Capítulo 2 Trazendo bebês trigêmeos de volta ao país
Quatro anos depois.
Aeroporto Internacional de Eldoria.
Era fim de semana e o aeroporto fervilhava de movimento.
Kathie equilibrava uma criança nos braços e outra pela mão. Ela lembrou o filho mais velho, Kyle Cavendish:
— Segura bem a mão do seu irmão. Tem muita gente aqui, não vai se perder.
— Fica tranquila, mamãe! — disse Kyle, apertando firme a mão de Zachary e ficando colado em Kathie.
Os olhos redondos de Zachary brilhavam de empolgação enquanto ele observava a multidão agitada.
— Mamãe, tem tanta gente que parece com a gente!
Como tinham crescido no exterior, quase não viam rostos familiares, o que deixava o naturalmente elétrico Zachary ainda mais animado.
Kathie conseguiu um carrinho de bebê e acomodou as crianças. Seus trigêmeos, com aquele jeitinho fofo e bonito, chamaram a atenção de quem passava.
Na época, ela tinha decidido ficar com o bebê, sem imaginar que seriam trigêmeos. As dificuldades foram inimagináveis, mas Kathie se sentia sortuda por ter aquelas três crianças adoráveis ao seu lado, trazendo felicidade e um sentimento de completude.
Ela tinha planejado viver fora para sempre, mas, com as crianças entrando na idade escolar, decidiu voltar para casa. Também havia algo que queria investigar.
— Mamãe, a gente vai pra onde? — perguntou Eileen Cavendish, a caçula e única menina entre os trigêmeos, inclinando a cabecinha com os olhos grandes e inocentes.
— A gente vai pra casa da bisa da mamãe — respondeu Kathie.
Kathie chamou um táxi, pegou Eileen no colo e deixou os outros dois sentados ao lado dela. Os quatro se apertaram no banco de trás.
Ao ver Kathie sozinha com três crianças, o taxista não se conteve e comentou:
— Você parece tão nova e já tem três filhos. Por que tá na rua sozinha com eles? Cadê o pai deles? Como é que você dá conta de tudo sozinha?
O assunto “pai” sempre era delicado perto das crianças, e Kathie normalmente escapava pela tangente. Porém, Kyle e Zachary, mais maduros do que outras crianças da mesma idade, já não se deixavam enganar tão fácil.
Quando Kathie ainda procurava uma resposta, Zachary se adiantou, abrindo um sorriso maroto:
— Nosso pai tá trabalhando muito, tio. Aquela ali é a sua filha naquela foto?
Zachary apontou para um pingente com foto pendurado no carro.
— É sim. Ela é uns dois anos mais velha que você — respondeu o motorista, já com a atenção voltada para a filha.
Kathie observava os filhos conversando com o motorista, sentindo um aperto no peito.
De repente, o rádio anunciou:
— Últimas notícias do trânsito. Jonathan Berkeley, o recém-nomeado CEO do Grupo Berkeley, sofreu um acidente de carro. O estado de saúde dele ainda é desconhecido. Se houver testemunhas, pedimos que entrem em contato pelo seguinte número...
Eileen, mostrando uma maturidade surpreendente, comentou:
— Tá tendo tanto acidente de carro hoje em dia... Dirige com cuidado, tá, tio?
O motorista riu:
— Fica sossegada, eu dirijo bem demais. Já fui piloto de corrida!
Quando chegaram ao destino, Kathie se lembrou da notícia que tinha ouvido no rádio e ficou pensativa.
A família Berkeley era muito influente em Eldoria, e Randy era parente distante deles.
O nome Jonathan Berkeley soava familiar para Kathie, e ela se pegou mergulhada em lembranças.
— Mamãe! A água tá derramando! — gritou Eileen.
A voz de Eileen trouxe Kathie de volta à realidade. Ela percebeu que tinha se distraído demais e correu para fechar a torneira.
Depois que a avó faleceu, Kathie herdou uma casa nos arredores de Eldoria. Ela costumava visitá-la com frequência para limpar, mas, nos últimos quatro anos, o lugar tinha acumulado muita poeira, embora houvesse algumas pegadas no chão, provavelmente de Randy, que vinha conferir se ela estava lá.
