Capítulo 6

Diana foi empurrada para fora da câmara central. A porta hermética bateu com força atrás dela.

Ela ficou do lado de fora, encarando a porta selada. A expressão vazia em seu rosto foi, pouco a pouco, cedendo lugar à fúria. “O que ela pensa que está fazendo?”

Diana girou nos calcanhares, fulminando com o olhar a figura de Dwight que desaparecia atrás da porta. “Que tipo de feitiço ela lançou no sr. Mitchell? Por que ele ouviria ela?”

Ninguém respondeu.

Diana avançou até o diretor, com a voz estridente. “Vocês são cegos? Não viram aquilo? O Dwight — alguém do nível dele — chamando ela de ‘chefe’? Quem diabos ela pensa que é!”

O diretor abriu a boca para falar, mas ela o empurrou para o lado.

Diana se virou para os pesquisadores e, depois, para Flynn, o patrocinador encolhido no canto. Os olhos dela estavam injetados, e a voz, trêmula. “Vocês não estão vendo? Aquela mulher deve ter usado algum truque para seduzir o sr. Mitchell! Caso contrário, por que ele seria tão obediente?”

A expressão de Flynn oscilou várias vezes.

Ele se lembrou do quanto Dwight havia sido respeitoso com Lucinda, e a dúvida começou a se infiltrar.

Diana tinha razão. Quem era Dwight?

Um pesquisador de grau especial da sede. Um peso-pesado da biomedicina. Todo mundo o tratava com respeito.

Como ele poderia obedecer a uma jovem daquele jeito?

A menos que a relação deles não fosse simples!

“Eles enlouqueceram...” Flynn murmurou, suor frio brotando em sua testa. “Aquilo é a câmara central! Eles não sabem que tipo de vírus tem lá dentro? Entrar assim, na marra — quem assume a responsabilidade se algo der errado?”

Ele ergueu a cabeça de supetão para encarar o diretor, o pânico mal contido na voz. “Se o nosso sr. Barney Lancaster morrer aí dentro, nenhum de vocês vai escapar! Vocês não conhecem o temperamento do sr. Reginald Lancaster? O Ceifador do mundo dos negócios — acham que é um título vazio? O tio dele morrendo na sua instalação… imaginem o que acontece com vocês!”

O rosto do diretor perdeu a cor.

Reginald.

Aquele nome cravou no coração dele como uma lâmina.

No ano passado, uma empresa ofendeu o Grupo Lancaster. Em três dias, declarou falência e o dono se jogou da morte.

No ano anterior, um projeto em Starlight City teve complicações. Uma palavra de Reginald e toda a equipe foi colocada na lista negra do setor. Ninguém ousou contratá-los desde então.

Se ele se enfurecesse ali...

“Pare de falar besteira! Meu pai vai ficar bem!” Os olhos de Diana estavam vermelhos nas bordas, mas a voz tremia. “Meu primo está a caminho! Quando ele chegar, eu vou ver como aquela mulher morre! Vou fazer ele dizer uma palavra e fazer ela sumir desta indústria por completo!”

Ela disparou em direção à porta hermética, mas Elowen se colocou à frente, com os braços abertos, bloqueando a passagem.

Diana fuzilou-a com o olhar. “Quer morrer?”

Os olhos de Elowen ainda estavam vermelhos, mas suas costas permaneciam retas como uma barra de ferro. “Minha mentora está lá dentro salvando alguém. Ninguém vai perturbá-la.”

Diana soltou uma risada fria. “Sua mentora — o que ela é? Se ela matar meu pai, você pode assumir a responsabilidade? Você sabe quem é o meu primo? Com uma palavra dele, ele fecha este instituto inteiro!”

A voz de Elowen permaneceu firme. “Ela não vai. Eu conheço as capacidades da minha mentora.”

Diana congelou. Os pesquisadores que já começavam a entrar em pânico também pararam.

Eles olharam para o rosto jovem de Elowen, e uma sensação estranha cresceu dentro deles. Mas, rapidamente, essa sensação foi esmagada por outro nome.

“O Reginald vai mesmo vir...” murmurou um jovem pesquisador, pálido.

O nome “Reginald” causava arrepios mais do que qualquer ameaça.

A expressão de Flynn ficou ainda mais feia. Ele encarou a porta hermética selada, a voz trêmula. “Se o sr. Lancaster ficar com raiva, estamos todos acabados...”

Dentro da câmara central, Lucinda estava diante do console de controle, os dedos finos dançando sobre o teclado rápido demais para acompanhar.

Dwight estava ao lado dela, mal ousando respirar.

Na tela, os dados despencavam como uma cachoeira.

Na câmara de isolamento, o braço mecânico se movia com precisão — colhendo sangue, testando, preparando a medicação, injetando. Cada etapa fluía sem interrupção, assustadoramente suave.

O olhar de Dwight pousou naquelas mãos.

Aquelas mãos que pareciam tão delicadas agora se moviam numa velocidade inacreditável, cada dedo caindo exatamente onde devia.

Ele tinha passado oito anos na sede e visto incontáveis especialistas de ponta. Mas nenhum conseguia executar operações como a sua chefe.

Na tela, os sinais vitais de Barney estavam subindo lentamente.

Um choque indescritível tomou o peito de Dwight.

Ele estudava vírus HSV havia oito anos. Quando viu os dados lá fora, mais cedo, um único pensamento havia preenchido sua mente — é tarde demais.

