Capítulo 1
À meia-noite, as luzes da cobertura do Avenwood Grand Hotel se acenderam de repente.
Quando Aurora Campbell empurrou a porta e entrou, o ar estava carregado com o frio que atravessara o Pacífico, misturado ao aroma forte e imperioso do charuto de Dylan Ramirez.
Mantida em sigilo dentro dos termos do contrato, ela nem tivera tempo de passar batom quando o carro particular foi buscá-la.
— Você tomou banho? — Dylan não se virou; seus dedos longos continuaram batendo no teclado.
— Como está no acordo, não estou usando perfume. — Sua voz era suave, e a camisola de seda se agarrava ao seu corpo trêmulo como uma segunda pele.
Por fim, Dylan girou a cadeira.
Seus olhos insondáveis eram como um bisturi, dissecando-a centímetro por centímetro. — Venha aqui.
Aquela única frase despedaçou toda a aparência de calma.
A frieza na voz dele fez sua respiração falhar.
Aurora não hesitou; foi direto até ele.
No instante em que se aproximou, Dylan a puxou para os braços, prendendo a mão em seu queixo para obrigá-la a erguer o rosto. O beijo foi feroz e urgente — não era um beijo, mas uma explosão de emoção crua. Os dentes dele bateram contra seus lábios, arrancando dela um gemido de dor, mas ele não parou. A língua dele forçou passagem por entre seus dentes, silenciando cada som que ela tentava soltar.
Imobilizada contra a parede fria, Aurora sentia a pressão nas costas. Todo o peso dele a comprimia, o cheiro pesado de fumaça se misturando àquela aura gelada tão familiar, quase a sufocando. Uma das mãos deslizou de seu queixo para baixo e rasgou com brutalidade a gola de sua roupa. As pontas dos dedos dele estavam escaldantes enquanto desciam por sua pele.
Ele respirou contra seus lábios, a voz baixa e rouca.
— Quanto tempo.
Aurora tentou empurrá-lo para longe, mas ele agarrou seus pulsos e os prendeu com firmeza acima de sua cabeça. As alças da camisola escorregaram por seus ombros, e ele abaixou a cabeça para morder sua clavícula — nem forte demais, nem suave demais — ainda assim, um arrepio percorreu seu corpo.
Dylan forçou as pernas dela a se abrirem com o joelho; em algum momento, a faixa do robe havia se desfeito. A pele dos dois se pressionava, ardendo de calor; cada toque carregava um desejo inconfundível. Aurora tremia da cabeça aos pés, sem saber se era por causa do frio ou da agressividade descarada dele.
— Não aqui... — protestou seu último fio de razão.
— Isso depende de você? — Ele fez uma pausa, erguendo os olhos para encará-la. Na penumbra, seus olhos, normalmente tão frios, ardiam com um fogo sombrio que fez o coração dela disparar.
Então, de repente, ele a ergueu no colo e deu alguns passos até o quarto. Os dois afundaram juntos nos lençóis revolvidos. Os beijos dele voltaram a cair, mais urgentes do que antes. Suas mãos percorreram cada ponto sensível do corpo dela, enviando arrepios por sua espinha com a intimidade precisa de seus movimentos.
— Cinco anos — murmurou ele, a voz abafada contra o pescoço dela enquanto beijava e mordiscava seu lóbulo da orelha. — Existe sequer um lugar no seu corpo em que eu não tenha tocado? Hum?
Aurora fechou os olhos, fincando as unhas nas costas dele.
A noite estava densa e pesada, e a respiração escaldante dele queimava seu pescoço como um veredito inevitável.
Ela viu o desejo subir nos olhos dele quando ele desafivelou o cinto. Depois que aquela camada de autocontrole foi removida, tudo o que restou foi a fome reprimida de três meses.
Quando acordou, o lugar ao lado do travesseiro estava vazio, mas ela conseguia ouvir o som de água correndo vindo do banheiro. Ao olhar naquela direção, viu uma silhueta esguia e indistinta refletida no vidro fosco.
Aurora ficou um pouco surpresa; ele nunca costumava ficar ao lado dela até o amanhecer, mas hoje tinha aberto uma exceção.
Ela se forçou a se sentar, com o corpo dolorido, e olhou para o banheiro, onde a água ainda corria.
O som da água parou abruptamente.
A porta de vidro fosco se abriu com um estalo.
Dylan saiu com uma toalha frouxamente enrolada na cintura, a água escorrendo por seus abdominais definidos e brilhando à luz da manhã.
— Acordou? — Sua voz era neutra enquanto ele pegava um documento na mesa de cabeceira. — Perfeito. Dê uma olhada nisto.
O documento caiu sobre os lençóis, levantando uma fina nuvem de poeira.
Acordo de Término de Relacionamento.
Aurora encarou o título e, de repente, achou toda a situação bastante irônica. Cinco anos — no fim, tudo o que era preciso para acabar com aquilo era uma única folha de papel.
Dylan já tinha ido até o guarda-roupa para escolher uma camisa, seus movimentos fluidos como se estivesse assinando um contrato qualquer.
Uma dor surda atingiu seu peito de repente, forte e cruel. O médico tinha dito que seu coração não aguentaria mais do que três meses, e ela tinha planejado apoiá-lo em silêncio durante esse período final.
— E se... eu não concordar? — Ela ergueu a cabeça, os olhos ardendo, mas segurando as lágrimas.
Dylan fez uma pausa ao abotoar a camisa e, por fim, virou-se para olhar diretamente para ela.
Seu olhar era frio e impiedoso, como se ele estivesse avaliando um artigo de luxo fora de estação.
— Aurora, não seja ridícula. — Ele pegou o relógio de pulso. — Esta casa fica para você, mais cinquenta milhões. É muito.
Ela de repente caiu na risada, arrancou o acordo das mãos dele, foi até a última página e assinou seu nome rapidamente.
A ponta da caneta quase rasgou o papel.
— Não quero o dinheiro. — Ela atirou o acordo de volta para ele. — Só me devolva a minha liberdade.
A sobrancelha de Dylan se franziu quase imperceptivelmente.
— O que você quer? — Ele colocou o relógio no pulso devagar.
— Tipo... — disse ela, pulando da cama e erguendo o rosto para ele com um sorriso radiante, os pés descalços tocando o chão gelado. — Agora eu posso finalmente sair com outras pessoas. Ouvi dizer que abriu um bar novo em Westgate, cheio de caras gostosos.
O ar congelou por um instante.
Os dedos dele se apertaram levemente enquanto ajustava os punhos da camisa; a pulseira do relógio soltou um leve ruído metálico.
— Tanto faz. — Sua voz estava mais fria do que antes.
Quando a porta se fechou, Aurora continuou parada onde estava. Então se agachou lentamente, apertando o peito dolorido e deixando as lágrimas escorrerem livremente pelo rosto.