Kathie tinha acabado de voltar e estava limpando com as crianças, mas se distraiu tanto nos próprios pensamentos que o balde estava quase transbordando.
— Eileen, vai descansar. A mamãe vai passar o pano no chão. — Kathie então pegou o esfregão e perguntou: — Onde estão seus irmãos?
— Vai, mamãe! — Eileen a incentivou. — O Kyle tá no quintal, e o Zachary foi pegar lenço de papel e depois saiu correndo pra fora.
O quintal, tomado pelo mato alto e terminando em um penhasco, parecia desolado.
Preocupada com a segurança das crianças, Kathie largou o esfregão e levou Eileen com ela até o quintal.
— Kyle! Zachary! — Andando pelo caminho enlameado no meio do matagal, Kathie chamou pelos filhos.
— Mamãe! A gente tá aqui! — a voz de Kyle veio do meio da grama à frente.
Kathie se apressou até lá. — O que vocês estão fazendo aqui?
Kyle levantou o rosto delicado. — Mamãe, a gente achou um homem.
Zachary se levantou e entregou os lenços pra ela. — Mamãe, ele tá sangrando e ainda tá respirando. A gente precisa ajudar ele! Talvez a gente até ganhe uma recompensa!
Só então Kathie percebeu o homem gravemente ferido caído no chão. As roupas dele estavam rasgadas, e a pele exposta estava cheia de machucados.
Ele mal estava vivo e, se não o ajudassem logo, podia morrer.
Kathie ergueu os olhos para a beirada do penhasco, que nem dava pra ver direito dali. Aquele homem devia ter caído lá de cima. Era um milagre ainda estar vivo.
Ela pôs Eileen no chão e se ajoelhou ao lado do homem, examinando os olhos e o pulso dele. Depois de alguns segundos, se levantou.
Como médica, Kathie sabia que precisava tentar salvá-lo.
Levá-lo de volta para a casa deu um trabalhão. Ignorando o sangue em suas próprias roupas, ela o deitou na cama.
— Mamãe, eu pego o kit de primeiros socorros!
— Mamãe, eu vou trazer água!
— Mamãe, eu vou ficar com você e com esse homem bonito!
Kathie ficou em silêncio.
Vendo Eileen encarando o homem deitado na cama, Kathie não conseguiu evitar um sorriso.
Apesar dos hematomas no rosto, os traços bonitos dele ainda eram bem visíveis.
Ela não conseguia acreditar que a pequena Eileen já estava tão encantada com a aparência de um homem.
Logo Kyle voltou com o kit de primeiros socorros e puxou a mão de Eileen. — Eileen, não chama todo mundo de bonito. Você pode ser enganada quando crescer.
Eileen fez biquinho. — Mas esse homem é muito bonito. Ele parece muito com o Kyle.
A mão de Kathie, que segurava a agulha de acupuntura, parou no ar, e ela olhou com atenção para o homem desacordado. Havia mesmo uma certa semelhança entre os traços dele e os de Kyle.
— Mamãe, você vai usar as agulhas? — Zachary perguntou, empolgado, com os olhos bem redondos.
Kathie sorriu. — Vou sim, a mamãe vai salvar ele. Se comportem, Kyle, leva seu irmão e sua irmã lá pra fora.
— Tá bom! — Kyle então obedeceu e conduziu Zachary e Eileen para fora.
Kathie respirou fundo e tirou as roupas do homem, deixando apenas a cueca. Em seguida, começou a colocar as agulhas nos principais pontos de acupuntura.
O corpo musculoso do homem, com o abdômen bem definido, se movia conforme ele respirava. O olhar dela caiu sobre o ombro direito dele.
A mão de Kathie ficou suspensa no ar, e seus olhos se arregalaram.
Ali, no ombro, havia uma marca de mordida vermelha, já quase apagada.
Quatro anos antes, naquela noite, Kathie tinha cravado os dentes com força no ombro do homem que estava por cima dela, porque a dor inicial do sexo foi intensa demais; mordeu com tanta força que sentiu o gosto de sangue.
Aquele homem não só tinha a mesma marca de mordida, como também lembrava muito os filhos dela.
Kathie encarou, chocada, o homem inconsciente. Será que podia mesmo ser só coincidência?
