Capítulo 7

Naquele instante, pareceu que o sangue nas veias de Aurora tinha congelado.

Quase por instinto, ela levou a mão para bater a porta, mas Francisco foi mais rápido. Ele pressionou a mão contra a porta e fez um pouco de força; a porta deslizou para dentro.

Aurora foi obrigada a dar um passo para trás, o salto batendo na soleira da entrada.

“Você...” A voz dela se contraiu. “Como encontrou este lugar?”

Francisco entrou e fechou a porta atrás de si com o dorso da mão. Um clique soou quando a fechadura engatou.

A porta ficou trancada atrás dele.

Aurora encarou a saída bloqueada, sentindo o sangue gelar.

“Encontrar alguém nunca foi difícil em Nova York”, disse ele, tirando as luvas de couro enquanto o olhar percorria os ombros dela, que tremiam levemente.

Ele inclinou a cabeça para observá-la. “Do que está com medo? Não é como se eu fosse te comer.”

Os olhos dele eram azuis com um toque de cinza e, enquanto a encarava, irradiavam a excitação de um caçador se aproximando da presa.

“Sr. Hamilton”, disse ela, com a garganta apertada, “o que exatamente o senhor quer?”

Ele afrouxou a gravata e a fitou com um calor palpável, os olhos descendo dos cílios trêmulos dela pelo pescoço e, por fim, se detendo no peito, que subia e descia de tensão.

“O que eu quero fazer?” Ele soltou uma risada baixa e se inclinou até o ouvido dela, o hálito quente roçando sua pele sensível. “Desde aquela vez no Hamilton Group em que um botão da sua camisa se abriu...” A voz dele baixou ainda mais, carregada de desejo escancarado.

“Como seria satisfatório te prender naquela mesa do meu escritório, te pegar por trás e te ouvir chorar e me xingar.”

Ele avançou, e Aurora tropeçou para trás, as costas batendo na parede fria.

Ele ergueu a mão para segurar o queixo dela, o polegar esfregando com força seu lábio inferior. “E agora você ainda está perguntando o que eu quero fazer?”

Uma sensação gélida a invadiu, como se estivesse sendo lambida por uma cobra, enchendo-a de absoluta repulsa.

Antes de ir para a cama, Aurora tinha trocado de roupa e vestido uma camisola de seda de decote baixo.

Francisco era alto e, ao baixar o olhar, seus olhos atravessaram com facilidade o tecido fino.

Ela puxou desesperadamente a frente da camisola para se cobrir, mas o tecido aderiu ao corpo e só serviu para delinear suas curvas com mais nitidez.

Ela era naturalmente bonita, com um rosto pequeno, não maior que a palma de uma mão, e uma pele tão pálida que era quase translúcida, o que lhe dava um ar de fragilidade doentia.

Seus traços eram delicados e suaves. Quando os cílios baixavam, projetavam uma pequena sombra.

Agora, os cabelos longos caíam soltos e um pouco desalinhados sobre os ombros. Uma das alças finas da camisola havia escorregado, revelando sua clavícula esguia e um pedaço de pele deslumbrante.

Francisco se lembrava claramente: um mês atrás, quando ela foi entregar documentos, um botão da blusa havia se soltado quando ela se inclinou. Ele ergueu os olhos de trás da mesa e teve um vislumbre das curvas dela. Desde aquele momento, não teve intenção alguma de deixá-la escapar.

Agora, ela estava diante dele, usando apenas o robe, que pendia folgado em seu corpo.

Francisco sentiu a garganta secar quando uma onda de calor desceu direto para o baixo-ventre.

Ele agarrou a cintura dela, prensou-a contra a parede e enfiou o joelho entre as pernas dela. Sua respiração estava pesada e irregular. “Um milhão. Passe a noite comigo.”

Aurora tremia da cabeça aos pés, as mãos firmemente apoiadas no peito dele. “Me solta! Eu não estou aqui para me vender!”

“Cinco milhões.” As mãos dele já tinham desatado a faixa do robe dela. “Mais um apartamento no Central Park.”

“Saia!” Ela virou o rosto para desviar do beijo dele, a voz rouca. “Ou eu vou chamar a polícia!”

“Pode tentar”, zombou Francisco. “Em Nova York, vamos ver se a polícia vai ter coragem de tocar em mim.”

Antes mesmo de terminar de falar, ele pressionou um beijo pesado na testa dela.

Aquilo pareceu úmido, frio e viscoso, como se ela tivesse sido lambida por um réptil. O estômago de Aurora se revoltou, e ela se sentiu tão enjoada que quase vomitou.

Francisco não deu a mínima para a resistência dela. Agarrou a frente da camisola com uma das mãos e a puxou para baixo com força.

O frágil tecido de algodão rasgou do decote até a cintura, deixando-a completamente exposta. Um frio envolveu instantaneamente sua pele nua, fazendo um tremor violento percorrer seu corpo.

A palma calejada dele pressionou sem impedimento a parte inferior das costas dela. A aspereza daquele toque a fez arquear o corpo como se tivesse sido queimada. Um grito de pânico explodiu de sua garganta: “Francisco! Me solta!”

O som foi tão agudo que quase rasgou o ar.

Os movimentos de Francisco cessaram por um instante ao ouvir o grito.

Ele ergueu o olhar para o rosto mortalmente pálido dela e para os olhos cheios de medo sob a luz fraca, e seu pomo de adão subiu e desceu.

No segundo seguinte, porém, o último vestígio de hesitação em seus olhos foi engolido por um desejo ainda mais profundo.

Com uma mão, ele forçou os joelhos dela a se abrirem enquanto ela tentava fechá-los. Com a outra, estendeu a mão direto até a borda da calcinha fina entre as pernas dela.

