Capítulo 1
Eu achava que só tinha uma libido muito alta.
Até aquela noite, em que dispensei mais um perdedor precoce e baixei um aplicativo chamado MythosMatch.
Elandil, de cabelos prateados, apareceu no bar lá embaixo. O beijo dele vinha tingido de um perigo mortal, seus dedos me deram meu primeiro orgasmo de verdade, e o tamanho daquele desgraçado quase me partiu ao meio—
Aí eu vi as orelhas pontudas dele.
Acontece que homens humanos não conseguiam me satisfazer não porque eu fosse exigente demais.
Mas porque eu nunca fui totalmente humana, para começo de conversa.
—Porra... Rachel... eu vou—
Jason desabou em cima de mim, os quadris falhando em movimentos mais rápidos e mais desajeitados.
Tranquei as pernas em volta da cintura dele, as unhas cravadas nas costas dele. —Não para... aí mesmo...
Mas ele não estava ouvindo.
—Merda... eu não aguento... —Ele meteu mais uma vez e então virou um peso morto em cima de mim, me esmagando como uma pilha de roupa molhada.
Porra. De novo.
Fiquei olhando para o teto. O líquido quente enchia a camisinha enquanto aquela dor ardente entre as minhas pernas — em vez de diminuir — só se intensificava.
—Amor... isso foi incrível... —Jason arfou no meu pescoço.
Empurrei-o para o lado. —Sai de cima.
Ele rolou para o outro lado, tirou a camisinha e jogou na mesa de cabeceira, esparramando-se com aquela cara presunçosa de “sou foda pra caralho”.
Sentei na cama. Molhada entre as coxas, mas aquele vazio oco me dava vontade de socar alguma coisa.
Menos de dez minutos. De novo. Só se importou em gozar. De novo.
—Jason —virei para olhar para ele—, acabou.
—O quê? —Os olhos dele se arregalaram. —Você tá falando sério, porra?
—Eu pareço estar brincando? —Saí da cama e fui nua até o banheiro.
—Rachel! —Jason pulou de pé, com o pau ainda meio mole balançando. —A gente acabou de transar! Você vai terminar comigo agora?
—É, porque você “acabou de transar”. —Encostei no batente da porta do banheiro, baixando os olhos para a virilha dele. —Oito minutos, Jason. Da penetração até a ejaculação. Oito minutos.
O rosto dele ficou vermelho-vivo. —Eu fiz hora extra até meia-noite! Você podia pelo menos—
—Ser compreensiva? —Soltei uma risada fria. —Estou sendo compreensiva há três meses. “Tô cansado hoje”, “Tenho reunião cedo amanhã”, “Semana estressante”. —Comecei a juntar minhas roupas do chão. —Aí, quando a gente finalmente faz alguma coisa, você pula as preliminares por completo e goza em menos de dez metidas?
—Sua vadia do caralho... —Jason tremia de raiva.
—Eu o quê? —Vesti o vestido, fechei o sutiã e peguei a bolsa. —Tenho libido alta? Sou exigente demais? —Abri um sorriso perfeito para ele. —Então você devia ficar grato por eu estar te dispensando. Porque, sinceramente, querido—
Meu olhar caiu de novo para o pau patético e mole dele.
—você nem chega perto de me satisfazer.
—Sua puta do caralho—
A porta bateu antes que ele terminasse.
Fui até o elevador e apertei o botão. As portas se abriram. Entrei e me apoiei na parede espelhada.
O reflexo mostrava cabelo bagunçado, batom borrado, vestido amarrotado. A pior parte? Eu ainda estava molhada entre as pernas, aquela fome insatisfeita queimando no baixo-ventre como brasas em brasa.
Porra, isso era uma merda.
O elevador parou no saguão. Atravessei a entrada do hotel. Um grupo de homens de terno passou por mim; um deles olhou por tempo demais. Ergui uma sobrancelha para ele. Ele desviou o olhar na mesma hora.
Patético.
No táxi para casa, me joguei no banco de trás. A umidade entre as minhas coxas me lembrava que a noite tinha sido mais um fracasso espetacular. Do lado de fora, luzes de neon piscavam sobre casais andando de mãos dadas. Irritante.
De volta ao meu apartamento, joguei a bolsa na entrada, chutei os saltos para longe e desabei no sofá.
Segundo cara neste mês que “não conseguiu lidar com isso”. Semana passada, Mark disse “Rachel, você é demais” e depois me bloqueou.
Ah, por favor. Três, quatro vezes por semana é demais? Eles é que são fracos.
Peguei o celular e fiquei rolando a tela, irritada.
Os homens modernos tinham o prazo de validade de leite. Conversa chata, zero fôlego, e na cama pareciam peixe morto.
Eu precisava de sangue novo. Algo empolgante, selvagem, de fazer o coração disparar.
Foi aí que apareceu na minha tela um anúncio de aplicativo preto e dourado — MythosMatch: Encontre sua alma gêmea predestinada.
A interface parecia sofisticada, nada daqueles perfis engordurados cheios de selfie. Só totens artísticos e um slogan: “Para os poucos excepcionais. Apenas experiências extraordinárias.”
—Interessante. —Ergui uma sobrancelha e toquei em baixar. Pelo menos servia para matar o tempo e ver com que tipo de lixo essa coisa ia me combinar.
O cadastro era simples — só um escaneamento de digital. Quando meu dedo tocou a tela, um leve pulso elétrico subiu pelo meu braço. A tela floresceu numa mandala verde brilhante.
[Par encontrado: Elandil. Distância: 0,5 km]
Uma foto de perfil apareceu.
Puta merda.
Cabelo prateado, olhos de um verde-esmeralda profundo, camisa branca de seda aberta até o terceiro botão, clavículas afiadas o bastante para matar. Elegância gelada, mas exalando uma energia de “me destrói”.
