinário.

Havia apenas livros no escritório, e ela não conseguiu encontrar nada suspeito. Ficou desapontada. No entanto, ficou encantada ao ver tantos livros bons.

Jenna estava folheando as estantes, e uma manhã inteira se passou antes que percebesse.

Ela não encontrou nada suspeito. Quando ia sair do escritório, ela viu uma prateleira que estava coberta com um pano vermelho. Ela se perguntou por que ele tinha que cobri-lo. Havia algo estranho?

Ao caminhar em direção à estante, sentiu o coração acelerar, como se fosse descobrir alguns segredos.

Ela desdobrou o pano vermelho e engasgou. Descobriu-se que a pilha não era de livros comuns, mas de cadernos de capa dura. Pareciam diários, alguns já antigos.

Seriam os diários de Hansen?

Ela ficou curiosa. As coisas escritas nos diários eram seus pensamentos verdadeiros. Se a morte de seu pai tivesse algo a ver com ele, poderia ter sido escrito naqueles diários. Ela poderia muito bem dar uma olhada.

Suas mãos tremiam.

Não era ético ler o diário de outra pessoa. No entanto, ela tinha que fazer aquilo, pois poderia estar relacionado à morte de seu pai!

Ela pegou um dos diários e o folheou. Uma foto caiu dele. Ela ficou atordoada!

Jenna olhou para baixo e ficou pasma.

Era uma foto dela na universidade. Ela usava um vestido branco e seu cabelo era longo. Ela tinha um sorriso largo, que a fazia parecer fofa e adorável.

Por que a foto dela estava no diário dele? Era tão antiga!

Jenna estava incrédula. Ela mal falava com Hansen na universidade. A única vez que ela o encontrou foi na biblioteca. Durante aquele encontrou, o sorriso em seu rosto era largo. A lembrança de seu olhar um pouco tímido ainda estava viva em sua mente!

Quando ela ainda era jovem, ela o tinha visto várias vezes ao visitar a vovó Richards na Mansão Richards com seu pai. No entanto, Hansen nem a olhava nos olhos.

Mesmo quando a vovó Richards pediu que ele se apresentasse a eles, também era indiferente. Parecia que ele não se importava com ela.

Como ele conseguiu uma foto dela?

Jenna ficou confusa por um momento. Havia um álbum abaixo. Quando abriu, viu um menino jovem e bonito. Ele parecia com ele criança. Ele era charmoso e bonito, com um sorriso e um pouco de timidez. Jenna estava em transe quando tocou na foto. Entregou-se a seus pensamentos.

Um sorriso se espalhou por seu rosto.

O álbum estava cheio de fotos de Hansen desde a escola primária até a universidade, incluindo fotos de formatura na universidade. Como eram da mesma universidade, havia lembranças compartilhadas.

Tocando nas fotos, Jenna parecia ter voltado aos seus dias de universidade. Naquela época, ela era muito feliz por ter a proteção de seu pai, diferente de agora!

Pensar em seu pai, fez a dor em seu coração voltar. Ela fechou o álbum de fotos e abriu o diário. O diário era grosso, e as memórias de Hansen do ensino fundamental à universidade estavam registradas nele!

Era errado espiar a privacidade dos outros. Jenna teve a sensação de que estava cometendo um crime. Seu rosto queimava, mas se ela encontrasse o que precisava, não se importaria muito.

[Era uma vez...

A noite era escura, mas isso não me impediu de ver a verdade com clareza.

Fiquei no escuro e a observei beijando Norton. Eles ainda estavam no campus, e eram tão descarados e sem escrúpulos! Eles eram adúlteros. Ela parecia inocente, mas como podia ser tão mesquinha? Ontem, ela estava abraçando outro, mas agora, fazia uma coisa dessas com Norton. Até o ouvi dizer que a pagaria depois. Que prostituta!

Tudo era apenas aparência. De agora em diante, não vou acreditar naquela mulher. A mulher que parecia inocente do lado de fora, na verdade não era sofisticada e nem boa em disfarçar.]

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