Capítulo 11 Genius Little Painter

O olhar intenso de Jonathan parecia atravessar Kathie. Como ela poderia ignorá-lo?

Kathie olhou as horas e percebeu que não podia mais adiar.

— Tá bom, a mamãe tá indo. Se comportem e me liguem se precisarem de alguma coisa, tá?

Os três filhos viram a mãe sair e, em seguida, voltaram obedientes para dentro para ler.

Eileen pegou um pincel e foi até Jonathan, toda animada.

— Moço Bonito, você sabe pintar?

O rosto de Jonathan se iluminou de orgulho.

— Claro que sei! Minhas pinturas já foram expostas e vendidas por preços altos.

Os olhos de Eileen brilharam de empolgação.

— Uau, eu também quero vender meus desenhos pra ajudar a mamãe a ganhar bastante dinheiro.

Jonathan olhou para o caderno de desenho em cima da mesa. Ela era só uma criança… o que será que conseguia desenhar?

— Traz seu caderno aqui que eu te dou umas dicas — disse Jonathan.

Eileen entregou o caderno, e Jonathan ficou atônito assim que o abriu.

O casar tree house da primeira página tinha traços suaves, combinações de cores perfeitas, e até as florzinhas e a grama eram cheias de detalhes. Um nível desses exigiria pelo menos uns dez anos de prática.

Ele foi folheando as páginas, uma mais impressionante que a outra. Era puro gênio.

Olhando para Eileen, de três anos, bem ali na frente dele, Jonathan não conteve uma risada.

— Eileen, criança tem que ser sincera. Esses desenhos só podem ser da sua mãe. Com a sua idade, mal dá pra distinguir as cores, quem dirá fazer isso aqui.

Eileen respondeu com seriedade:

— Fui eu que desenhei.

Jonathan franziu a testa, claramente sem acreditar. Embora fosse um artista talentoso por natureza, ele mesmo não tinha chegado a esse nível antes dos dez anos. Será que Eileen era mesmo mais talentosa do que ele?

Vendo que ele não acreditava, os olhos de Eileen se encheram de lágrimas.

— Eu não tô mentindo.

Kyle correu até eles.

— Por que você tá implicando com a Eileen? Esses desenhos são dela.

Zachary também saiu em defesa da irmã.

— A Eileen é incrível. Ela consegue até desenhar a gente. Você é de fora, não sabe de nada.

Jonathan continuava sem acreditar. Como uma criança de três anos como Eileen, sem nenhum treinamento formal, podia ser tão talentosa?

Eileen pegou o caderno de volta e desenhou um buquê de flores bem na frente dele. Se Jonathan não tivesse visto com os próprios olhos as flores vibrantes e as borboletas quase vivas surgindo no papel em branco, não acreditaria.

Eileen falou, orgulhosa:

— Agora você acredita?

Jonathan estava maravilhado.

— Você é um gênio. Com o treinamento certo, pode se tornar uma artista famosa no mundo inteiro.

Jonathan admirava o talento dela e chegou a sentir uma pontinha de arrependimento, desejando que Eileen pudesse ser sua filha.

Eileen, empolgada com os elogios, abriu um sorriso radiante.

A Mansão Cavendish, localizada no coração da cidade, era uma propriedade valiosa que tinha passado para a mãe de Kathie por herança do avô. Agora, estava ocupada por um bando de ingratos.

Kathie tocou a campainha, e o mordomo, Gary Reed, a reconheceu na mesma hora.

— Senhorita Cavendish, seja bem-vinda de volta.

— Gary, há quanto tempo — ela respondeu.

Gary a conduziu para dentro, onde ela encontrou o pai, Walter Cavendish, e a madrasta, Melissa Morris, conversando animadamente. Randy abraçava Shirley com carinho, enquanto ninguém dava a menor atenção para a avó de Kathie, Ophelia Bell, sentada num canto.

Kathie já tivera uma família feliz, com um pai amoroso e uma mãe carinhosa, e se sentia a pessoa mais sortuda do mundo.

O pai tinha entrado para a família da mãe como genro residente, morando na casa dos sogros. Para preservar o orgulho dele, a mãe de Kathie deu aos filhos o sobrenome dele. Ele a convenceu, com palavras doces, a transferir a empresa para o nome dele, fazendo-a acreditar que isso garantiria a lealdade dele.

Quando Kathie tinha sete anos, a mãe estava grávida do segundo filho. A família inteira transbordava de alegria, esperando ansiosa pela chegada do bebê. Mas a mãe morreu no parto, junto com o neném.

Walter ficou arrasado, e Kathie se comoveu com o que parecia ser um grande amor pela esposa. Mas, menos de dois meses depois, ele levou Melissa e a filha dela para morar na casa. No começo, mentiu, dizendo que eram parentes distantes que ficariam ali por um tempo, até que Kathie pegou os dois, ele e Melissa, na cama — e a verdade veio à tona.