O som fraco do tecido rasgando esmagou qualquer resquício de razão.

As unhas de Aurora se cravaram na própria pele. “Se você ousar encostar em mim, eu processo você amanhã!”

A mão de Francisco hesitou e, então, como se tivesse ouvido uma piada, ele soltou um bufar baixo. “Me processar? Você acha que eu me importo?”

“E a mídia?” Aurora fulminou-o com o olhar, a voz retesada. “Mesmo que você consiga abafar a notícia, eu vou dar um jeito de todo mundo saber quem você é, do meu jeito.”

Francisco arqueou uma sobrancelha e deixou transparecer um fiapo de diversão. “Ótimo, vai lá e tenta. Já faz tempo que eu não apareço nas manchetes.”

Aquelas palavras despedaçaram o último fiapo de esperança de Aurora. Ela estava diante de um lunático, com recursos mais do que suficientes para encobrir tudo.

Ela não tinha a menor chance num confronto direto. Precisava se manter calma.

Ela não podia competir com ele em força nem em influência. Para sair daquela, teria de tentar outra abordagem.

Engoliu a náusea que subia pela garganta e forçou a voz a sair suave e submissa. “Sr. Hamilton, eu entendo o que o senhor quer dizer. Eu não quero mesmo ir contra o senhor. É só que… quando se trata do coração, uma mulher precisa estar disposta do fundo da alma. Se o senhor me der um tempo para eu me acostumar com o senhor e aceitá-lo, eu com certeza vou ser uma boa companhia.”

Francisco ergueu o olhar, varrendo o rosto dela enquanto ela fingia calma. Era como se estivesse medindo quanta verdade havia nas palavras dela.

Ele se inclinou, roçando os dentes de leve na pele ao lado do pescoço dela, deixando uma sensação úmida e quente.

“Mas eu não posso esperar tanto assim”, murmurou rouco no ouvido dela.

Aurora cravou as pontas dos dedos na palma da mão e, ainda assim, conseguiu forçar um sorriso tênue. “Uma coisa dessas… não tem graça se for à força. O senhor é tão capaz. Pra que essa pressa? Por que não me deixa conduzir?”

Enquanto falava, ela ergueu a mão com cautela; as pontas dos dedos, tremendo, roçaram a gola da camisa dele. “Quando eu estiver pronta, eu vou garantir que o senhor fique satisfeito.”

Francisco não era burro. Viu através da encenação de Aurora. Ela estava adoçando o tom só para escapar daquilo.

Ele tinha pensado que ela era só um rostinho bonito, mas, pelo visto, era bem esperta. Ao perceber que a força não funcionaria, ela imediatamente mudou para uma abordagem mais suave.

Isso, na verdade, despertou o interesse dele.

Ele inclinou a cabeça para observá-la por alguns segundos, mas não a confrontou por isso. Em vez disso, entrou no jogo.

— Que diferença isso poderia fazer, afinal?

A observação foi direta, quase grosseira. Aurora reprimiu o desconforto e continuou a conduzi-lo com delicadeza.

— Faz uma diferença enorme. Só pessoas que realmente gostam uma da outra conseguem se entregar por completo a isso.

Francisco, de repente, se inclinou até o ouvido dela.

— E você, já tentou?

O rosto de Aurora empalideceu. A imagem de certa pessoa explodiu na sua mente, e o coração pareceu esmagado por um peso enorme.

Se Dylan soubesse como ela se sentia agora, como reagiria? Ficaria com raiva? Se importaria?

Ela não se atreveu a se demorar na resposta.

Vendo o atordoamento dela, Francisco soltou um sorriso de desprezo.

— Vai esperar se apaixonar por mim pra dormir comigo? Acha que isso é possível?

Ele sempre buscara apenas prazer e não tinha paciência para jogos emocionais.

Aurora conteve o tremor na garganta e suavizou a voz.

— Sr. Hamilton, dá pra gente conversar sobre isso? Eu não quero fazer escândalo, mas eu realmente preciso de um pouco de tempo.

Francisco fez uma pausa, erguendo os olhos para encará-la. O sorriso divertido permanecia nos cantos da boca, mas a crueldade em seu olhar suavizou um pouco.

— Tempo? — repetiu ele, traçando círculos com a ponta do dedo sobre a marca vermelha na clavícula dela. — Eu pareço do tipo paciente?

— Eu sei que não — disse Aurora, sustentando o olhar dele. A voz era suave, mas carregava um tremor quase imperceptível. — Mas se você me der tempo para aceitar você, é melhor do que isso... do que eu te odiar para sempre, não é?

Francisco a fitou por alguns segundos, antes de soltar uma risada baixa.

— Eu sou o tipo de pessoa que mais odeia esperar — disse, de propósito.

Aurora percebeu que o desejo nos olhos dele tinha diminuído um pouco. Ela reuniu coragem para continuar a negociar.

— Então... três meses? Quando eu realmente tiver aceitado você, eu faço isso por vontade própria.

— Não — Francisco recusou de imediato. — Três meses é tempo demais.

Ainda assim, ele não fechou a porta completamente. Aurora recuou depressa.

— E dois meses?

Ele observou os olhos dela se iluminarem e estendeu a mão para beliscar sua bochecha.

— Três dias.

Ele poderia tê-la tomado ali mesmo, mas ela tinha razão. Sexo forçado não passava de uma excitação momentânea. Para se divertir de verdade, ele precisava da cooperação dela.

Três dias — ele conseguia esperar isso.

Uma mulher tão bonita e inteligente quanto ela merecia algo mais especial. Isso seria muito mais interessante, não seria?

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