Capítulo 5

Mas Diana se recusou a ceder.

Ela empurrou para o lado o pesquisador que bloqueava seu caminho e avançou direto para a sala de isolamento. “Sai da frente! Se vocês não vão tratar dele, eu vou levar meu pai para casa! O Lancaster Group tem sua própria equipe médica — cem vezes melhor do que o seu institutinho patético!”

A expressão do diretor mudou na hora. Ele correu atrás dela. “Senhorita Lancaster, a condição do seu pai... ele não pode ser removido—”

“Vai embora!” Diana o empurrou, já com a mão na maçaneta da porta da sala de isolamento.

“Você não pode entrar.”

Diana se virou bruscamente e viu Lucinda três passos atrás, observando-a com calma.

“O vírus que seu pai contraiu tem uma taxa de transmissão aérea três vezes maior do que a de uma gripe comum. Abra essa porta agora e, em duas horas, este instituto inteiro vira uma zona contaminada. Em três dias, metade de Starlight City será afetada. Você quer que seu pai seja a origem dessa catástrofe?”

A expressão de Diana vacilou por um instante, depois voltou à sua pose altiva. “Para com esse terrorismo psicológico! Você — uma ninguém que apareceu do nada — o que você sabe?”

“Ela está dizendo a verdade.”

Uma voz trêmula veio de trás.

Um dos pesquisadores tinha empalidecido, encarando Lucinda fixamente. “Taxa de transmissão aérea três vezes maior... essa informação veio do trabalho de um consultor misterioso, de três anos atrás, publicado só em periódicos internos, nunca divulgado ao público. Como você sabe disso?”

A sala ficou em silêncio por um momento. Todos os olhares se voltaram para Lucinda.

Diana parou, congelada por um segundo, e então soltou uma risada fria. “Então você deu uma espiadinha em uns artigos e agora veio aqui dar lição em todo mundo? Eu entro e saio de laboratórios com meu pai desde pequena. Eu já vi mais casos do que você fez refeições. Uma pessoa como você, que nem sabe pra que lado a porta do laboratório abre — acha que vai me impedir?”

Ela deu um passo mais perto. “Sai.”

Lucinda não se mexeu.

Ela ergueu os olhos para encarar o olhar imperioso de Diana, e seus lábios se curvaram levemente.

O sorriso era tão discreto que mal dava para ver, e ainda assim era profundamente perturbador.

“Do que você está sorrindo?” Diana franziu a testa.

Lucinda não respondeu. Virou-se para o pesquisador mais velho. “O artigo interno de três anos atrás, página 47. O protocolo de tratamento para cepas variantes do vírus — no apêndice foi mencionado um inibidor. Dosagem calculada por peso corporal, injeção intravenosa. Em dez minutos, a frequência cardíaca dele vai cair e a oxigenação do sangue vai subir.”

As pupilas do pesquisador se contraíram com força. “Aquilo era só modelagem teórica. Nunca foi validado clinicamente...”

“Valide agora.”

Diana encarou, depois bufou com desdém. “Bela encenação. Por que não diz logo que foi você que desenvolveu?”

Ela se virou para o diretor, a impaciência tingindo a voz. “Você vai deixar ela falar essas besteiras? Se acontecer alguma coisa com meu pai, quem vai assumir a responsabilidade?”

A testa do diretor estava encharcada de suor.

Ele olhou para os números saltando na tela de monitoramento, depois para o rosto absurdamente calmo de Lucinda. A mente dele girava em caos.

Tudo o que aquela mulher dizia soava lógico, mas—

Mas quem era ela?

Ele nunca a tinha visto antes.

Ele sabia de cor a lista do pessoal principal. Aquele rosto não estava nela.

Ele também conhecia todos os consultores. O mais jovem tinha uns quarenta e poucos. Nenhum era tão jovem assim.

O pesquisador ia falar quando Lucinda o interrompeu.

“Você entra e sai de laboratórios com seu pai desde a infância. Depois de todos esses anos, é só a esse nível que você chegou?”

A voz de Lucinda continuou serena. “No instante em que o vírus se manifesta, em vez de pensar no tratamento, tudo o que você quer é empurrar a culpa para alguém. Você nem entende a regra básica de que salas de isolamento não podem ser abertas. Seu pai está lá dentro, com a vida por um fio, e o tempo que você desperdiçou aqui já teria sido suficiente para eu salvá-lo três vezes.”

A expressão de Diana ficou horrível. Ela se virou bruscamente para os dois seguranças na porta. “Tirem essa louca daqui!”

Os guardas trocaram olhares e avançaram—

“Parem!” Elowen se colocou na frente de Lucinda, com os braços abertos para protegê-la, a voz tremendo de raiva. “Não encostem nela! Ela é minha mentora!”

A sala de monitoramento mergulhou em silêncio.

O olhar de todos foi de Elowen a Lucinda e voltou.

