Capítulo 4

“Fala sério?!” Allison se animou na mesma hora e agarrou o braço de Laila. “Não é de conhecimento geral que Dylan não se interessa por mulheres e só vive para o trabalho? Ele realmente tem alguém no coração? E é a nossa futura chefe?”

Laila riu e afastou a mão dela. “Você tá muito por fora! Se quiser continuar com seu emprego no escritório do CEO, precisa saber pelo menos um pouco do que acontece nesses círculos.”

Allison juntou as mãos imediatamente, num gesto de súplica. “Por favor, me conta!”

Laila se inclinou para mais perto e baixou a voz. “Eles cresceram juntos. Ouvi dizer que ele a pediu em casamento há cinco anos.”

Ela fez uma pausa e sorriu de forma significativa. “Mas a srta. Dawson estava decidida a seguir com os estudos, então recusou. As coisas ficaram complicadas entre os dois, e eles perderam o contato. Agora que a srta. Dawson acabou de chegar, o sr. Ramirez foi buscá-la. Essa atitude já não diz tudo?”

Allison cobriu a boca, os olhos arregalados de empolgação. “Meu Deus... isso parece um drama romântico da vida real!”

Aurora estava sentada ao lado dela, sentindo como se algo tivesse apertado seu peito de repente. A cor sumiu de seu rosto de forma incontrolável.

Seus dedos, pousados sobre o mouse, congelaram por completo.

Então Dylan tinha encerrado o acordo entre eles mais cedo porque a pessoa em quem ele sempre pensou havia voltado.

Mas, se ele sempre teve outra pessoa em mente, por que escolheu passar aquela noite com ela sem hesitar cinco anos atrás?

E por que insistiu para que ela assinasse aquele contrato depois daquela noite?

Como ela deveria explicar a intensidade inconfundível em seus olhos sempre que eles se encontravam?

Ela estava prestes a despejar uma enxurrada de perguntas quando o elevador privativo no fim do corredor emitiu um suave toque. Maya, a assistente do presidente do conselho, e vários chefes de departamento saíram primeiro.

Eles se curvaram respeitosamente e fizeram um gesto para a pessoa lá dentro. “Sr. Ramirez, srta. Dawson, chegamos aos escritórios executivos. Por favor, por aqui.”

Mal as palavras saíram de seus lábios, um homem vestido com um terno caro e sob medida saiu, exalando um ar de frieza e distanciamento.

Seus traços eram bem definidos, e seu rosto era quase impecável. Ele era alto e mantinha a postura ereta, com uma aura fria, reservada e nobre.

Como um aristocrata saindo de um retrato clássico, ele reunia elegância e altivez, tornando difícil sustentar seu olhar.

Aurora reconheceu Dylan na mesma hora, e seu coração falhou uma batida. Como ele podia estar ali?

Antes que ela pudesse reagir, ele já havia se virado para o elevador, envolvendo naturalmente com o braço a pessoa que ainda estava lá dentro.

Sua mão, de nós dos dedos bem marcados, pousou suavemente no ombro delicado da mulher. Com um leve puxão, ele conduziu para fora do elevador a figura graciosa no vestido cor de champanhe.

Com o movimento, o brinco de diamante no lóbulo da mulher refratou uma chuva de luz delicada, iluminando a curva suave quase imperceptível no perfil normalmente severo de Dylan.

Quando Aurora viu o rosto da mulher com clareza, tudo ficou claro — por que Dylan a tinha comprado naquela noite.

Acontece que a mulher tinha uma leve semelhança com alguém que Dylan sempre guardara no coração. O rosto inteiro não era parecido com o dela, mas o olhar e a curva das sobrancelhas eram um tanto semelhantes.

Mas até essa semelhança sutil bastou para que Aurora entendesse a verdade.

Ela já tinha pensado que Dylan talvez sentisse algo verdadeiro por ela. Agora, percebeu que não passava de uma substituta.

Sem aviso, seu coração se contraiu violentamente, como se uma mão invisível o apertasse.

Uma dor aguda e ardente irrompeu em seu peito e se espalhou rapidamente por cada nervo do seu corpo.

Ela mordeu o lábio inferior, e as pontas dos dedos tremiam incontrolavelmente enquanto o pouco de cor que ainda restava em seu rosto já pálido desaparecia por completo.

Percebendo a mudança repentina em sua expressão, Allison, que estava sentada ao lado dela, inclinou-se imediatamente e perguntou, preocupada: "Aurora, você está se sentindo mal?"

Aurora balançou a cabeça de leve. Justo quando Allison ia fazer mais perguntas, Maya caminhou até elas com outras duas pessoas.

Aurora baixou a cabeça na mesma hora, fixando o olhar na mesa. Estava com medo de erguer os olhos. Seus dedos, apoiados sobre o teclado, tremiam levemente. Ela tentou firmá-los, mas não conseguiu controlar aquele leve estremecimento.

Maya apresentou todos. "Este é o escritório do CEO. Eles são todos seus assistentes. Senhorita Dawson, se precisar de alguma coisa, fique à vontade para pedir ajuda a qualquer um deles."

A senhorita Dawson sorriu e assentiu. Seu olhar era gentil enquanto observava a todos e dizia: "Bom dia a todos. Eu sou Aria Dawson, a nova CEO."

Aurora ficou atônita.

Imagens de Dylan a segurando com força na cama, os dois enredados num abraço desesperado, passaram repetidamente por sua mente.

Naquela época, quando era dominado pela paixão, Dylan sussurrava Aurora em seu ouvido.

Só agora ela percebeu que o nome que ele estava chamando não era Aurora, mas Aria.

Ela cerrou os punhos, as unhas cravando fundo nas palmas e deixando marcas vermelhas em forma de meia-lua, mas não sentia dor alguma.

Seu coração parecia estar sendo esmagado por uma mão invisível, apertando cada vez mais a cada instante que passava.

A sensação sufocante de ter sido manipulada, tratada como substituta e, no fim, descartada sem um segundo pensamento caiu sobre ela como uma onda gigantesca.

Sua visão começou a ficar turva. Ela mordeu o lábio com força, mas não conseguiu conter o calor ardente que se acumulava em seus olhos.

Que ridículo.

Como pôde ter sido tão ingênua?

Por causa da gentileza ocasional de Dylan, de suas palavras ambíguas e da companhia nas noites tardias, ela havia se jogado de cabeça naquele relacionamento, entregando corpo e alma. Acreditou que era realmente amada.

Mas, no fim das contas, ela tinha sido apenas a sombra de outra pessoa.

Ele nunca a tinha olhado de verdade; tinha olhado através dela, vendo outra pessoa.

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