Melissa era sua amante de longa data, e Shirley — apenas um ano mais nova que Kathie — era a filha ilegítima dos dois. Walter já tinha traído a família muito antes.

Depois que se mudou para a casa deles, Melissa passou a infernizar a vida de Kathie pelas costas, enquanto fingia ser uma madrasta boazinha.

Kathie desconfiava que a morte da mãe tinha sido suspeita e começou a investigar em segredo. Descobriu que o corpo da mãe estava coberto de ferimentos e que o bebê tinha morrido pouco depois de nascer.

Com a tecnologia médica avançada que já existia, era improvável que a mãe tivesse morrido no parto. Mas, infelizmente, toda a equipe médica envolvida tinha se mudado para o exterior. Kathie passou anos viajando pelo mundo, tentando encontrá-los.

Se a morte da mãe tivesse mesmo ligação com eles, Kathie faria qualquer coisa para buscar justiça — custasse o que custasse.

Kathie respirou fundo, tentando controlar as emoções. A avó, que a tinha criado depois da morte da mãe, era a pessoa que ela mais amava.

“Vó!” chamou Kathie.

Ophelia se virou, radiante ao ouvir a voz familiar da neta. Quando viu Kathie, levantou-se apesar dos pés doloridos, com lágrimas de alegria nos olhos. “Kathie, vem cá. Que saudade de você.”

“Vó, senta. Não se mexe.” Kathie correu até ela e a abraçou com força.

Depois que Kathie foi embora, quatro anos atrás, Walter, incentivado por Melissa, mandou Ophelia de volta para o interior. Kathie sempre dava um jeito de mandar gente de confiança cuidar de Ophelia em segredo, para garantir que ela tivesse uma velhice tranquila.

Ophelia segurou a mão de Kathie e acariciou de leve o rosto da neta. “Você emagreceu. Que bom que voltou. Não vai embora de novo, não. Eu não sei quantas vezes mais ainda vou ter a chance de te ver.”

“Vó, a senhora ainda vai viver muito, com saúde. Eu vou ficar com a senhora pelo tempo que a senhora quiser que eu fique”, disse Kathie.

Walter pigarreou. A filha não o via há quatro anos e nem sequer o cumprimentou. Que falta de respeito.

Kathie o ignorou, como se ele não existisse.

Walter não teve alternativa a não ser falar primeiro: “Kathie, vejo que você está bem. A Shirley me contou que você tem três filhos. Por que não trouxe seu marido e as crianças para me conhecerem?”

Desde que ela tinha ido embora, Walter nunca a procurara. Que tipo de avô isso fazia dele para os filhos dela?

Melissa se meteu, em tom sarcástico: “Já que você já tem outro homem, por que continua enrolando para se divorciar do Randy? Termina logo isso, dá um status decente pros seus filhos e para de atrapalhar a vida dos outros.”

Shirley tinha dado um filho homem a Randy, mas como ele ainda não tinha se divorciado de Kathie, tanto ela quanto a criança eram tratados como ilegítimos.

Eles tinham usado Ophelia como desculpa para trazer Kathie de volta, só para forçar o divórcio.

Kathie soltou uma risada de desprezo: “E se eu me recusar a divorciar?”

Shirley não aguentou mais: “Não seja irracional. Você é mãe agora. Como pode deixar que crianças inocentes sejam chamadas de ilegítimas?”

Kathie permaneceu impassível: “Esse é o seu problema, não o meu.”

Walter ralhou: “Kathie, você acha que já está acima da minha autoridade? Eu sou seu pai. Hoje você vai se divorciar, ou não sai desta casa.”

Ophelia, furiosa, gritou com ele: “Que tipo de pai você pensa que é? Eu tenho vergonha de você. Se não fosse pela mãe da Kathie, você não teria a posição que tem hoje. Quem pisou na bola com a Kathie primeiro foram a Shirley e o Randy. Eles nunca pediram desculpa, e você ainda tem a cara de pau de ameaçar a Kathie? Eu vou te dar uma lição, seu ingrato.”

Ophelia atirou um copo nele, mas Melissa só fingiu que o protegia. “Mãe, se for pra bater em alguém, bate em mim. Não machuca o Walter.”

Ophelia estava fraca, e o copo caiu sem força aos pés de Melissa, sem nem quebrar. Melissa só estava fazendo cena para o Walter.

Ao ver Melissa se colocando na frente dele, Walter gritou com Ophelia: “Você só banca a autoritária por causa da idade. Acho melhor ficar lá no interior e não sair mais de lá.”

Kathie não aguentou e berrou: “Cala a boca!”

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