Toquei em [Dizer oi]: “Oi, gato, sozinho hoje à noite?”
Resposta instantânea: “Tô no bar embaixo de você. Se tiver a fim, desce pra tomar um drink.”
Direto ao ponto. Eu gostei.
Trinta minutos depois, encontrei Elandil num box de canto, na penumbra.
Ele era mais alto do que na foto — mais de um metro e noventa. Quando ele olhou pra mim, um cheiro de cedro frio e orvalho da manhã atravessou a névoa alcoólica do bar.
“Rachel?” A voz dele era baixa, quase etérea.
“Sou eu.” Sentei ao lado dele, minha coxa roçando na calça social. O calor atravessou o tecido. Senti os músculos dele se retesarem na hora.
Dois drinks depois, a gente parou de fingir.
“Na sua casa ou na minha?” perguntei, sem rodeios.
“Na sua.” A mão dele já estava na minha cintura. “Mais perto.”
Saímos do bar e fomos direto pro meu prédio.
As portas do elevador se fecharam. Ele me prensou contra a parede espelhada.
O beijo dele foi selvagem — a língua forçando passagem pelos meus dentes, tomando minha boca sem pedir permissão. Enrosquei os braços no pescoço dele e retribuí mordendo com a mesma força. Dois predadores devorando um ao outro.
A mão dele deslizou por baixo do meu vestido, a palma queimando, pressionando direto contra minha calcinha de renda — já úmida.
“Porra...” eu arfiei, o quadril se esfregando instintivamente na mão dele.
“Já tá molhada.” Ele murmurou no meu ouvido, os dedos roçando por cima do tecido fino. “Por causa de antes?”
“Isso importa?” ofeguei, me esfregando com mais força na mão dele.
O elevador apitou. A gente praticamente caiu dentro do meu apartamento.
As roupas foram ficando pelo caminho, da entrada até o quarto. Arranquei dois botões da camisa dele. Ele rasgou o zíper lateral do meu vestido.
Quando desabamos na cama, eu não vestia nada além de uma calcinha de renda preta encharcada.
Elandil se ajoelhou entre minhas pernas, dedos longos fisgando o cós, puxando devagar. O tecido raspou na parte interna das minhas coxas, mandando arrepios pela minha coluna.
“Abre.” A voz dele veio baixa, mandona.
Eu obedeci.
Sem aviso, os dedos dele mergulharam dentro. Dois. Direto até o ponto mais fundo.
“Ah—” arqueei com força, as mãos amassando os lençóis.
“Tão apertada.” Ele começou a se mover, os dedos entrando e saindo, cada investida acertando aquele lugar que me fazia ver estrelas. “E molhada pra caralho.”
“Porra... não para...” Minha voz tremeu.
Ele não parou. Mais rápido, mais rápido; a outra mão pressionou meu baixo-ventre, enquanto o polegar circulava aquele botão inchado e sensível.
O prazer explodiu em mim como eletricidade. Mordi o lábio, tentando não gritar.
Quando eu já estava na beira, ele tirou os dedos.
“Que porra—” encarei ele, desesperada e furiosa.
“Ainda não.” Ele lambeu os dedos, olhos esmeralda brilhando perigosamente no escuro. “Quero sentir você gozar em volta de mim.”
Então ele tirou a calça.
Porra.
Ele era enorme. Grosso, comprido, a ponta já brilhando.
“Pronta?” Ele se posicionou na minha entrada, esfregando, sem entrar ainda.
“Para de provocar—” Antes de eu terminar, ele enfiou de uma vez.
“Caralho!” eu gritei.
Grande demais, fundo demais, esticando até me deixar absurdamente cheia, quase me partindo ao meio.
Elandil não me deu tempo de me acostumar. Começou a meter na mesma hora. O quadril dele batia no meu, cada movimento atingindo o ponto mais profundo, me empurrando pela cama.
“Fundo demais... ah... vai devagar...” Eu arranhei os braços dele, as unhas abrindo a pele.
“Você aguenta.” Ele agarrou minha cintura, me puxando contra ele. “Você queria mais, não queria?”
Ele tinha razão.
Eu queria mais.
O ritmo dele acelerou, mais forte, mais bruto. A estrutura da cama rangeu com violência. Meus gemidos ficaram mais altos — eu não ligava se os vizinhos ouvissem.
“Aí... isso... sim... porra, isso...” Enlacei os braços no pescoço dele, as pernas travando na cintura, deixando ele ir ainda mais fundo.
Ele enterrou o rosto no meu pescoço, o bafo quente espalhando pela minha pele. O cabelo prateado caiu, roçando no meu rosto, trazendo aquele cheiro intoxicante de cedro.
“Você é tão gostosa...” A voz dele estava rouca. “Perfeita pra caralho...”
O prazer veio em ondas. Aquela tensão familiar se enrolou, apertada, no meu baixo-ventre.
“Tô quase... não para... por favor, não para...” Minha voz virou súplica.
“Goza pra mim.” Ele meteu mais rápido, e uma mão desceu entre nós, o polegar pressionando com força aquele botão inchado, esfregando.
Aquilo foi o suficiente.
O orgasmo veio como um tsunami, afogando todos os sentidos. Eu gritei, o corpo convulsionando, contraindo ritmicamente em volta dele enquanto ele ainda socava fundo dentro de mim.
A visão embaçou. Os ouvidos zuniram. O mundo girou.
Naquele momento enevoado, na beira da consciência, eu vi alguma coisa.
O perfil dele enterrado no meu pescoço. O cabelo prateado caindo para trás, revelando o contorno dele. E aquela forma escondida no meio do cabelo...