Sinais de dano cerebral já tinham aparecido. Os métodos convencionais não conseguiriam acompanhar a tempo.

Mas a chefe dele reverteu todos os indicadores em apenas alguns minutos.

Lucinda virou a cabeça e pediu a Dwight que monitorasse os dados da linha 3.

Dwight correu até outro console de controle, encarando a tela com atenção.

Pelo canto do olho, viu a chefe baixar a cabeça e continuar digitando, aquelas mãos ainda tão rápidas, tão firmes, tão precisas.

Dwight desviou o olhar, pensando em silêncio — mesmo que treinasse por mais dez anos, não conseguiria igualar aquela técnica.

Do lado de fora da câmara central, o clima ficava cada vez mais tenso.

Diana se colou ao vidro, batendo com as duas mãos, a voz aguda e áspera.

Lucinda a ignorou, mantendo as mãos no mesmo ritmo constante.

— Você é surda? — Os olhos de Diana estavam injetados de sangue, e a voz tremia. — Eu estou avisando: se alguma coisa acontecer com o meu pai, você vai se ajoelhar diante de mim e implorar perdão! Você não vai se recuperar pelo resto da vida! Meu primo não vai te deixar passar — ele vai fazer você desejar estar morta!

Flynn, atrás dela, entrou na conversa:

— A Srta. Lancaster tem razão. Não podemos deixá-los agir com tamanha irresponsabilidade! Se o Sr. Lancaster morrer aí dentro, nenhum de nós vai conseguir arcar com essa responsabilidade!

Os pesquisadores que estavam atrás de Elowen começaram a hesitar.

Olharam para a porta selada e hermética, depois para o rosto de Diana, quase distorcido. A dúvida se infiltrou.

Reginald...

Aquele nome pesava no coração de todos como uma montanha.

De repente, alguém soltou um grito de surpresa. Todos se viraram ao mesmo tempo para a janela de vidro.

Dentro da câmara central, Lucinda ainda estava diante do console de controle, as mãos ainda se movendo.

Mas agora o olhar dela tinha se desviado para outra direção — para a centrífuga de baixa temperatura que apresentava falha.

Os dedos continuavam digitando no teclado, mas os olhos estavam voltados para o equipamento.

— O que ela está fazendo? — alguém murmurou.

No segundo seguinte, todos viram.

Lucinda operava o teclado com uma mão enquanto falava.

Dwight, ao lado dela, assentiu de imediato e correu até a centrífuga, agachando-se para inspecioná-la.

Controlando o tratamento e orientando o reparo.

Ao mesmo tempo.

A sala de monitoramento caiu num silêncio absoluto.

— Isso... isso é impossível! — Os olhos do jovem pesquisador se arregalaram. — Ela está fazendo duas coisas ao mesmo tempo? Misturando reagentes enquanto orienta o conserto?

— E olhem... — outro pesquisador apontou para a tela, com a voz trêmula. — Ela não parou de operar! Os comandos continuam sendo inseridos! Como ela está fazendo isso?

Misturar reagentes exigia uma precisão extrema. Um movimento errado e tudo estaria perdido.

Consertar aquele equipamento era ainda mais difícil — era o produto médico carro-chefe do Lancaster Group, com estruturas internas tão complexas que até aqueles profissionais sentiam dor de cabeça só de pensar.

Ainda assim, ela executava as operações mais delicadas enquanto orientava os reparos mais complexos — simultaneamente.

A expressão de Flynn mudou várias vezes. Ele encarou aquela figura fria através do vidro, e sua garganta ficou subitamente seca.

Diana também ficou paralisada.

Mas, num instante, o choque no rosto dela foi substituído por um deboche ainda mais profundo.

— Por que vocês estão tão empolgados?

Ela riu com frieza.

— O que tem de tão difícil de adivinhar? O Sr. Mitchell deve estar orientando ela! Uma garotinha como essa... o que ela entende de procedimentos? Ela só está apertando botões aleatoriamente. Quem está fazendo o trabalho de verdade é o Sr. Mitchell!

Ela se virou de novo para encarar através do vidro, a voz ficando cada vez mais estridente:

— Continue com o teatrinho! Quando meu primo chegar, eu quero ver como vocês vão continuar fingindo! Vou fazer ele dizer uma palavra e fazer vocês desaparecerem completamente dessa indústria! Fazer vocês se ajoelharem diante de mim e implorarem por misericórdia!

Ela mal terminou de falar quando passos ecoaram no fim do corredor.

Leves. Firmes. E, ainda assim, carregados de uma opressão indescritível, como se pisassem diretamente no coração de todos.

Todos pararam ao mesmo tempo.

Ninguém ousou se virar.

Os passos se aproximaram, um após o outro, sem pressa, mas fazendo o ar do corredor se tornar denso.

No fim do corredor, um homem avançou lentamente.

Ele vestia um longo sobretudo preto, cuja barra balançava suavemente a cada passada.

Sua figura alta e ereta irradiava a aura de quem há muito ocupava posições de poder.

Seu olhar passou por todos e pousou naquela figura fria atrás da janela de vidro. Não havia emoção em seus olhos.

O corredor ficou tão silencioso que dava para ouvir um alfinete cair.

Ninguém falou. Ninguém sequer ousou respirar.

Reginald.

O homem mais rico do mundo. O ceifador do mundo dos negócios.

Ele tinha chegado.

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