Quem era Elowen? A pesquisadora mais jovem do instituto. Um gênio com doutorado aos vinte e três. Normalmente arrogante, nunca dava moral a ninguém.

E desde quando ela tinha uma mentora? Uma que parecia ainda mais nova do que ela?

O pesquisador mais velho foi o primeiro a reagir, avançando. — A Elowen está certa. A prioridade agora é salvar o paciente, não expulsar pessoas.

Lucinda olhou para Elowen. O arco de seus lábios se aprofundou um pouco.

Então se virou e foi direto ao console de controle.

O rosto de Diana mudou na hora. — O que você está fazendo?

Lucinda a ignorou. Sua mão pousou no console, e seus dedos finos voaram pelo teclado.

Linhas de código complexo surgiram instantaneamente na tela, dados despencando como uma cachoeira.

Diana avançou para impedi-la, mas Elowen a barrou com firmeza.

Lucinda não olhou para trás, a voz serena. — A pressão intracraniana do Barney chegou a cento e três. Se demorarmos mais, nem Deus salva.

Na tela, comandos passavam em rápida sucessão. O braço mecânico na sala de isolamento foi ativado aos poucos, movendo-se com precisão até o lado de Barney.

Coleta de sangue, testes, medicação — todo o processo fluía sem falhas, rápido o suficiente para deslumbrar.

Diana ficou olhando, atônita. Demorou um bom tempo para se recompor; quando falou, a voz saiu estridente. — Pare agora mesmo! Você é uma ninguém, sabe-se lá de onde — com que direito você encosta no meu pai? Se acontecer alguma coisa com ele, eu vou fazer este instituto inteiro pagar!

Ela mal terminou de falar quando passos ecoaram do lado de fora.

— A sede chegou!

Um homem de terno cinza-escuro entrou a passos largos. Devia ter pouco mais de trinta anos; usava óculos de armação dourada e exalava um ar de refinamento acadêmico.

Os olhos do diretor se iluminaram. Ele se apressou para recebê-lo. — Sr. Mitchell! Finalmente chegou!

Dwight Mitchell — o pesquisador de grau especial mais jovem do bureau, um grande especialista em biomedicina. Publicara mais de vinte artigos em periódicos internacionais. Um verdadeiro peso-pesado.

Os olhos de Diana também brilharam.

É claro que ela conhecia Dwight. No baile anual da divisão médica do Lancaster Group no ano passado, ela mesma brindara com ele. Até o pai dela fora respeitoso.

Com ele ali, com certeza conseguiriam desenvolver um antídoto!

Ela empurrou quem bloqueava seu caminho e correu para a frente, o rosto imediatamente respeitoso. — Sr. Mitchell, que bom que veio! Meu pai, ele—

Antes que terminasse, ela congelou.

Dwight nem olhou para ela.

Seu olhar passou por cima dela e se fixou diretamente naquela figura fria junto ao console de controle.

Então seus olhos se acenderam — o tipo de brilho de quem vê um ídolo.

— Chefe?

Dwight correu até lá em dois passos, incapaz de conter a empolgação. — Chefe, é você! O que você está fazendo aqui?

A sala de monitoramento ficou tão silenciosa que dava para ouvir um alfinete cair.

Chefe?

A mandíbula do diretor caiu. Os olhos dos pesquisadores quase saltaram. A expressão de Diana foi um espetáculo à parte.

Lucinda não se virou, os dedos ainda voando pelo teclado. — Menos conversa, mais trabalho.

— Sim! — Sem dizer mais nada, Dwight arregaçou as mangas e correu para o console. — Chefe, me dê as ordens — diga onde mirar e eu atiro!

— Inibidor HSV-047. Dosagem calculada pelo peso corporal. Injeção intravenosa.

— Pode deixar! — Os dedos de Dwight voaram pelo teclado, seus movimentos mais eficientes do que os de todos os pesquisadores anteriores juntos.

Um silêncio mortal tomou a sala de monitoramento.

Todos ficaram parados como estátuas, encarando a cena.

O pesquisador de grau especial mais jovem do bureau, uma das maiores autoridades em biomedicina, agora estava ao lado daquela jovem como um aprendiz novato, fazendo exatamente o que ela dizia, sem uma palavra a mais.

Os lábios de Diana se moveram, mas não saiu som algum.

Lucinda se endireitou, a voz calma. — Sele a câmara central. Todo mundo para fora.

Dwight assentiu na hora. — Sim!

Ele se virou para a sala cheia de gente boquiaberta. — Não ouviram? Todo mundo para fora!

O diretor abriu a boca, querendo dizer algo, mas o olhar duro de Dwight o paralisou. Sabiamente, ele se virou e saiu.

Os outros pesquisadores o seguiram depressa.

Diana ficou plantada no lugar, como um poste de madeira, sem se mexer.

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