Capítulo 2
— O que você acha que está fazendo? — Sara exigiu, fulminando a outra garota com o olhar.
— Você devia é ficar agradecida por ele estar te convidando — disse Laura, enfiando uma mão no cabelo de Sara e puxando com força. — Uma Ômega como você nunca deveria chegar perto o bastante para encostar nele.
Elas eram loucas, as duas! Enquanto Laura a mantinha presa na cama, Victor tirou a cueca mais uma vez.
Sara se debateu com mais força contra Laura e conseguiu se soltar e se arrastar para longe. Seja qual fosse o jogo doentio que tinham em mente, ela não queria fazer parte daquilo. Já tinham humilhado ela; por que não podiam simplesmente deixá-la ir?
O vestido molhado grudava no corpo quando ela tentou sair da cama. Mas Victor a agarrou e a jogou de costas no colchão. Montou sobre os quadris dela e prendeu seus pulsos com as mãos. — Aonde você pensa que vai? A gente está só começando.
Ela piscou para enxugar as lágrimas enquanto olhava para ele. Olhando para Victor, ela não conseguia ver o cara por quem tinha sido tão loucamente apaixonada por três anos.
Como ela não tinha enxergado esse lado dele o tempo todo? Mesmo antes de começarem a namorar, eles tinham morado juntos por muito tempo. Ele nunca a tinha tratado com dureza.
Se alguém tivesse dito que ele a estava traindo, ela não teria acreditado. Mas agora… agora, ela tinha visto o verdadeiro rosto dele, quem ele realmente era, e mesmo com a verdade escancarada diante dela, era tão difícil acreditar.
Quando foi que ele mudou? Quando foi que começou a ver Laura pelas costas dela? Ele alguma vez a amou de verdade? Por que namorou com ela se achava que ela não valia nada? Ele poderia tê-la rejeitado desde o começo e ficado com a filha do Beta, se era isso que ele realmente queria.
Havia perguntas demais, e ela não tinha certeza se queria as respostas. Talvez nem precisasse delas. Não mudariam nada.
— Eu não vou incomodar vocês nunca mais — disse ela, com a voz estrangulada pelas lágrimas presas na garganta. — Me deixa ir, e eu saio da sua vida.
— Você não quer transar comigo? — ele perguntou, segurando os pulsos dela com uma mão e passando a outra pela lateral do rosto dela.
Ela se encolheu ao toque e virou o rosto para o lado, tentando fugir. — Me deixa ir — sussurrou, despedaçada.
Ele a agarrou pelo queixo, os dedos cravando dolorosamente na mandíbula. Puxou o rosto dela de volta para encará-lo. — Você acha mesmo que pode me rejeitar? Eu vou te mostrar quem é o Alfa aqui.
Laura soltou uma risadinha alta. — Por que você ainda perde tempo com ela, Vic? Você não devia se contaminar com esse lixo.
— Até cachorro vira-lata merece migalhas — ele disse, inclinando-se para aproximar o rosto do de Sara. — Eu estou dando uma chance para ela ficar do meu lado, mas ela está jogando isso na minha cara como se fosse boa demais para mim. Deve ter começado a achar que a gente é igual só porque eu namorei com ela por tanto tempo.
— Seu erro — Laura zombou.
— Então deixa eu consertar — ele disse, e soltou o rosto de Sara.
A mão dele se moveu entre os corpos, agarrando o vestido encharcado de Sara e puxando-o para cima, expondo seu corpo. Ela lutou contra o aperto e debateu as pernas para se livrar dele, mas ele era forte demais para ela.
Ele conseguiu empurrar o vestido até acima da cintura e então arrastou a calcinha pelas pernas dela. Forçou as pernas de Sara a se abrirem com os joelhos e encaixou os quadris entre elas.
As súplicas de Sara caíam em ouvidos surdos; ele não dava sinal de recuar das próprias intenções. Usou a mão para guiar o membro até o centro dela, e o corpo inteiro de Sara se enrijeceu quando sentiu a ponta roçar nela.
Ela gritou para ele parar, mas ele só tentou penetrá-la de novo. Quando tentou forçar a entrada outra vez, ela fez de tudo para jogá-lo para longe. Sentiu um poder estranho atravessar seu corpo e, quando puxou os punhos desta vez, conseguiu escapar do aperto dele.
Os olhos de Victor se arregalaram, surpresos, mas antes que ele pudesse agarrá-la de novo, ela se ergueu apoiada nos braços e mordeu o pescoço dele. Victor berrou e a empurrou para longe, depois se atrapalhou para sair da cama, segurando o pescoço.
— Que porra é essa?
Laura também saiu da cama, lançando a Sara um olhar chocado.
— Como você ousa morder ele?
Victor moveu a mão, e todos viram o sangue escorrendo pela pele dele. A marca da mordida não era de dentes, e sim de presas. Como se a loba dela tivesse emergido para atacá-lo.
— Você está muito morta — disse Laura, examinando de perto o ferimento de Victor. — Como uma Ômega como você consegue ferir o Rei Alfa? De onde você tira tanto poder?
Sara sabia o que ela queria dizer. Não era sobre a audácia de machucar Victor, e sim sobre a capacidade de atacá-lo e dominá-lo. Uma Ômega nunca poderia fazer isso com um Alfa — muito menos uma Ômega fêmea fraca como ela. Ela não fazia ideia de como tinha conseguido, mas não era hora de pensar nisso.
Encarando diretamente os olhos de Victor, cheios de fúria, ela disse:
— Eu, Sara Mae Xavier, rejeito você, Victor Andrew Jameson, como meu companheiro. Eu revogo o vínculo entre nós e abro mão de toda responsabilidade, reivindicação e direito sobre você como meu companheiro. Que a Deusa seja testemunha disso.
Laura soltou um grito, horrorizada.
— O quê? Você está rejeitando o Rei Alfa? Que ousadia!
Mas as ofensas que Laura despejou em seguida entraram por um ouvido e saíram pelo outro, porque, de repente, Sara não conseguia mais se concentrar em nada. Seu corpo foi tomado por um tipo de dor que ela nunca tinha sentido antes. Uma dor sobre a qual ela só tinha ouvido falar.
Quando um vínculo de companheiros era rompido, você ficava mais fraco. Como Ômega, o rompimento tinha um impacto ainda mais severo nela. E não ajudava o fato de o companheiro dela ser um rei Alfa forte... ela teria sorte se conseguisse sobreviver.
Ela só queria sair daquele quarto, mas seu corpo desabou, obrigando-a a permanecer na cama, impotente.
E então tudo ficou em branco.
